Este
livro reúne diversas contribuições
ao debate que encontra na educação
online o mais novo caminho na direção
da educação cidadã.
Reúne em polifonia exuberante
teorias e experimentações
destiladas na pesquisa engajada de dezenas
de instituições brasileiras
de ensino público, privado e
corporativo. Seja com a voz experiente
e sensível ao espírito
do tempo, seja com a do neófito,
do recém-mobilizado pela educação
na cibercultura, na sociedade da informação,
estamos todos no mesmo barco tendo em
mente que navegar é preciso e
educar é urgente.
Composto
de quatro partes, este volume aborda
inicialmente os fundamentos da aprendizagem
online, mostrando a urgência de
novos investimentos para além
das tradicionais metodologias que resultam
na obsolescência da sala de aula
presencial baseada na pedagogia da
transmissão ou no modelo um-todos.
Em seguida, reúne diversas inteligências
coletivas envolvidas arrojadamente com
o tratamento da sala de aula online
ou com o ambiente virtual de aprendizagem,
mostrando na prática as possibilidades
técnicas da efetiva autoria cooperativa
na aprendizagem a partir da flexibilidade
espaço-temporal e da interatividade
no modelo todos-todos. Na terceira parte,
a ênfase é no debate sobre
a tão desconhecida legislação
específica,
mostrando que a consistência das
ações depende do acompanhamento
e da criteriosa avaliação
das regras e normas para realização
significativa da qualidade. Finalmente,
o cuidado com a formação
corporativa desenvolvida na empresa
que não apenas capacita funcionários
eficazmente, mas que concomitantemente
os educa.
Com
tessituras na polifonia visando aconchegar
o professor inforrico e o infopobre,
o gestor de educação e
de formação corporativa,
a seguir apresento as sínteses
dos artigos oferecidas pelos próprios
autores. Convido-os assim ao diálogo!
Convido-os à troca, à
participação, à
intervenção criadora e
à autoria colaborativa. Convido-os
a desvencilhar-se de preconceitos, a
redimensionar sua autoria na sala de
aula presencial e online. Enfim, desejo
interagir com sua ousadia em educação
no nosso tempo.
Parte
1: Fundamentos da aprendizagem online
De
início As sereias do ensino eletrônico.
Neste texto Paulo Blikstein observa
que, apesar do potencial de mudanças
das novas tecnologias e do discurso
capturado de educadores progressistas,
o paradigma da educação
tradicional tem preponderado em um grande
número de experiências,
com o simples encapsulamento de conteúdo
instrucional em mídias eletrônicas.
Em seguida, discute as possíveis
causas e conseqüência desse
processo, como a integração
da educação ao universo
do consumo de massa, as demandas do
novo mundo do trabalho à universidade
e as promessas da educação
online. Ao final, propõe princípios
para a construção de ambientes
de aprendizagem alternativos, utilizando
as tecnologias como matéria-prima
de construção e não
só como mídia de transmissão
de informações.
Em
seguida, José Manuel Moran apresenta
valiosas Contribuições
para uma pedagogia da educação
online. Para ele, existe no Brasil uma
grande variedade de cursos online: cursos
para poucos e para muitos alunos, cursos
com pouca e muita interação,
cursos centrados no
professor e cursos centrados nos alunos,
cursos que utilizam uma (internet, videoconferência,
teleconferência) e outros que
integram várias tecnologias.
Para cursos com grandes grupos, o processo
de organização do ensino-aprendizagem
online é muito mais complexo
do que o que realizamos no presencial,
o que requer uma logística nova,
que só agora está sendo
testada com mídias telemáticas.
Neste contexto, alerta, os papéis
do professor se multiplicam, diferenciam
e complementam, o que exige uma grande
capacidade de adaptação,
de criatividade diante de novas situações,
propostas e atividades.
No
texto Criar e professorar um curso online:
relato de experiência, sustento
que, em educação online,
é fundamental não subutilizar
a disposição comunicacional
própria da internet: a nteratividade.
Isto é: para superar o ambiente
virtual de transmissão que apenas
acomoda pacotes de informação
e de exercícios a serem assimilados
e cumpridos, precisamos investir na
criação de cursos interativos,
baseados em ambientes virtuais de aprendizagem
que permitam a participação
e a colaboração dos aprendizes
na construção da comunicação
e do conhecimento. Uma convicção
acadêmica exposta em Sala de aula
interativa (Quartet, 2000) foi plenamente
confirmada quando me tornei um professor
online e precisei formatar e executar
um curso via internet que rompesse com
a prevalência da pedagogia da
transmissão. Neste relato, compartilho
o caminho que percorri em busca da educação
online interativa.
