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O
Resgate Histórico - O Vale
Rural Conservador
Por conservadorismo se entende a
aversão às mudanças
e às transformações
sociais. Este tem sido um traço
permanente nas manifestações
humanas e nas atividades sociais
regionais, desde o início
do século XIX.
Sua origem está ligada à
implantação do capitalismo
agrário na região,
com os engenhos de açúcar
( entre 1770 a 1780) e com a introdução
das fazendas de café a partir
do início do século
XIX. A lavoura canavieira foi introduzida
pela necessidade de se encontrar
uma nova fonte econômica devido
ao declínio da atividade
mineradora. Com ela, implanta-se
o capitalismo agrário e se
impõem ao Vale do Paraíba
o modelo clássico do modo
de produção colonial,
com base no latifúndio monocultor,
na mão de obra escrava e
na produção voltada
para o mercado externo.
Desde então, brancos pobres,
índios aldeados, mamelucos,
negros e mulatos compõem
a população, que vive
sob a hegemonia da elite branca
proprietária de terras e
de escravos. Neste contexto é
necessário considerar o fato
da derrota dos liberais e dos seus
ideais durante o Movimento Liberal
de 1842. Com a vitória dos
conservadores, eles passam a impor
sua hegemonia política e
sócio-cultural, fazendo com
que a região mantivesse seu
caráter rural-tradicional,
tornando-se também conservadora.
O caráter conservador do
homem e da sociedade valeparaibana
pode ser observado com clareza,
em tempos e lugares diferentes,
sob diversas formas e manifestações,
como a tendência ao “mesmismo”,
a aversão às mudanças,
o caráter rotineiro, a não
participação popular,
a desvalorização de
si próprio, a falta de iniciativa
pessoal e coletiva.
Durante o século XIX, com
a pujança da economia cafeeira,
merecem destaques o desenvolvimento
do estilo arquitetônico original
do café, denominado pelo
arquiteto Luis Saia como “estilo
de sobremesa”. É uma
das significativas manifestações
coletivas de capacidade de adaptação
e de criatividade da população
da época. Neste período
são mantidas as tradições
herdadas do período anterior,
como as festas religiosas, e surge
um novo tipo de catolicismo: o catolicismo
popular.
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