POESIAS
Poesias de autores da região
  
   


Mortos anônimos do Cemitério de Perus – SP

Mortos anônimos
mortos supliciados
torturados
humilhados
tudo lhes tiraram
por último
a identidade
para que não denunciassem
contassem ao mundo
aquele tempo
de arbítrio
e vergonha

Mortos que chegavam
transportados em caminhões
empilhados como reses abatidas
e eram enterrados
em covas de sete palmos
bem medidos
bem cavados

Depois o ajuntamento da terra
nada mais
nem uma cruz
um número que fosse
nenhum testemunha
que delatasse
tempo de infâmia
de arbítrio
e vergonha

A terra úmida e quente
da Pátria Mãe emudecida
agasalha em suas entranhas
seus mortos anônimos

(04/04/1985)

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