| O
feriado paulista do dia 9 de julho
é uma data na qual é
relembrada a Revolução
Constitucionalista de 1932 feita
contra o Governo "Provisório"
de Getulio Vargas. Os paulistas
lutaram com o objetivo de trazer
a normalidade constitucional ao
país. Iniciada a 9 de julho,
a Revolução foi encerrada
3 meses depois, a 2 de outubro de
1932. O 9 de julho é um dia
para cultuar a memória dos
135 mil soldados e voluntários
paulistas (e de outros Estados)
que com bravura lutaram nas trincheiras
do Vale do Paraíba e outras
fronteiras de São Paulo,
nos vales, nos morros, nos túneis
e em especial, os 830 combatentes
que tombaram mortalmente, dando
a sua vida e o seu sangue, pelos
ideais democráticos e por
um Brasil melhor.
Quando a História do Brasil
é examinada com atenção,
descobre-se que em todos os momentos
históricos existiram homens
e mulheres que saíram da
rotina da vida que levavam e despertaram
para algo maior, agindo para o bem
da coletividade e do país
onde viviam, chegando muitos a darem
a própria vida pelos ideais
que os levou à luta.
Homens
e mulheres que conseguiram superar
os medos da dor, da perda, do fracasso,
da doença, do cansaço,
do cárcere, do desterro,
dos tormentos e torturas de seus
inimigos. Superaram até o
medo da morte e colocaram à
prova as suas características
pessoais, em especial o seu caráter,
a coragem e o amor pelo Brasil e
enfrentaram com determinação
os acontecimentos históricos
que viveram. Parece que tinham eliminado
de seus vocabulários a palavra
impossível e assim sentiram-se
fortes o suficiente para perseguirem
os ideais e os sonhos que os levavam
à luta.
Pouco se importaram com o sofrimento
que, certamente, a luta que encetaram
lhes traria, pois tinham fé
num futuro melhor para o Brasil.
Vislumbraram um país no porvir,
um país livre, democrático,
uma nação brasileira.
E esse destino de cada um elevou-os
como homens e como mulheres especiais
na História do Brasil.
Essas pessoas são os heróis
brasileiros. A História registrou
muitos deles como heróis
ou heroínas, pelas suas ações
consideradas heróicas pelos
historiadores que registraram os
fatos ou analisaram posteriormente
esses fatos históricos. Mas,
com certeza, na história
da formação e desenvolvimento
do Brasil como nação,
é lógico concluir
que muitos, mas muitos cidadãos
anônimos contribuíram
com suas ações e suas
vidas, para que o Brasil chegasse
ao que é hoje, um grande
país, uma nação
verde-amarela. Essas pessoas, anônimas
ou não, em sua maioria, não
são cultuadas pela História
como heróis. E como seria
benéfico para despertar a
cidadania do povo se houvesse um
dia para cultuar os heróis
e heroinas brasileiros.

Em um feriado paulista como o dia
9 de julho, ao cultuar a memória
dos que lutaram nesse que foi o
maior conflito militar e movimento
revolucionário do Brasil
no século 20, fica-se com
um sentimento cívico de vazio
ao refletir que o Brasil não
tem o costume de cultuar os seus
heróis, com raras exceções.
E junto a esse vazio encontra-se
outro sentimento de alegria ao se
constatar um fato marcante: muitos
dos combatentes de 1932, foram à
luta por ideais democráticos,
sem exigir nada em troca. Parece
que estavam dando uma resposta àquela
famosa frase do presidente americano
John Kennedy quando ele disse, anos
depois de 32: "Não pergunte
o que o seu país pode fazer
por você, mas o que você
está fazendo pelo seu país."
Os bravos paulistas de 1932, homens
e mulheres, 135 mil soldados ou
voluntários, fizeram a sua
parte pelo Brasil naquela época.
Cada um que lutou, independente
se nas trincheiras, nos combates
nos túneis, nos morros e
nos vales, ou nas ações
de planejamento estratégico
e logística militar, ou nas
ações de apoio e retaguarda,
como as mulheres que preparavam
a alimentação ou atendiam
aos feridos, todos, sem exceção,
foram heróis, pelas suas
ações de idealismo,
de coragem e de luta por um Brasil
melhor. Muitos foram os heróis,
mas na impossibilidade de se homenagear
a todos, em nome de todos eles,
são lembrados alguns deles.