Tomando
orientação teórica
semelhante, em Instrucionismo e nova
mídia, Pedro Demo alerta para
a dificuldade de se estabelecerem relações
pedagógicas adequadas entre educador
e educando, no espaço escolar
em que predomina o autoritarismo das
propostas que vêm de fora e de
cima para baixo, uma questão
que, segundo o autor, penetrou também
o ambiente da inteligência artificial,
cuja fundamentação principal
tem origem na biologia e assevera a
diferença, pelo menos por enquanto,
entre a inteligência humana –
complexa, não-linear R=
11;
e a artificial – digital,
seqüencial, linear. Talvez por
isso, acreditar.
Demo,
o problema maior da educação
a distância não seja, em
absoluto, carência tecnológica
(esta já sobra), mas carência
de aprendizagem. Ainda segundo ele,
há cada vez mais consenso em
torno do potencial infinito da nova
mídia, desde que saibamos salvaguardar
o compromisso com a aprendizagem.
Ao
falar de sua experiência junto
ao NCE ; Núcleo de Comunicação
e Educação da Escola de
Comunicações e Artes da
USP, no artigo EaD como prática
educomunicativa: emoção
e racionalidade operativa, Ismar de
Oliveira Soares apresenta um contexto
de resistências à aprendizagem
online e sugere como superá-lo.
Segundo ele, os projetos e-learning
têm sido objeto de severas críticas
por parte dos que defendem uma educação
de qualidade, essencialmente desvinculada
do caráter mercantilista com
que em muitos países esta nova
modalidade de prestação
de serviços viria sendo implantada.
Além disso, outros deixariam
de aderir à educação
a distância por considerar que
a interatividade disponibilizada pelas
novas tecnologias não conseguiria
ocultar a frieza das relações
e a natureza pedagogicamente fechada
de muitas iniciativas na área.
Para superar tais dificuldades, relata
Soares, o NCE decidiu desenvolver um
projeto que unisse seriedade acadêmica
e envolvimento afetivo, o que deu origem
ao Educom.TV , experiência que
mobilizou, ao longo de sete meses, 2.240
professores da rede pública de
educação do Estado de
São
Paulo.
Cristiane
Nova e Lynn Alves, no artigo Estação
online, a ciberescrita, as imagens e
a EAD, realizam uma reflexão
sobre
as formas de apropriação
das linguagens imagéticas e audiovisuais,
que a sociedade contemporânea
vem realizando. Ao fazê-lo, convidam
à discussão sobre o potencial
cognitivo das imagens e as possibilidades
de incorporação destas
na educação de uma forma
ampla e, mais especificadamente, no
ensino online.
No
texto O material didático na
educação a distância
e a constituição de propostas
interativas, Aluízio Belisário
observa que o avanço da educação
a distância nas universidades
brasileiras e estrangeiras e seu tratamento
como ferramenta de educação
de massas; têm gerado
as mais diversas experiências
e expectativas. E conclui que, embora
a EAD, como metodologia educacional,
não seja exatamente uma novidade,
sua adoção conjugada com
a utilização de ferramentas
disponíveis na internet vem se
constituindo no grande esforço
de muitos educadores nos últimos
anos.
No
artigo Interatividade e aprendizagem
colaborativa em um grupo de estudo online,
Gilse T. Lazzari Perosa e Marcelo Santos
fazem mais um relato de experiência
envolvendo o que chamo de disposição
comunicacional própria da internet:
a interatividade. A experiência
em questão é a produção
de um texto desenvolvido coletivamente
online na disciplina O Audiovisual no
Ensino, do Curso de Pós-Graduação
lato sensu Educação em
Arte e as Novas Tecnologias, oferecido
pela Coordenadoria de Educação
Aberta e a Distância da Universidade
Federal de Mato Grosso do Sul. Como
relatam os autores, a experiência
explorou as possibilidades da internet
como meio de comunicação,
de forma a desenvolver a interatividade
e proporcionar aos alunos uma aprendizagem
colaborativa, a partir da interação
entre sujeitos mediados pelo computador.
