| João
Carlos de Faria
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Conclusão
Constata-se,
portanto, que o turismo rural vem
sendo introduzido, ainda que timidamente,
em propriedades rurais familiares
do Vale do Paraíba, através
de iniciativas dos próprios
produtores que, improvisadamente,
através da constatação
informal da demanda, passam a oferecer
serviços de hospedagem ou
simplesmente abrem as porteiras
para quem deseja passar o dia na
roça, saboreando uma comida
tipicamente regional e o ambiente
produtivo da fazenda. O município
de Paraibuna, por exemplo, iniciou
há cerca de dez anos, um
projeto de valorização
da cultura caipira, adotando uma
estratégia de divulgação
para as festas, a paisagem, a gastronomia
e a história locais e favorecendo
a implantação de infra-estrutura
hoteleira, baseada principalmente
na zona rural, tornando-se uma referência
regional neste aspecto.
Faria sugere que seja aproveitada
a infra-estrutura que outrora serviu
às atividades produtivas
das propriedades, como a cafeicultura
e a pecuária de leite e que
hoje se encontra ociosa, para que
sejam implantados projetos de aproveitamento
do potencial turístico do
meio rural, na região do
Vale do Paraíba paulista.
A proposta, segundo o autor, só
contemplará seu objetivo,
no entanto, se houver a integração
de roteiros regionais, a capacitação
empresarial e de mão de obra
e a realização de
investimentos em estratégias
de marketing para a divulgação
e inserção do produto
no mercado com chances de sucesso.
O aproveitamento das antigas infra-estruturas
resultaria na diminuição
dos custos de implantação
de uma proposta nessas propriedades,
pois permitiria a reutilização
de material e a adaptação
de antigas instalações
para as novas finalidades. As sedes
das fazendas, por exemplo, podem
se transformar em pousadas, nas
quais haja compartilhamento da casa
com os hóspedes; antigos
ranchos podem ser utilizados como
restaurantes ou salões de
jogos e casas de colonos podem ser
transformados em chalés,
desde que sejam devidamente preparados
para isso.
É preciso ressaltar que o
grande entrave para quem pretende
planejar a atividade turística
na região é o fato
de não haver intenção
ou disposição das
instâncias públicas
locais em fomentar esse segmento
da economia, por desconhecimento
dos seus agentes ou por uma questão
de prioridades.
Repete-se no Vale do Paraíba,
o quadro da maior parte dos municípios
brasileiros, que, apesar de vislumbrarem
seus potenciais turísticos,
não disponibilizam de recursos
para investimento em mão-de-obra
especializada no planejamento e
na organização da
comunidade para o turismo, nem tampouco
investem na infra-estrutura necessária
para dar suporte a um fluxo turístico
consistente.
Dessa forma, para que uma proposta
se consolide, há também
a urgência de se intensificar
os esforços conjuntos entre
os governos municipais, os órgãos
de extensão rural e as instituições
de ensino regionais para que se
processe o planejamento adequado
da atividade, levando-se em conta
o que afirmam Campanhola e Silva
(2000, p.152), segundo os quais
há uma relação
direta entre turismo rural e as
características sociais,
econômicas e ecológicas
de cada local, o que fortalece a
idéia de que o planejamento
turístico deve estar inserido
no âmbito do planejamento
territorial, pois as oportunidades
são locais e muito particulares.
Os grupos de agricultores familiares,
por sua vez, precisam ser organizados
e capacitados, para formarem rotas
ou roteiros rurais, nos quais se
possa oferecer ao turista uma diversidade
de atrativos e atividades, ao mesmo
tempo em que se fortalece os laços
associativos e cooperativos, facilitando
o acesso às linhas de crédito
disponíveis e dando representatividade
política aos grupos.
Finalmente, é possível
afirmar que, se houver estratégias
adequadas e mecanismos de incentivo
eficientes, o turismo rural pode
ser para o Vale do Paraíba,
consoante o seu grande potencial
e as condições descritas
neste trabalho, a forma mais efieciente
de aceleração do turismo
como fator de desenvolvimento sustentável,
visto que, há uma grande
demanda por atrativos de cunho regional
e um anseio das populações
urbanas por alternativas de lazer
e descanso no cenário rural,
provocado por fatores como o estresse
e a necessidade de volta às
origens.
De outra parte, a estrutura produtiva
familiar que predomina na região
e a necessidade de alternativas
de revitalização do
meio rural coincidem com as premissas
do turismo rural, que surge como
forma de agregação
de valor, aumento da renda e incentivo
para a valorização
cultural e ambiental por parte das
comunidades locais.
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