|
Antônio de Andrade
O
feriado de 9 de julho, para o povo
paulista, é uma ocasião
para lembrar dos valores de liberdade,
democracia e respeito à Constituição.
Esses foram os ideais que levaram
São Paulo a fazer a Revolução
Constitucionalista de 1932 contra
o Governo Provisório de Getulio
Vargas, que dirigia o país
como bem entendia, sem respeito
à Constituição,
à liberdade e à democracia.
Nessa lembrança dos ideais
que motivaram seus ancestrais, pais
ou avós, a lutarem por um
país melhor, com democracia
e respeito às leis estabelecidas
é provável que muitos
paulistas (e brasileiros de outros
Estados) façam uma comparação
com o Brasil de hoje, pois são
encontradas situações
semelhantes como as que ocorreram
em 1932, parecendo que a "História
está se repetindo".
Como em 1932, no Brasil de hoje
há um mal-estar nas pessoas,
ocorrendo um sentimento cívico
de vazio, de indignação,
de revolta e repugnância em
relação à muita
coisa que tem ocorrido no país.
Na atualidade esse sentimento é
em relação aos escândalos
do mau uso ou gatunagem do dinheiro
público, as notícias
de corrupção, e as
ações tanto executivas
quanto legislativas que parecem
não levar em conta o bem
estar do povo e do país.
E o povo passa a ser usado apenas
como marionete, e no fim de tudo
é ele quem paga as contas
de planejamentos falhos e outras
ações, seja da crise
de energia, dos impostos disfarçados,
como o da CPMF, que era para a saúde
mas é usado para outros fins,
o aumento do IOF e tantos outros
fatos que a imprensa noticia.
Em 1932 o povo foi perdendo a paciência
com os desmandos de um governo comandado
por Getulio Vargas, um governo que
de início era provisório,
mas parecia querer se perpetuar
no poder, adiando as mudanças
necessárias, como a elaboração
de uma nova Constituição.
Hoje as notícias da imprensa,
demonstram que também ocorre
um adiamento, para qualquer dia,
protelando-se as reformas necessárias
para o país, tributária,
de distribuição de
renda, de desenvolvimento de empregos,
etc., e esse jogo de empurra para
algum dia, é feito, conforme
as notícias publicadas diariamente,
porque gasta-se a maior parte do
tempo em briguinhas políticas
entre os que deveriam estar trabalhando
para essas reformas, paralisando
as votações e os trabalhos
legislativos e ocupando o tempo
do executivo para manter a maioria
dos políticos favoráveis
a ele. Basta ligar a TV, ouvir rádios
ou ler os jornais e revistas para
se constatar os fatos que levam
a essa conclusão. Você,
certamente irá lembrar de
muitos fatos que tem presenciado
pela imprensa, provocando em você,
e muitas outras pessoas, um sentimento
de revolta, de indignação
e repugnância por tudo isso
que tem sabido.
No passado os políticos lutavam
por poder, no exemplo da "Política
café com leite" que
existia desde o Império até
1932. Na atualidade, é difícil
achar algum político que
demonstre lutar pela melhoria da
cidade onde vive, pelo Estado ou
pelo Brasil, já que um grande
número de políticos
continua, como no passado, a lutar
por poder, cada vez mais. Um bom
exemplo dessa luta pelo poder é
a busca de coalizões partidárias
que se vê entre os Partidos,
dentro de um sistema político
de maiorias que existe no Brasil
de hoje, visando geralmente a um
Partido ter mais poder do que outros.
Essa busca pelo poder leva, por
exemplo, muitos políticos
a mudarem constantemente de Partido.
Os vários escândalos
e corrupções que os
meios de comunicação
revelam indicam que o objetivo desses
maus políticos e de outras
pessoas em cargos importantes que
estão envolvidos nesses escândalos,
não é de lutar pelo
bem geral do povo e melhoria do
país, como seria o ideal
democrático, mas "o
levar vantagem" do cargo ou
posição que ocupam.
Felizmente ainda são encontrados
políticos, e pessoas em cargos
importantes que lutam pelos ideais
e objetivos para o qual foram eleitos
ou os objetivos dos cargos que ocupam.
Quando se pensa nos ideais de um
país melhor que fez o povo
paulista lutar em 1932, fica-se
a refletir se os ensinamentos da
História não foram
assimilados pelos políticos
brasileiros de hoje, eleitos para,
em benefício do povo, governar
os municípios, os Estados
ou o país. É provável
que muitos poucos políticos
brasileiros aprenderam os ensinamentos
históricos! E essa constatação
mostra que alguma "revolução"
precisa ser feita pelo povo, afinal
o verdadeiro poder está nas
mãos do povo.
Mas uma "revolução"
sem pegar em armas como foi feito
em 1932, mas pegar em outro tipo
de "armas" para dizer
um basta aos maus brasileiros que
estão em cargos políticos,
podendo por exemplo, com um VOTO
MAIS CONSCIENTE e mais responsável
nas épocas de eleição,
retirar aqueles maus políticos
que existirem no cenário
municipal, Estadual ou no nacional
ou reelegendo aqueles que realmente
demonstram com suas ações
patrióticas que lutam para
o bem do município, do Estado
e do país. Outras "revoluções"
precisam ocorrer, como as reformas
do sistema judiciário, do
atual sistema político, do
sistema tributário no qual
não só o povo tenha
que pagar impostos para sustentar
os políticos e governo em
seus vários níveis,
mas em especial também aqueles
que deveriam pagar impostos e não
pagam, por exemplo, os Bancos que
nada pagam conforme foi revelado
certa vez por um alto membro do
governo. E são necessárias
muitas outras "revoluções",
mudanças que o Congresso
Nacional, as Assembléias
Estaduais e as Câmaras Municipais
e os políticos que foram
eleitos para os diversos cargos
federal, estadual ou municipal,
podem e devem realizar se esses
brasileiros cumprirem a finalidade
para o qual foram eleitos pelo povo,
se houver desejo de realmente se
lutar pela melhoria do município,
do Estado e do país. Mudanças
que realmente tragam mais democracia
social, mais condições
econômicas e de emprego para
o povo, diminuindo as gritantes
desigualdades existentes no país,
em especial as concentrações
de renda nas mãos de poucos.
Nessas "revoluções"
necessárias, modificando
o que precisa ser modificado, é
preciso que cada pessoa, inclusive
você leitor, faça a
sua parte, bem feita, dentro do
seu âmbito de ação,
seja no lar, na escola, nas universidades,
nas empresas, no comércio,
no âmbito das sociedades civis,
militares ou governamentais. Apesar
da onda de notícias sobre
corrupções descobertas
e dos escândalos, gerando
um estado emocional coletivo de
repugnância podemos, como
pessoas e como sociedade, voltarmos
a possuir certos valores positivos
e saudáveis, individuais
e coletivos. Vai depender somente
da vontade de cada um, e coletivamente,
da vontade geral da sociedade. As
mudanças são possíveis
de serem alcançadas e assim,
se cada pessoa em seu âmbito
de ação, realizar
as ações que forem
necessárias para as mudanças,
nunca mais o povo, paulista e em
sentido geral, o povo brasileiro
irá precisar "pegar
em armas" como ocorreu em 1932,
para trazer melhorias para o Brasil.
|