Em
um texto direto e irônico que,
como queria Oswald de Andrade, leva
em conta a contribuição
milionária de todos os erros,
Wilson
Azevedo ensina como detonar com um projeto
de educação
online. Para ele, em meio ao boom vivido
na educação online na
passagem do século XX para o
XXI, joio e trigo aparecem misturados
e muitas iniciativas parecem ter sido
especialmente projetadas para o fracasso.
Ainda segundo Azevedo, como o erro oferece
excelente oportunidade para a aprendizagem,
vale a pena, por contraste, expor as
lições que podem ser extraídas
destas experiências, destes mandamentos
do fracasso, passos que, quando seguidos,
parecem levar a problemas relativamente
graves, resultados pífios, prejuízos
morais e materiais.
Ead
sim. Mas com qual biblioteca? é
a questão que levanta Solange
Puntel Mustafá em texto que discute
a importância da biblioteca virtual
para o ensino a distância e apresenta
o bibliotecário como elemento
indispensável numa equipe de
EAD, uma vez que, segundo a autora,
ele conhece as fontes e as formas de
organização da informação,
o que lhe possibilitaria atuar inclusive
como tutor. Mustafá recomenda
a intervenção do bibliotecário
já na fase de planejamento do
curso para que a biblioteca resultante
seja um produto/processo tão
importante quanto os demais componentes
curriculares e se adeqüe satisfatoriamente
ao curso a que se destina. João
Vianney faz uma provocação,
com Online quer dizer moderno, não
sabia? Como desde 1996 participa da
implantação de cursos
online no Brasil colhendo êxitos
e fracassos, Vianney faz mais do que
discutir o pressuposto de que o uso
de novas tecnologias em educação
a distância, em especial a internet,
promove a democratização
do acesso ao conhecimento. Em estilo
literário e ousado, fora do formato
acadêmico, apresenta a chegada
da nova educação a distância
a um pequeno município brasileiro,
destacando aspectos da realidade que,
muitas vezes, surpreenderam as equipes
e as instituições em que
trabalhou.
Encerrando
a primeira parte do volume com Educação
com tecnologias digitais: uma revolução
epistemológica em mãos
do desenho instrucional, Andrea Cecília
Ramal traz ao debate a qualidade do
desenho instrucional. Ela parte do princípio
de que a EAD realizada com tecnologias
digitais pode colaborar com uma verdadeira
revolução epistemológica
e com uma série de mudanças
nas formas de aprender. Entretanto,
observa que existe também o risco
de reproduzir os problemas da educação
tradicional, mudando apenas as roupagens.
Seu
artigo apresenta a importância
de um excelente projeto de desenho instrucional
para construir cursos a distância
coerentes com os novos paradigmas educacionais,
comentando ainda alguns princípios
pedagógicos que devem sempre
ser levados em conta na EAD.
Parte
2: Ambientes virtuais de aprendizagem
Maria
Elizabeth Bianconcini de Almeida inicia
a segunda parte deste volume com Educação,
ambientes virtuais e interatividade.
Neste artigo, sustenta que a utilização
da tecnologia de informação
e comunicação - TIC ou
tecnologia digital como suporte para
a educação presencial
ou para a educação a distância
pode promover a interatividade graças
à internet. No entanto, observa
que as práticas educativas com
o uso da TIC oscilam entre as tradicionais
formas mecanicistas de transmissão
de conteúdos digitalizados e
os processos de produção
colaborativa de conhecimento em atividades
de educação sistemática
(em menor escala) e, principalmente,
em comunidades de aprendizagem. Sua
intenção é analisar
o significado de alguns conceitos fundamentais
a essas práticas com o objetivo
de aprofundar a compreensão sobre
equívocos e avanços no
uso de ambientes virtuais em educação.
Articulação
de saberes na EAD on-line: por uma rede
interdisciplinar e interativa de conhecimentos
em ambientes virtuais de aprendizagem
de Edméa Oliveira dos Santos
é um convite a todos os especialistas
envolvidos com os processos produtivos
de gestão e de práticas
curriculares na modalidade de EAD online
interessados no repensar de suas ações,
tanto no que tange à articulação
de saberes e competências, quando
na postura comunicacional entre os sujeitos
envolvidos em ambientes virtuais de
aprendizagem (AVA). O texto procura
ainda desmistificar o conceito de AVA
sinalizando a importância da utilização
de interfaces gratuitas encontradas
no ciberespaço.
