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O
Resgate Histórico - O Vale
Rural Tradicional
A região do Vale do Paraíba
é uma região rica
em tradições. Tradição
aqui entendida como o apego aos
usos e costumes antigos de uma comunidade
ou de um povo. São conhecimentos
e práticas resultantes de
fonte oral, de hábitos ou
de recordações reveladoras
da sabedoria popular. As festas
religiosas, o rico e variado artesanato
e a culinária regional são
expressões vivas das tradições
valeparaibanas.
Elas remotam ao período de
ocupação do espaço
regional pelos seus primeiros habitantes,
os diferentes povos indígenas,
seguido do processo de colonização
portuguesa, desde seu início,
no século XVII, até
a implantação do capitalismo
agrário, no último
quartel do século XVIII.
Neste tempo introduziu-se a lavoura
canavieira. Com esta nova atividade
econômica, introduz-se, em
grande número, outro elemento
humano que irá compor a sociedade
regional, os negros, utilizados
como mão de obra escrava
na grande lavoura.
O processo de conquista , ocupação
e povoamento do território
pelo colonizador português
teve início efetivo em 1628
com a concessão de sesmaria
a Jacques Felix. Em 5 de dezembro
de 1645 ergueu-se a Vila de São
Francisco das Chagas de Taubaté,
a qual transformou-se em centro
irradiador de povoamento da região.
Observa-se no seu nome e na sua
organização a presença
e a influência dos habitantes
de então: índios e
brancos. Nos nomes dos povoados
e vilas, formados no século
inicial da colonização,
combinavam-se o nome do santo padroeiro
originário da tradição
portuguesa e o nome indígena,
como o de São Francisco das
Chagas de Taubaté, Santo
Antônio de Guaratinguetá,
etc. .
Com a descoberta do ouro nas Minas
Gerais, por bandeirantes taubateanos,
o Vale do Paraíba viveu um
período de “euforia”(
entre 1694 a 1711). Nesta fase a
fiscalização, e, mais
do que isto, o controle do ouro
extraído das Gerais era feito
pela Vila de Taubaté, onde
fora instalada a Casa de Fundição
por parte da Coroa Portuguesa. A
partir de então a região
tornou-se um importante eixo de
circulação de pessoas
e de comércio. Situação
que se desfez, devido às
dificuldades ocorridas com o envio
de riquezas, via Parati, e pelos
extravios de ouro verificados, provocando
a abertura do “Caminho Novo
de Garcia Paes”, ( em 1711),
ligando a região mineradora
diretamente à cidade do Rio
de Janeiro. O movimento comercial
deslocou-se portanto para uma outra
região distante. A partir
de então o Vale do Paraíba
experimentou uma fase de isolamento.
Situação em que se
manteve por todo o século
XVIII. Uma situação
de marginalidade no contexto colonial.
A paisagem regional durante estes
primeiros séculos de colonização
portuguesa foi marcada pela presença
do Rio Paraíba do Sul, pelas
serras, pelos caminhos e pelas capelas
.
O Rio Paraíba do Sul funcionou
como um corredor, facilitando a
penetração e a fixação
do homem. Em suas proximidades foram
surgindo e evoluindo os principais
núcleos populacionais. Da
sua navegação nasceram
os portos, como o de Guaypacaré
que deu origem à cidade de
Lorena . Surgiu um tipo humano característico,
morador em suas margens, vivendo
da pesca, o Piraquara.
Os caminhos antigos permitiram transformar
a região em área de
passageme favoreceram o processo
de colonização da
região. Os mais importantes
foram: “ O caminho Velho de
Paraty”, ou Estrada Real,
que ligava o litoral às passagens
na serra da Mantiqueira; “O
Caminho Velho dos Paulistas”
que ligava a Vila São Paulo,
passando pelo Vale do Paraíba,
à região mineradora;
“vias transversais”,
ampliadas no século XVIII,
ligando o Vale ao litoral; e, o
“Caminho Novo da Piedade”,
inaugurado em 1780, ligando Lorena
à cidade do Rio de Janeiro.
Ao longo dos mesmos foram surgindo
e desenvolvendo-se numerosos ranchos
por onde passavam e pernoitavam
os viajantes, comerciantes e tropeiros.
As capelas, como escreve Hoonaert
: “na colonização
latino-americana em geral e brasileira
em particular, a construção
de igrejas e capelas tornou-se a
marca de conquista em dimensões
nunca alcançadas na história
anterior do cristianismo. A maioria
das construções religiosas
do período colonial não
obedeceram principalmente a considerações
de ordem pastoral, mas significaram
padrões de posse em nome
do Império e garantia de
domínio sobre índios,
franceses, holandeses, quilombolas...
Daí o excesso de construções
religiosas verificado.” (
Eduardo Hoonaert, 1974, p.33) Foram
elas que, no Vale do Paraíba,
desde o início da colonização,
compuseram a paisagem regional.
Uma tradição que se
estende desde a fundação
da Capela de Nossa Senhora da Escada,
em Guararema, em 1652, até
a construção, no século
XX, da Basílica Nacional
de Aparecida.
A sociedade regional, nestes primeiros
séculos, é acentuadamente
rural. Índios e brancos se
encontraram, se cruzaram, deixando
suas marcas e influências.
Nas poucas Vilas, freguesias e pequenos
povoados a grande parte das moradias
permaneciam fechadas durante a maior
parte do tempo. Constituiam-se em
locais de curta estadia, por ocasião
das viagens de negócios,
das festas populares e religiosas.
Na maior parte do tempo as pequenas
populações viviam
dispersar por um extenso território,
vivendo isoladas, procuraram encontrar
formas criativas de sobrevivência.
Nestes tempos tiveram origem as
festas religiosas , desenvolveu
a devoção mariana,
o misticismo sertanejo e o culto
dos santos das capelas e padroeiros
das Vilas. Estas manifestações
religiosas ligadas ao catolicismo
popular constituem, ainda hoje,
o berço das mais autênticas
tradições valeparaibanas.
Entre elas, destacam-se as tradicionais
festas religiosas do Divino Espírito
Santo de São Luís
do Paraitinga, a de São Benedito,
de Guaratinguetá, a de Nossa
Senhora Aparecida, a do Senhor Bom
Jesus , de Tremembé e a de
Nossa Senhora da Piedade , em Lorena.
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