Estudos
REGIONALIZAÇÃO E DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL
  
   


O Ponto de partida : o espaço-tempo-local

Do regional-nacional para o local-universal.

Diante das transformações sociais que estamos vivenciando,vai tornando cada vez mais evidente é que a idéia da organização e desenvolvimento social está intimamente ligada à idéia de lugar. Esta idéia de lugar está associada a idéia de ação a nível local, contemplando nesta microescala, que é expressiva como instância que se abre para o entendimento da realidade universal. Pode-se, também, relacionar lugar à idéia de interação com o local, em todas as suas dimensões. Onde se dá a existência dos indivíduos, a vida cotidiana, inescapável, hierárquica e complexa. Nesta posição colocam-se também àqueles que defendem a idéia do “desenvolvimento sustentável” como mecanismo capaz de equilibrar o binômio natureza e sociedade.
Num enfoque retrospectivo, preso ao paradigma da modernidade, a idéia de regional estava ligada à noção do nacional, que lhe emprestava razão sentido de existir. O regional constituia-se portanto, num espaço físico- natural determinado, demarcado e delimitado do ponto de vista geográfico-político- administrativo no contexto de um Estado Nacional.
Esta idéia de região resulta do ato de autoridade política, consistindo em circunscrever um território, definindo-lhe as fronteiras. Portanto o espaço resultante não é natural. É resultante de uma imposição, de uma convenção no âmbito do poder que lhe deu origem e o confirmou por atos jurídicos.
Assim, o espaço se apresenta como um lugar não natural, produto de uma construção social a partir de práticas de representação, nem sempre coerentes, muitas vezes até contraditórias, que se confrontam nas experiências vivenciadas ao longo do processo histórico.
Este modelo do “regional” acabou gerando preconceitos, transformando-o em unidades fechadas e isoladas das demais comunidades, circunscritas por fronteiras, reduzidas a uma unidade simples, apreendida de forma unidimensional,tendendo para uma homogeneização ,segundo os preceitos dos modelos externos. A sua representação social era determinda pela relação tempo-espaço. O tempo percebido como a expressão de uma divisão mecânica, à semelhança de um universo regido por leis, orientado de forma linear. Um lugar visto como a complementariedade da evolução da humanidade, ou como queriam os sociólogos, visto como um espaço social bem delimitado, constituído por um conjunto de relacionamentos sociais estreitos, marcado pela influência da família, da comunidade, na dimensão do tempo marcada pela continuidade de residência num mesmo local/habitat.
A partir deste enfoque, a questão do regional pressupunha uma dada continuidade cultural, uma identidade social homogênea, integrada e, portanto, estável. Em outras palavras, uma comunidade distinta, um lugar social peculiar, onde os relacionamentoes e as regras de convivência fossem simples e diretas, capazes de instituir e sedimentar uma união duradoura e autêntica. A visão era de uma comunidade específica, integrada, relativamente isolada, baseada em relacionamentos estáveis que eram alimentados por laços afetivos e emocionais estreitos, pressupondo uma continuidade temporal.
Em síntese, o espaço gestado na modernidade é representado pela sua própria organização racional, capaz de produzir um efeito que nada mais é do que o poder de o cartografar, de delimitá-lo e submetê-lo a critérios racionais, buscando a homogeneidade da paisagem. Como parte de um todo, do território nacional. Com os efeitos já considerados da manutenção da divisão dicotômica de centro-periferia, de superiores-inferiores, induzindo a um só modelo, de um modo privilegiado de adesão à verdade. Com efeito, os detentores de status do poder passam a discorrer sobre os fenômenos humanos e naturais da região, determinando o modo de sua ocupação e utilização,do seu arranjo e de todas as suas conseqüências. Relação hoje visível para aqueles que refletem sobre a relação homem-natureza, como Faustich ao concluir que “a natureza é uma construção humana imposta ao mundo, bem como os problemas ambientais derivados.” (in Paulo Sena, 1999)
Com a crise da modernidade este modelo se esgota. Adquire novas especificidades quer pelo direcionamento das questões nacionais voltadas para a globalização, quer pelo deslocamento dos centros hegemônicos. A idéia do regional começa a sofrer mudanças. Na escala reduzida como era tratada a região, desponta a diversidade, a diferença. Algo que se expressa e está em relação com as novas expectativas da sociedade. Até então, a questão tinha significado estritamente na relação com o Estado-Nação. Hoje, como foi tratado, caminhamos para o “Estado Mínimo”. Isto implica em afirmar que a partir de então, não mais será possível garantir a sobrevivência de um lugar onde se realiza plenamente tanto uma homogeneidade política, quanto social e cultural. O lugar se apresenta na contra corrente da mundialização da economia. Aparece com maior significado porque é nos fragmentos das partes que se assenta o global. Global não quer significar homogêneo, nem uniforme, muito pelo contrário, o global se alimenta da diferença. Deter-se no lugar significa abandonar a crença predominante nas soluções pretensamente universais e opor-se às fórmulas externas. Há que se confiar na capacidade e sabedoria das comunidades locais na identificação de seus problemas e na tentativa de soluções, com base na sua própria experiência e na de grupos similares. Uma caminhada que se fará com o resgate da cidadania, da voluntariedade e da solidariedade. Pois que o novo princípio para o trabalho de mudanças será o do desenvolvimento em escala humana. Buscar o atendimento das necessidades humanas durante todo o processo de desenvolvimento.





[ volta ]


Copyright © - Valedoparaiba.com
Este texto pode ser reproduzido total ou parcialmente respeitando sua origem e o nome do autor.
© Copyright 1999 - 2007 - Criolla - Valedoparaiba.com - Todos os direitos reservados - Segurança e Privacidade
Nossa Terra, Nossa Gente I Albúm de Família I Artigos I Banco de Dados I Biblioteca Virtual I Coisas da Terra I Documentos I Enciclopédia
Estudos I Galeria de Autores I Jornais Antigos I Museu I Poesias I Resenhas I Sala de Comunicação I Serviços
Click Ensino I CENEC I Sócio Ambiente I Patrimônio Cultural I Terceira Idade I Cinema no Vale I Juntos no Vale I Balcão de Anúncios
Busca Cep I Cidades da Região I Fale Conosco I Festas Populares I Geografia do Vale I Horóscopo I Imagens do Vale I Institucional
Links Interessantes I Nosso Litoral I Notícias Regionais I Receitas do Vale I Serviços e Produtos