No
artigo Participação e
avaliação no ambiente
virtual AulaNet da PUC- Rio, Hugo Fuks,
Leonardo Magela Cunha, Marco Aurélio
Gerosa e Carlos José Pereira
de Lucena sustentam que, na aprendizagem
colaborativa em curso baseado na web,
é preciso avaliar as interações
do indivíduo com seus colegas
em vez de apenas progressos e atividades
individuais. A propósito, informam
que o ambiente de ensino-aprendizagem
AulaNet oferece relatórios de
acompanhamento de participação
que dão ao grupo informações
para uma análise quantitativa
e qualitativa da sua performance. O
artigo discute ainda os aspectos referentes
a esta forma de avaliação
e apresenta o Curso de Tecnologias de
Informação Aplicadas à
Educação para exemplificar
a utilização do ambiente
num curso ministrado completamente a
distância.
No
texto Construindo um ambiente de aprendizagem
a distância inspirado na concepção
sócio-interacionista de Vygotsky,
Adja Ferreira de Andrade e Rosa Maria
Vicari apresentam o projeto de ambiente
computacional para ensino a distância
desenvolvido no Programa de Pós-Graduação
em Informática na Educação
e no Instituto de Informática
da Universidade Federal do Rio Grande
do Sul. Segundo elas, na busca de uma
estreita relação entre
as metodologias de construção
de software educacional e a teoria sócio-interacionista
está sendo proposta uma abordagem
que visa construir um modelo computacional
a partir de aspectos da teoria de Vygotsky.
A idéia é encontrar, nos
modelos de agentes, perspectivas promissoras
para educação presencial
e a distância. A tecnologia de
agentes e sistema multiagentes, relatam,
é utilizada para auxiliar a aprendizagem
do aluno e significa um novo passo em
direção à socialização,
propiciando interação
e cooperação entre agentes
humanos e artificiais.
Em
Desafio para EAD: como fazer emergir
a colaboração e cooperação
em ambientes virtuais de aprendizagem?,
Alexandra Lilavati Pereira Okada reflete
sobre as concepções de
aprendizado colaborativo e cooperativo
na Educação a Distância
e analisa interfaces, dinâmicas,
estratégias e o papel do mediador
pedagógico para fazer emergir
a cooperação e
colaboração em ambientes
virtuais de aprendizagem. Seu trabalho
discute não só concepções
teóricas relevantes, como também,
alguns exemplos decorrentes de uma prática
vivenciada num curso semipresencial
de uma disciplina de pós-graduação.
No final, destaca e comenta quatro elementos
que considera importantes: (1) a emergência
espontânea de intencionalidades
coletivas, (2) problematizações
contextualizadas decorrentes de trocas
de experiências, (3) a cooperação
decorrente da parceria e do prazer em
estar junto e (4) a cooperação
visando a aprendizagem transformadora.
A
experiência Aula Virtual e Democracia,
desenvolvida de 1999 no âmbito
do CEAD/UnB Virtual, sob responsabilidade
de Raquel de Almeida Moraes (UnB) e
com a colaboração do professor
Ilan Gur-Ze´ev (Universidade de
Haifa, Israel), é o tema de Linguagem
da WEB no CEAD/UnBVirtual, artigo assinado
por Raquel de Almeida Moraes e Lino
Vaz Moiz. O texto explicita o objetivo
do projeto (desenvolvimento da cultura
democrática em espaços
além dos presenciais, como o
ciberespaço internet ou WEB implementando
uma linguagem de
comunicação entre professores
e alunos capaz que promover os processos
democráticos, seja na produção
de conhecimentos e da cultura, seja
na própria vida, entendida em
sua dimensão político-
existencial e espiritual) e seus resultados
ao longo de quatro anos.
Outro
estudo de caso, especialmente bem-vindo
ao debate por enfocar a formação
de professor, está em Organização
de atividades de aprendizagem utilizando
ambientes virtuais, de Fabiane Barreto
Vavassori e André Luís
Alice Raabe. O artigo relata uma experiência
na organização de um curso
a distância para capacitação
de professores, utilizando a internet
como tecnologia de comunicação
e informação.
A
partir de uma breve revisão da
literatura sobre o tema, o que permite
caracterizar o contexto em que se desenvolveu
a experiência analisada, Carolina
Paz, Flavia Lumi Matuzawa, Giovana Schuelter,
Marialice de Moraes, Patricia Jantsch
Fiuza e Simone Cristina Vieira Machado
assinam o artigo Monitoria online em
educação a distância,
cujo objetivo é apresentar a
estrutura de apoio ao aluno desenvolvida
pelo LED/UFSC, com ênfase na utilização
da internet e da videoconferência.
