Estudos
REGIONALIZAÇÃO E DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL
  
   


O Ponto de partida : o espaço-tempo-local

A redução do tempo e a complexidade crescente do espaço

As novas abordagens sobre o regional só foram possíveis graças ao novo e profícuo diálogo entre o espaço e o tempo. A tarefa para os estudiosos passa a ser o do tentar apreender aspectos da nova realidade.
Durante os anos 90 as tendências verificadas nas décadas anteriores se acen tuam. A aceleração dos meios de transportes e comunicação, a velocidade com que as informações são transmitidas via Internet, fizeram do computador uma verdadeira máquina do tempo. Com isto percebe-se que o tempo muda. As três dimensões do tempo, passado-presente-futuro, estão sendo reduzidas a uma única dimensão: a do presente. É o tempo real, único, unidimensional. O tempo real cria uma nova dimensão para se perceber o espaço, ou ainda, o tempo real corresponde a um outro espaço, o espaço virtual ou também chamado cyberespaço. Sobre este assunto são provocantes o estudos de Pierre Lévy e seus seguidores. Para ele, o espaço cibernético é um terreno onde está funcionando a humanidade hoje. É um novo espaço de interação humana que já tem uma importância enorme sobretudo no plano econômico e científico e, certamente, essa importância vai ampliar-se e vai estender-se a vários outros campos, como por exemplo na Pedagogia, Estética, Arte e Política. O espaço cibernético é a instauração de uma rede de todas as memórias informatizadas e de todos os computadores. Provoca novos tipos de interação que segundo Lévy, constituem “a emergência de uma inteligência coletiva”.( 5 ) Desta forma, o espaço cibernético está se tornando um lugar essencial, um futuro próximo de comunicação humana e de pensamento humano. Um novo espaço sócio-cultural, que mesmo sendo um espaço imaginário, não é desconetado da realidade. Ele aparece portanto, como um complexificador do real. Ao mergulhar no ambiente do ciberespaço o usuário vai experimentar uma espécie de “abolição do espaço”e circular num novo território global, onde as referências de lugar, de caminho que se percorre para se deslocar de um ponto a outro, modificam-se substancialmente, para não dizer, desaparecem. Agora as pessoas não precisam estar fisicamente presente para participar de uma rede de comunicação ou de discussão. O espaço público, localizado em um determinado território, cede lugar a uma partilha de informações de pessoas que se encontram conectados em algum ponto da rede.
No novo espaço virtual não existe distância entre o sujeito e seu objeto. Não há tempo como duração. Todo tempo é instante e assim ele é instantâneo. Tudo se torna contemporâneo, nada escapa ao presente. É a passagem do tempo duração para um tempo instantâneo. Isto provoca as dificuldades em parar para refletir, deter-se numa idéia , numa ação, deixar o tempo durar. Mas, de repente somos tomados a um sem número de informações, acontecimentos e compromissos que nos arrastam por meio de inúmeras realidades para uma cotidiano centrado na necessidade de priorizar as ações no presente.
Sendo assim a caracterização do espaço vem sofrendo transformações. Neste novo contexto, o regional passa a ser apreendido como algo constituído por experiências, por práticas e representações sociais, obedecendo a rítmos e dinâmicas próprias, às vezes até contraditórios. gerando diferentes formas de cultura inscritas nos diversos espaço-territórios, dando-lhe novo sentido e uma nova abrangência. Assim, depreende-se que as questões do mundo natural, do meio ambiente e do meio sócio-cultural estão contidas num mesmo espaço, devendo ser observadas e analisadas dentro do paradigma da unicidade. Pois, na realidade, os homens são parte integrantes do meio natural e social, onde vivem plenamente a sua cotidianidade. O conceito de espaço predominante é aquele que deve ser entendido como dialógico. Um campo de contradições, tensões, discordâncias mas ao mesmo tempo, favorecido por situações criativas, inventivas, construtivas, que devem por isto mesmo, estar fundamentadas no consenso dos seus habitantes.
Como resultado, de acordo com a Dra. Manuela Ramos Silva, “numa sociedade globalizada em que o tempo e o espaço se comprimem, o mundo todo torna-se um único lugar em que a aceleração e o montante dos contatos são absolutamente inevitáveis. Daí que o “globa”e o “local” não possam mais ser encarados pelos historiadores como duas entidades dicotômicas, separadas no tempo e no espaço, uma vez que ambos encontram-se inextricavelmente ligados”. ( Ramos Silva, 1998, p.17)





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