Primeiramente Paulo Virgínio.
Morador do sertão de Cunha,
foi aprisionado por tropa de fuzileiros
navais que se dirigiam para atacar
a cidade. Interrogado sobre a localização
das tropas paulistas, mesmo sob
tortura ele se negou a falar. E
antes de ser fuzilado, depois de
ser obrigado a cavar a própria
sepultura, ele gritou: - "São
Paulo vence!" Paulo Virgínio
perdeu a vida mas entrou na História
como o herói de Cunha e da
Revolução de 32. Em
sua memória e de seu heroísmo,
há um monumento na entrada
da cidade de Cunha, na estrada para
Paraty e essa rodovia que liga as
cidades de Guaratinguetá-Cunha-Paraty
recebeu o seu nome.
Outros nomes de heróis da
Revolução de 1932,
são os dos primeiros mártires
que tombaram mortalmente com os
primeiros tiros disparados, dias
antes do 9 de julho. Na madrugada
de 24 de maio, o povo paulista protestava
contra a visita do representante
de Getulio à cidade, o ministro
Osvaldo Aranha, e entrou em confronto
na esquina da Rua Barão de
Itapetininga com a praça
da República, com os partidários
de Getulio Vargas, os membros da
Legião Revolucionária
e do Partido Popular Paulista. Nesse
confronto, com muitos tiros de fuzil,
de submetralhadora e revólveres,
são atingidos mortalmente
Euclides Bueno Miragaia, Antonio
Américo de Camargo Andrade,
Dráusio Marcondes de Souza
e Mário Martins de Almeida,
este último gravemente ferido,
morreu ao chegar ao hospital. As
iniciais dos nomes destes quatro
primeiros mártires formaram
a sigla MMDC (Martins, Miragaia,
Dráusio e Camargo), a organização
que cuidou, durante a Revolução,
da direção geral do
abastecimento, da intendência,
das finanças, da engenharia,
da saúde, do correio militar
e da mobilização de
outros serviços e, após
o término da Revolução,
foi adotada pela Sociedade Veteranos
de 1932-M.M.D.C.
Esses são apenas cinco nomes
de heróis não somente
paulistas, mas heróis brasileiros,
pois deram as suas vidas pelos ideais
de um Brasil melhor. E a lembrança
de seus nomes e de tantos outros
precisa repercutir através
dos tempos por todo o país,
não ficando esquecidos para
os brasileiros da atualidade os
feitos daqueles que fizeram tudo
para que houvesse, nos tempos atuais,
uma nação verde-amarela
melhor. As ações e
vidas desses e de tantos outros
brasileiros do passado contribuíram
para uma nação melhor
no presente.Os nomes e os restos
mortais dos mártires e dos
heróis de 1932 estão
no Monumento Mausoléu ao
Soldado Constitucionalista, no Parque
do Ibirapuera na capital paulista,
com seu obelisco de 77 metros. Assim,
está perpetuada para outras
gerações a história
de 1932 e de pessoas que derramaram
o próprio sangue em defesa
de idéias e de ideais, de
princípios em prol de um
Brasil melhor.
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E
os jovens, ao constatarem
os fatos de 1932, certamente
não irão derramar
sangue, como muitos jovens
derramaram em 1932, mas lágrimas,
pois irão sentir-se
orgulhosos dos bravos e heróicos
brasileiros. E poderão
então dizer com orgulho,
numa linguagem globalizada
de hoje: - Yes, o Brasil tem
heróis! |
*
Antonio de Andrade,
de Lorena, SP, escreveu "1932
- Os deuses estavam com sede",
um romance histórico ambientado
na Revolução de 1932.
Seus livros e artigos são
encontrados pelo site www.editora-opcao.com.br
Veja, em especial, outros artigos
sobre 1932: "Viagem no tempo
para entender 1932" e "1932
e o Brasil de hoje: as Revoluções
necessárias".
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