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Características
Sócio-Culturais
O processo histórico regional,
em função da colonização
imposta por centros dominantes,
apresenta certa semelhança
com outras regiões do país.
Mas como sabemos a identidade é
algo historicamnte construída.
Neste sentido, podemos apontar algumas
especificidades do homem e da sociedade
valeparaibana. Algumas características
são bem visíveis:
o conservadorismo, a não
participação popular
e os efeitos negativos da modernização.
A aversão às mudanças
e às transformações
sociais tem sido um traço
permante na ação do
homem e nas atividades sociais no
Vale do Paraíba. O caráter
conservador pode ser observado com
clareza, em tempos e locais diferentes,
sob diverssa formas. O caráter
conservador encontra-se presente
em nossa sociedade. Um dos desafios
do presente é o de ultrapassar
os obstáculos oriundos do
conservadorismo, respeitando as
tradições mais autênticas
da região.
Por outro lado, o processo histórico
regional foi responsável
pela geração de uma
sociedade composta por um elite
agrária, escravocrata, detentora
de capital convivendo lado a lado
com os escravos e marginalizados
da sociedade. Neste quadro ampliaram-se
as relações de dependência,
quer da elite para com os quadros
de poder externo à região,
quer da populaçao local em
relação aos seus dirigentes.
Tanto na zona rural, como na urbana,
o domínio esteve por longo
tempo nas mãos dos coronéis,
a nível local e das oligarquias,
nas esferas superiores.
O tipo humano popular gerado nestas
circunstâncias é o
“João Teodoro”,
maravilhosamente descrito por Monteiro
Lobato, em “ Um homem de Consciência”:
“Chamava-se João Teodoro,
só. O mais pacato e modesto
dos homens. Honestísssimo
e lealíssimo, com um defeito
apenas: não dar o mínimo
valor a si próprio. Para
João Teodoro, a coisa de
menos importância no mundo
era João Teodoro... Um dia,
João Teodoro foi nomeado
delegado, cargo importantíssimo
na cidade e caiu em meditação
profunda. No outro dia, de madrugada,
colocou as malas num buro, montou
em seu cavalo magro e partiu. Perguntaram
para onde ia tão cedo de
armas e bagagens; prontamente respondeu
que ia embora. Mas como ? Agora
que está delegado? –
justamente por isso. Terra em que
João Teodoro chega a delegado,
eu não moro. Adeus. ( Monteiro
Lobato, Cidades Mortas, 111)
Conservadorismo e modernização
formam os dois vértices propulsores
do processo de alienação
cultural na região. São
fatores sócio culturais que
funcionam como castradores das tentativas
de transformações
sociais e do encontro do homem consigo
mesmo.
O Vale do Paraíba começou
a modernizar-se no início
do século XIX. Na época,
devido à sua posição
geográfica, foi transformado
em região importante face
o desenvolvimento da economia cafeeira,
participando ativamente dos fatos
marcantes da história nacional.
Dos grandes centros industriais
que decidiam os destinos do planeta,
o Vale recebia, via cidades de São
Paulo e Rio de Janeiro, estímulos
que influenciavam sua organização
social. Os mais abastados setores
da população procuravam
imitar os costumes estrangeiros.
Aplaudiam as companhias de teatro
francesas que se apresentavam, com
peças dirigidas por diretores
e encenadas por atores franceses,
faladas em suas línguas de
origem, para um público restrito,
composto pela intelectualidade local
e pelos recém egressos da
zona rural que, muitas vezes, mal
haviam aprendido as primeiras letras.
Este processo foi acelerado a partir
do final do século XIX com
o desenvolvimento da industrialização,
da urbanização, com
a instalação da ferrovia
e de modernas rodovias, e pelo avanço
dos meios de comunicação.
O rádio e a televisão
contribuíram para passar
valores, idéias e modismos
logo assimilados pela população.
A modernização conservadora
manteve a nossa condição
de dependência e de subdensenvovimento
econômico, somado a alienação
cultural.
O desafio no presente consiste em
estimular a participação
popular, por meio de movimentos
sociais organizados, com iniciativas
que brotem no seio das comunidades
locais, estendendo-se a nível
regional. Ampliar a voluntariedade
por meio do desenvolvimento do terceiro
setor. ´E preciso que os homens
acreditem no seu potencial. Pois,
como afirma Gabriel Garcia Marquez,
“ As coisas têm vida
propria, tudo é questão
de despertar sua alma”.
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