| João
Carlos de Faria
1
- Introdução
O
Vale do Paraíba paulista,
localizado no eixo São Paulo-Rio
de Janeiro, compreende as terras
que se formam ao longo da Calha
do rio Paraíba do Sul e as
encostas das serras da Mantiqueira
e do Mar. Essa disposição
geográfica, mais o traçado
da Estrada de Ferro Central do Brasil
e posteriormente da rodovia Presidente
Dutra, proporcionaram níveis
diferenciados de evolução
da economia. Enquanto aqueles municípios
localizados na calha, mais próximos
da ferrovia e da rodovia - hoje
a principal do país - conheceram
um intenso surto de industrialização
e de urbanização a
partir das décadas de 60/70,
os
outros, localizados nas encostas
das serras do Mar e da Mantiqueira,
permaneceram vinculados ao setor
primário da economia, registrando
constante êxodo rural e empobrecimento
de sua população.
A história do Vale do Paraíba,
por sua vez, esta intimamente ligada
a ciclos econômicos de caráter
agrário como o do café
- período de maior opulência,
que modificou a estrutura social
e deu prestígio e poder político
à região - e a produção
de leite - que, por questões
conjunturais, se encontra em rota
de decadência, mas que ainda
sustenta boa parte da população
rural dos pequenos municípios
- atividade introduzida com a decadência
do café, ocorrida a partir
de 1929, detonada pela crise na
Bolsa de Nova York, levando o Vale
do Paraíba a se transformar
no segundo maior pólo produtor
de leite do país.
No início do século
XX também se introduziu nas
várzeas do rio Paraíba
a cultura do arroz, trazida pelos
religiosos da ordem trapista, que
se instalaram na Fazenda Maristela,
em Tremembé e difundiram
novas técnicas de plantio,
incluindo-se o sistema de irrigação.
Apesar das novas culturas que vêm
sendo experimentadas por alguns
produtores nessas várzeas,
o arroz ainda é um dos mais
importantes produtos agrícolas
da região atingindo na safra
de 2002/2003, segundo o Escritório
de Desenvolvimento Rural de Pindamonhangaba,
a marca de 850 mil sacas de 60 kg.
A atual estrutura fundiária
do Vale do Paraíba, por sua
vez, é fruto de mudanças
significativas na forma de distribuição
das terras, observadas a partir
da decadência do café,
quando fazendas passaram a ser retalhadas
em partilhas e heranças familiares.
Esse processo se multiplicou à
medida que as gerações
foram se sucedendo o que resultou
numa região pontuada por
pequenas propriedades e produção
agropecuária marcadamente
familiar.
De acordo com dados do Levantamento
de Unidades de Produção
Agropecuária (LUPA), realizado
pelo Instituto de Economia Agrícola
do Estado de São Paulo, conjuntamente
com a Coordenadoria de Assistência
Técnica Integral (CATI),
órgão da Secretaria
da Agricultura do Estado, haviam
na região em 1995, um total
de 12.769 propriedades rurais, das
quais 10.646 tinham área
menor que 100 hectares, enquadrando-se
dentro do limite estabelecido pelo
Programa Nacional de Agricultura
Familiar (Pronaf), de quatro módulos
fiscais, na classificação
das propriedades familiares.
Embora não sejam dados muito
recentes, esta é a única
estatística disponível
sobre a distribuição
agrária regional, sendo suficiente,
no entanto, para caracterizar como
familiar, o perfil da produção
agrícola da região.
Também é relevante
observar que o Vale do Paraíba
tem peculiaridades no que se refere
à questão ambiental,
que o coloca numa situação
diferenciada de outras regiões,
resguardando significativa parcela
da Mata Atlântica e um
ecossistema, que limita a produção
rural, na sua maior parte à
subsistência e, em menor proporção,
para o abastecimento regional.
Ressalte-se também dados
do Pronaf, segundos quais, a agricultura
familiar produz hoje 40% da riqueza
gerada no campo no Brasil, calculada
em R$ 57 bilhões: são
quatro milhões de agricultores
(84% dos estabelecimentos rurais
brasileiros) que vivem em pequenas
propriedades e produzem a maior
parte da comida que chega à
mesa dos brasileiros. Quase 70%
do feijão vêm da agricultura
familiar, assim como 84% da mandioca,
58% da produção de
suínos, 54% do leite bovino,
49% do milho e 40% das aves e ovos,
além de ser um importante
instrumento para manter os trabalhadores
no campo.
A realidade do meio rural, no caso
valeparaibano, contrasta com a evolução
dos demais setores da economia regional,
impulsionada pela indústria
automobilística e de autopeças
que se instalou nos municípios
de São José dos Campos
e Taubaté, pelos empreendimentos
de alta tecnologia, sobretudo no
setor de aeronáutica, representada
pela Empresa Brasileira de Aeronáutica
(Embraer), também em São
José dos Campos e por outros
ramos industriais instalados no
parque regional, como a reciclagem
de alumínio, centrada em
Pindamonhangaba - já reconhecida
como a capital nacional de reciclagem
- e a indústria química,
sobressaindo-se a Basf, multinacional
alemã localizada em
Guaratinguetá.
O processo de industrialização
do Vale do Paraíba, impulsionado
inicialmente pelas vantagens da
localização e, posteriormente,
por políticas municipais
de incentivo, também tem
atraído um montante significativo
de investimentos e impactado diretamente
o setor de serviços, criando
oportunidades para iniciativas voltadas
para o lazer e entretenimento. Os
negócios desse segmento prosperam
à medida que as indústrias
passam a ocupar
significativamente a mão
de obra regional, gerando um padrão
razoável de renda, e proporcionando
maior demanda por atividades que
ocupem o tempo ocioso do trabalhador,
por conta da modernização
dos processos produtivos e da evolução
das relações trabalhistas,
como a redução da
jornada.
2
- O acervo cultural valeparaibano
3
- Agricultura familiar, multifuncionalidade
e turismo rural
4
- Conclusão
5
- Bibliografia
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