|
Francisco
Sodero Toledo
Balanço
Final
As
breves reflexões sobre o
Convênio do Café, neste
tempo em que é celebrado
o seu centenário, permitem
extrair algumas conclusões.
O acordo firmado pelos membros da
oligarquia agrária cafeeira
tratou de defender o produto de
maior importância para a economia
do país, estabelecendo uma
política de valorização,
eivada de erros e contradições.
Na prática estimulou o aumento
da produção, a não
diversificação da
produção agrícola,
não provocou a erradicação
de cafeeiros anti-econômicos,
menosprezou a concorrência,
obrigou o governo republicano a
emissões inflacionárias
e contrair vultosos empréstimos.
Como afirmou Amaral Lapa; “
a estratégia da valorização
(defesa através da valorização”)...foi
inoperante” (Amaral Lapa,
1986,105)
O mesmo pode-se atribuir quanto
à sua repercussão
em nível da região
do Vale do Paraíba Paulista.
Taubaté serviu como palco
do acontecimento. A região
como cenário, preenchendo
mais uma vez a função
histórica de “região
de passagem”, dinamizada pelas
diretrizes estabelecidas além
de seu território. As medidas
tomadas não foram suficientemente
capazes de trazer novo alento ao
cenário de decadência
da área das garupas. Serviu
para reforçar o conservadorismo
ali existente. Nos municípios
localizados ao longo da bacia banhada
pelo Rio Paraíba do Sul a
decadência da cafeeicultura
contribuiu para promover a busca
de novas atividades econômicas.
A garantia de preços do café
continuou gerando capitais que serviram
para reforçar o processo
de modernização. Processo
este que teve início na etapa
anterior à assinatura do
convênio, ao final do século
XIX, com o advento da ferrovia,
a abolição da escravatura,
a entrada de imigrantes e a instalação
das primeiras indústrias.
Faltou investigar qual foi e como
se deu a participação
dos cafeeicultores da região
neste contexto. Quais os interesses
em jogo e como foram manifestados
desde o início da crise da
superprodução e no
decorrer das primeiras décadas
do século XX. Questões
que não foram levantadas
neste breve estudo, mas que mereceriam
melhor atenção, tomando-se
como base várias fontes históricas,
especialmente os jornais da época.
Fica a sugestão para a realização
de novos e interessantes estudos
que possibilitem mover-se em direção
a grupos particulares, em locais
e períodos específicos,
contribuindo, como é a intenção
deste artigo, para a compreensão
mais larga e aprofundada deste importante
fato da História do Brasil
e regional: o Convênio de
Taubaté.
Referências
Bibliográficas
|