No
artigo Algo de novo sob o sol?, Marilú
Fontoura de Medeiros, Joyce Munarski
Pernigotti, Rubem Mário Figueiró
Vargas, Anamaria Lopes Colla, Beatriz
Regina Tavares Franciosi, Gilberto Mucilo
de Medeiros e Maria Bernadette Petersen
Herrlein realizam “capturas
de traçados possíveis
na construção de conhecimeno
produzido em EAD, destacando ;desafios
e intensidades do vivido. O artigo analisa
as práticas, a organização
teórico-prática e os processos
de gestão que permitem constituir
ambientes cooperativos de aprendizagem.
Para os autores, um dos acontecimentos
de grande intensidade que os tem afetado
na produção dessas práticas,
é a constatação
de que somos o
que fazemos, nas intensidades e fluxos
que atribuímos a esse fazer.
As análises são feitas
a partir de um Curso de Capacitação
Docente-
CCD, em Educação a Distância-EAD
oferecido aos professores da PUC-RS.
Em
Usabilidade e a padronização
no e-learning, André de Abreu
de Sousa observa que o desenvolvimento
da internet como ferramenta de educação
a distância traz novos desafios
inadiáveis. Destaca o exemplo
de um mesmo aluno que cursar várias
disciplinas num ambiente
de ensino em que a ausência de
uma padronização mínima
entre essas disciplinas o obriga a reaprender
toda a navegação da interface
digital inúmeras vezes. Para
evitar isso, sugere o recurso às
heurísticas de usabilidade de
Jakob Nielsen ou de outros autores,
sustentando que uma padronização
mínima facilita a vida de alunos,
equipe de produção e professores.
No
artigo que encerra a parte dedicada
a ambientes virtuais de aprendizagem,
TelEduc: software livre para Educação
a Distância, Heloísa Vieira
da Rocha apresenta um ambiente para
a criação, participação
e administração de cursos
na web desenvolvido, a partir de 1997,
pelo Núcleo de Informática
Aplicada à Educação
(NIED) da Universidade Estadual de Campinas
(Unicamp). Segundo a autora, em fevereiro
de 2001 foi pioneiramente disponibilizada
sua primeira versão como um software
livre, que seria adotado por várias
instituições públicas
e privadas. Para finalizar, observa
que o TelEduc apresenta características
que o diferenciam dos demais ambientes
para EaD disponíveis no mercado,
como a facilidade de uso por não
especialistas em computação,
flexibilidade quanto ao modo de utilização
e um conjunto enxuto de funcionalidades.
Parte
3: A legislação específica
Quem
abre a discussão sobre a legislação
atual é Francisco José
da Silveira Lobo Neto, com o artigo
Regulamentação da educação
a distância: caminhos e descaminhos,
no qual analisa o que dispõe
sobre EAD a LDB de 1996 e outros documentos
normativos complementares e aborda temas
como credenciamento institucional, autorização
e avaliação de cursos,
validade de certificados e diplomas.
Segundo o autor, o conhecimento das
normas deve ser relacionado ao projeto
pedagógico da sociedade e à
necessidade de qualidade humana socialmente
referenciada. E a consistência
das ações depende de acompanhamento
e criteriosa avaliação,
com resultados divulgados, para que
se produzam parâmetros de revisão
de regras e normas para realização
significativa da qualidade.
Em
A portaria nº 2.253/2001 no contexto
da evolução da educação
a distância nas instituições
de ensino superior do Brasil, Adylles
Castello Branco comenta a chamada Portaria
dos dentro de um
contexto mais amplo da educação
a distância, destacando as influências
norma na prática pedagógica
de professores das Universidades por
ela beneficiadas. Sua análise
é mais voltada para a questão
pedagógica do que para a questão
legal strictu sensu e, sem pretender
ser exaustiva, busca estimular uma maior
discussão sobre este tema dentro
das Instituições de Ensino
Superior. Seu intuito é, claramente,
estimular um começo de conversa
sobre o assunto.
Ainda sobre a Portarias no artigo Portaria
2.253/01 -
leitura breve, Roney Sginorini se debruça
sobre aspectos essenciais da lei, avaliando-a
positivamente. Para ele, educação
a distância
não é distância
da educação”
e com tal Portaria o MEC dá um
importantíssimo passo conduzindo
a educação para o futuro,
via novas tecnologias, nas instituições
de ensino superior.
