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A
valorização do homem
A sociedade valeparaibana apresenta
uma grande diversidade étinica-cultural.
Ela é o resultado do processo
histórico, marcado pela estrutura
de dependência de outros centros
e pela exploração
da terra e do homem.
Diversos povos e raças vem
se interagindo neste território.
Primitivamento os povos indígenas.
Foram os tupis, tamoios, guaianases,
puris, etc., que habitaram esta
região. Pouco sabvemos de
sua cultura, pois são raras
as pesquisas arqueológicas
desenvolvidas capazes de fornecer
um quadro mais detalhado da organização
destas sociedades pré-cabralinas.
As notícias que temos, na
sua maioria, foram deixadas pelos
viajantes europeus, repletos de
informações preciosas,
porém, carregadas de preconceitos,
dada a missão civilizatória
que estavam imbuídos.
A partir do século XVI chegaram
os portugueses. Vieram para a ocupação,
conquista e colonização
do território. Trouxeram
seus usos e costumes e impuseram
sua cultura na região. Como
nas entradas e bandeiras realizadas
predominavam o elemento do sexo
masculino, o cruzamento destes com
as índias foi sendo realizado
de forma expontânea. Logo
ocorreu um forte processo de miscigenação.
O resultado foi o aparecimento de
grande número de mestiços,
os mamelucos. Hoje, representados
nas figuras dos caiçaras,
no litoral norte, do caipira e do
piraquara no Vale do Paraíba.
Por esta razão o homem valeparaibano
é um repositório de
ancestralidade índia. Pesquisas
recentes realizadas na área
genética demonstram que somos
hoje muito mais índios do
que posssamos imaginar. Pois da
população branca encontrada
na região, encontramos 98%
de sua linhagem paterna provenientes
dos cromossomas Y de ancestrais
brancos europeus. Mas, na linguagem
materna, 33% têm origem indígena
e 28% africana. Portanto, do ponto
de vista genético, temos
nossas origens na oca e na senzala.
A partir do final do século
XVIII, com o esgotamento da extração
do ouro e de metais preciosos em
Minas Gerais, houve a busca de novas
atividades econômicas, introduzindo-se
no Vale do Paraíba a produção
de açúcar, logo suplantada
pela produção do café.
Com essas novas atividades impôs-se
o modelo colonial de produção,
com base na monocultura, na dependência
ddo mercado externo e na mão
de obra escrava. O escravismo colonial
se assenta no Vale. Numerosos grupos
de negros começam a chegar
na região para trabalhar
no sistema monocultor. De início,
são deslocados de outras
regiões em decadência,
onde figuravam como mão de
obra sub-utilizada. Na medida em
que a produção cafeeira
se alastrou por todo o Vale, passou-se
a importar escravos da África.
Morando em senzala, tiveram que
se adaptar às normas do sistema
produtivo e à cultura branca
dominante. Do cruzamento, especialmente
de brancos com negras, resultou
a presença dos mulatos, ampliando
assim a diversidade cultural já
existente.
Na Segunda metade do século
XIX, com a proibição
do tráfico negreiro em 1.850,
com o crescimento do movimento abolicionista
que culmina com a abolição
da escravatura em 1888, ocorre a
falta de braços para a lavoura
cafeeira que entra em crise. A saída
encontrada foi a de incentivar a
imigração. Como resultado,
em toda a Província de São
Paulo e na região do Vale
do Paraíba começaram
a chegar levas de imigrantes. Foram
constituídas colônias
italianas em Quiririm, Canas, Jacareí
e no Piagui, em Guaratinguetá.
Vieram também espanhóis,
alemães, portugueses e sírio-libaneses,
estes se estabelecendo principalmente
na cidade de Aparecida, onde passaram
a se dedicar ao comércio.
Depois vieram, em menor número,
os japoneses e povos de outras nacionalidades.
A partir da segunda metade do século
XX, atraídos pela industrialização
e pelo avanço tecnológico,
continuaram a vir pessoas de várias
nacionalidades, aumentando a complexidade
racial e cultural da região.
Somam-se aos imigrantes a forte
presença de migrantes de
várias regiões do
país. Destaque para os mineiros
que para cá afluiram em três
momentos distintos.:
. no final do século XVIII
e início do século
XIX, tendo se deslocado para trabalhar
na terra, constituindo-se nos primeiros
produtores de café;
. nos anos 20 e 30 do século
XX, comprando antigas fazendas de
café e introduzindo a pecuária
leiteira;
. a partir da segunda metade do
século XX, para trabalhar
nas indústrias que estavam
se estabelecendo na região.
As diferenças étinicas
e culturais decorrentes constituem,
em nossos dias, traço marcante
e importante na sociedade regional.
O respeito, a compreensão
e a tolerância devem estar
sempre presente em qualquer planejamento
regional, frente a esta dinâmica
e influente diversidade existente.
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