Estudos
REGIONALIZAÇÃO E DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL
  
   


O Ponto de partida : o espaço-tempo-local

O reconhecimento do regional

Seguindo esta linha de compreensão do espaço local-regional, percebe-se que o estudo do regional se fazia até então dirigido ao particular, ao específico. Ligado ao domínio do espaço físico-natural, apreendido como uma área geográfica particular, bem demarcada no espaço, dotada de características próprias. Uma área desprovida de autonomia política, e sim submissa, dependente dos centros hegemônicos, a nível nacional e internacional.
Com as mudanças de enfoque, abre-se nos meios acadêmicos a tendência da redescoberta do espaço regional associado a um novo paradigma, ao da análise sincrônica com ou em detrimento da análise diacrônica. Uma busca da compreensão do espaço em detrimento dos fenômenos inscritos na temporalidade. Passou a crescer a busca da compreensão e a valorização do tempo-local-regional. A partir da década de 70, cresceu o interesse renovado com relação à questão regional. Tanto a nível institucional de várias esferas governamentais, quanto pela proliferação de centros de estudos e de pesquisas exclusivamente dedicados à temática. Os trabalhos desenvolvidos procuravam desvendar fatos e dados esclarecedores da realidade regional, ampliando os conhecimento sobre as mesmas, procurando entender sua identidade e iluminar a compreensão das diversidades e das diferenças observadas no contexto de cada região. Foram desenvolvidos trabalhos de pesquisas procurando apreender as características próprias de cada região, apontando a sua singularidade no contexto nacional. A preocupação com a análise sincrônica permitiu iluminar as especificidades, no trabalho de apreender as diversidades e os diferentes modos de organização social, bem como os diferentes rítmos de crescimento e de estágio de desenvolvimento social. Bem como buscava-se compreender o homem e a sociedade, o comportamento social e os modos de ser, falar, sentir e fazer, “que não coincidiam necessariamente com as imagens legadas pela historiografia anterior, quase sempre preocupada em percebê-las como unidades dependentes e atreladas a um movimento global hegemônico”.( Souza Silva, 1998, p.14 )
Do ponto de vista político-administrativo, a regionalização passou a consistir na divisão do país em regiões administrativas que teriam poderes e atribuições próprias e específicas. A regionalização aparecia, portanto, como uma descentralização do poder que visava responder de forma eficaz às necessidades de cada região e pretendia também uma maior responsabilização e envolvimento dos cidadãos na resolução dos seus problemas. Os estudos regionais passaram a ser compreendidos a partir de visões interdisciplinar, propiciando a utilização de novas fontes, o emprego de novos enfoques, provocando o aparecimento de inúmeras contribuições sobre o entendimento do regional. No entanto, a maioria das monografias continuaram sendo particulares, auto-centradas e por vezes meramente descritivas. “Em decorrência deste olhar míope e auto explicativo ( por vezes até factual), alguns desses trabalhos permaneceram ao nível do particularismo estrito, incapazes de estabelecer um profícuo diálogo com outras regiões limítrofes ou até com realidades físicas, políticas e sociais mais amplas que a extrapolavam, sejam elas nacionais ou transnacionais”. (Souza Silva, 1998, p.15)
A partir dos anos 70/80 ocorre a aceleração do processo das transformações sociais. A antiga ordem social e política com suas hierarquizações e distintos lugares sociais é fortemente contestada. Emerge um pluralismo crescente, constituído por sociedades cada vez mais interdenpendentes, unidas no fenômeno da globalização, expressando culturas, governos, tradições e religiões muito díspares, sob o marco universal. Ocorre a crise do paradigma racionalista-científico e com ela surgem novas maneiras de produzir o conhecimento e as matérias discursivas decorrentes, enfim, novas maneiras de olhar a realidade social, valorizando-se a subjetividade, o simbólico, na busca dos significados, dos fundamentos, das raízes culturais . Daí novos interesses: pelos “atrasos”, pelos “desvios”, pelo “inusitado”, pelas resistências , enfim, por todas as formas de expressão social e individual que a modernidade havia marginalizado ou simplesmente sufocado. ( In Sodéro Toledo, Em Busca das Raízes.)





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