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DEFESA
E MELHORIA DO PATRIMÔNIO AMBIENTAL
“ Um breve olhar para o Vale
do Paraíba é o suficiente
para experienciar um ato histórico
constituído por “históricos”
pares
de opostos ( sociedade urbana-industrial
e ambientes naturais),
com tendência ao diálogo
( estabelecimento de uma relação
sócio-
ambiental sustentável)...
de forma que uma nova história
possa ser
escrita através dos pares
iguais ( potencial natural-humano).”
Paulo Sena.
No Vale do Paraíba, a partir
da invasão e colonização
européia, têm início
o processo de exploração
da terra e do homem em benefício
do sistema econômico capitalista.
Foi, no entanto, com a introdução
do capitalismo agrário na
região, a partir do final
do século XVIII, que os efeitos
da degradação ambiental
ficaram mais evidentes. Ocorreu
um processo de desmatamento intensivo
buscando ampliar a área do
plantio de cafezais, utilizar a
madeira nas construções
e como fonte de energia para o uso
domésticos e, posteriormente,
como combustível para movimentar
as locomotivas. No século
XX as pastagens devastadas e improdutivas
tornaram-se o cenário. Os
“morros pelados” substituem
as verdejantes e extensas florestas
nativas. Nos últimos 50 anos,
com o crescimento urbano acelerado
e desordenado, acompanhado da multiplicidade
das atividades industriais com seus
poluentes, ocorrem inúmeros
efeitos negativos no espaço
ambiental da região valeparaibana.
Fica evidente a associação
entre o desmatamento e a pobreza.
Como afirma Sebastião Salgado,
“ Miséria e devastação
geralmente andam juntas. Onde a
miséria é a tragédia,
a devastação costuma
ser o cenário”. E conclui,
depois de constatar semelhante situação
em vários lugares do mundo,
onde predominou esta ótica
capitalista de exploração
do território: “ A
paisagem que toma lugar na floresta,
além de economicamente improdutiva,
é muito feia.” ( Sebastião
Salgado, A Outra Globalização,
p. 11).
Mas, felismente, cresce em todo
o planeta o número de pessoas
engajadas em movimentos descentralizados,
de significaticva penetração
na consciência coletiva humana.
Tratam-se dos ambientalistas, que
por intermédio de ações
coletivas, tanto em discurso como
pela prática, agem no sentido
de corrigir formas destrutivas de
relacionamento entre o homem e seu
ambiente natural, contrariando a
lógica estrutural e institucional
atualmente dominante.
Como problemas ambientais e humanos
são indissociáveis
torna-se necessário haver
uma permanente mobilização
das comunidades locais em defesa
do seu espaço natural. Uma
das estratégias adotadas,
têm sido a da criação
de “ reservas” de áreas
de preservação ambiental.
Iniciativas oriundas da ação
de ambientalistas e por parte de
órgãos governamentais.
Como resultado temos as nossas reservas
ecológicas, as áreas
de proteção ambiental
e os parques nacionais. No entanto,
é preciso que este processo
crie condições de
participação e engajamento
de vários segmentos sociais
que possam formular princípios
e desenvolver práticas que
possam vir a garantir a melhoria
das condições naturais
e sociais da região.
Enfim, precisamos criar projetos
e implantar programas que envolvam
as comunidades para adquirir, preservar
e utilizar os seus recursos naturais
de forma sustentável, a fim
de melhor atender as necessidades
presentes e futuras. Para desenvolver
este estado de comprometimento das
comunidades preservacionistas, “
é necessário um processo
de organização de
valores e desenvolvimento de atitudes
sociais e culturais, que promovam
relações sustentáveis
entre o componente social e o natural,
propondo o uso de recursos naturais
como fundamentação
para o desenvolvimento sustentável.”
( Paulo Sena, 1999, p.84)
A projeção de desenvolvimento
sustentável, com respeito
aos homens e a natureza na defesa
da saúde e do bem estar dos
indivíduos alí residentes,
se apresenta como forma de resistência
às várias formas de
dominação e de exploração
desenvolvidas ao longo destes 500
anos de Brasil.
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