E
tratando de outro aspecto relevante
da legislação específica,
o artigo Questões relevantes
do ensino a distância e seus efeitos
(implicações) no direito
da propriedade intelectual, de Eleonora
Jorge Ricardo e José Carlos Vaz
e Dias, encerra esta parte do livro
dedicada à legislação
em EAD online. Nele, os autores tanto
denunciam a inobservância de direitos
de propriedade intelectual por cursos
de EAD como lamentam a perda de negócios
pelo desconhecimento legal de direitos
e obrigações relacionados
ao desenvolvimento das ferramentas utilizadas
nesta modalidade educacional.
Parte
4: Formação corporativa
Num
contexto em que o conhecimento é
o grande diferencial de mercado e a
educação tem um papel
estratégico nas empresas, a Educação
a distância aparece como ferramenta
sob medida para o ensino corporativo
porque possibilita a aprendizagem de
forma autônoma, flexível
e a um custo competitivo. A afirmação
é de Renata Ribeiro de Luca,
autora do artigo Educação
a distância: ferramenta sob medida
para o ensino corporativo, que abre
a última parte deste volume.
Para que a EAD seja mesmo eficaz nas
empresas, a autora sustenta que o modelo
pedagógico adotado deve ser o
construtivista sócio-interacionista,
único capaz de estimular as competências
básicas do ambiente de negócios
aprender a aprender, comunicação
e colaboração, raciocínio
criativo e resolução de
problemas, desenvolvimento de liderança
e autogerenciamento de carreira.
De
todas as mudanças que nos acostumamos
a assistir nas organizações
nos últimos quinze anos, observa
André Luís de S. Alves
Pinto em EAD e educação
corporativa: caminhos cruzados, talvez
não haja outra tão significativa
quanto a que vem ocorrendo na gestão
de pessoas. Novos ou apenas revisados,
estes conceitos, segundo o autor, aos
poucos vão sendo traduzidos em
novas práticas, sobretudo na
atividade de Educação
Corporativa. Seu artigo se propõe
a relacionar algumas destas tendências
e identificar possíveis contribuições
do emprego da educação
a distância, oferecendo a iniciantes
em EAD a oportunidade de formar uma
opinião mais consistente a respeito
da conveniência de implantar projetos
de capacitação a distância
em suas organizações e
a educadores mais experientes a oportunidade
de rever caminhos ou mesmo organizar
suas experiências anteriores nesta
atividade.
Depois
de observar que os modelos antigos de
educação a distância,
graças às novas tecnologias
e à internet, são substituídos
pelo e-learning, que está nos
planos do Ministério da Educação
para aumentar o número de vagas
nas universidades, René Birocchi,
em O sistema de valor do e-learning,
se propõe a elaborar um mapa
do e-learning no Brasil, por meio da
divisão do segmento em diversos
estratos. Em A capacitação
de servidores do estado via cursos online:
adequando soluções às
diferentes demandas, José Armando
Valente e Tânia Maria Tavares
Gomes Silva avaliam o Programa de Aperfeiçoamento
da Educação a Distância
(PAEAD), criado pela a Fundação
do Desenvolvimento Administrativo (Fundap)
para capacitar profissionais do setor
público utilizando basicamente
duas abordagens de EAD: a broadcast
que usa os meios tecnológicos
para passar informação
aos aprendizes, nesse
caso sem qualquer interação
professor-aluno estar junto virtualmente
um suporte ao processo de construção
de conhecimento mediado pela tecnologia,
com alta interação entre
professor e aluno, e entre os alunos.
O artigo apresenta diversos cursos ali
realizados para indicar a flexibilização
das abordagens citadas, de acordo com
seus diferentes propósitos educacionais.
De
Faculdade isolada a Universidade Virtual:
o caso do IUVB.br Instituto Universidade
Virtual Brasileira é título
do artigo de Carmem Maia, que encerra
o presente volume. No artigo, a autora
destaca o pioneirismo e os êxitos
do Instituto mostrando seus percursos
e percalços discute as tendências
do formato de ensino superior e convida
o leitor à uma reflexão
sobre a virtualização
do ensino superior e seu agregamento
de valor (ou não) ao processo
de ensino-aprendizagem.
Marco
Silva