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Francisco
Sodero Toledo
Em
fevereiro de 1906 a cidade de Taubaté
serviu de palco para um acontecimento
de alcance nacional: a assinatura
do “Convênio de Taubaté”.
No sobrado de D. Leopoldina, o maior
e mais imponente exemplar construído
na cidade, símbolo do poder
e prestígio trazido pela
produção do café,
estavam reunidos os representantes
dos três maiores Estados produtores
de café do Brasil. Os Presidentes
Jorge Tibiriça, de São
Paulo, Nilo Peçanha, do Rio
de Janeiro e Francisco Salles, de
Minas Gerais, signatários
do Convênio e demais representantes
da elite política e cafeeicultores
interessados em estabelecer uma
política de valorização
do produto. Estavam presentes também
representantes do Presidente Rodrigues
Alves, o político de maior
expressão da região
do Vale do Paraíba, nascido
na cidade de Guaratinguetá.
A reunião teve início
no dia 25 e foi concluída
com a assinatura do Convênio
na madrugada do dia 26. O objetivo
básico do acordo era estabelecer
uma política que conseguisse
por fim à crise pela qual
passava a cafeeicultura no país,
procurando valorizar o produto,
regular o seu comércio, promover
o aumento do seu consumo e criar
a “Caixa de Convenção”,
fixando o valor da moeda. Para tanto,
os objetivos assumidos diziam respeito
à compra de excedentes pelo
governo para estabelecer o equilíbrio
entre a oferta e a demanda; o financiamento
dessas compras por empréstimos
de bancos estrangeiros; o pagamento
do serviço desses empréstimos
por meio da cobrança de um
novo imposto sobre a exportação
do café; e a adoção
de medidas destinadas a desencorajar
a expansão das plantações.
O sobrado que havia pertencido ao
Comendador Francisco Gomes Varela,
e depois a sua viúva, Maria
Leopoldina Marcondes Varela, que
sediava na época a Prefeitura
e a Câmara Municipal, localizado
nas esquinas da rua Visconde do
Rio Branco com o “Largo do
Pilar”, já não
existe mais. Foi demolido em 1939.
O antigo “Largo do Pilar”
passou, desde aquela época,
a ser denominado de “Praça
do Convênio”.
O texto a seguir pretende fazer
um balanço deste Convênio,
apontar e analisar as repercussões
para a região do Vale do
Paraíba Paulista, área
pioneira na produção
de café no Estado de São
Paulo, marcado pelo Rio Paraíba
do Sul e pelas Serras do Mar e da
Mantiqueira, cenário de grandes
acontecimentos da História
do Brasil.
PALACETE
DE D. LEOPOLDINA
Local da assinatura do Convênio
de Taubaté em 26/02/1906
Foto do acervo do DMPAH de Taubaté
Parte
II - O Café e a economia
Brasileira
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