| Francisco
Sodero Toledo
Entre
as ações dos bispos
de São Paulo e do Rio de
Janeiro, neste período, estão
as romarias organizadas em 1900,
que deram novo impulso às
peregrinações ao Santuário
de Aparecida. As romarias programadas
tinham por finalidade celebrar o
Jubileu da passagem do século
decretado pelo Papa Leão
XIII e, conforme escreveu o Pe.
Júlio Brustoloni, “para
despertar no povo sua consciência
de nação católica,
diante dos princípios anti-religiosos
que orientavam a República”.(13)
De São Paulo veio a primeira
romaria chefiada por Dom Alvarenga.
Esta romaria chegou ao Santuário
a 8 de setembro de 1900, com cerca
de 1200 pessoas. Juntaram-se a ela
peregrinos de Jundiaí, Brangança
e Taubaté. Seguiram-se as
romarias de Lorena, Piquete, Guaratinguetá
e de outras cidades de região.
Em 16 de dezembro chegou a romaria
proveniente do Rio de Janeiro. Ela
foi considerada a mais solene, pela
presença do Cardeal Arcoverde,
que a chefiava pessoalmente, pelo
grande número de sacerdotes
e pela sua organização.
Para estas romarias havia um programa
detalhado tanto para a vinda como
para a volta e um cerimonial para
a chegada no Santuário e
a despedida.
Após o sucesso das grandes
romarias, os bispos da Província
Meridional, em reunião realizada
em São Paulo no ano de 1901,
decidiram realizar a coroação
solene de N. Senhora Aparecida.
A partir de então, o arcebispo
do Rio de Janeiro e o Bispo de São
Paulo lançaram-se com entusiasmo
na preparação do evento.
Nas duas capitais foram organizadas
as Comissões incumbidas de
preparar as romarias, envolvendo
Associações religiosas
paroquiais e “católicos
notoriamente práticos”,
sob a coordenação
clerical. Para dar maior vulto fizeram
coincidir a realização
da Conferência dos Bispos
na mesma ocasião em Aparecida.
A Conferência teve início
no dia primeiro daquele mês
e no dia da Coroação
estavam presentes na solenidade
além do clero diocesano,
salesianos, redentoristas, em menor
número jesuítas, beneditinos,
dominicanos e franciscanos, onze
bispos, um arcebispo e o representante
do Papa, o Núncio Apostólico
Dom Júlio Tonti, celebrante
da Solene Pontifical.
O caráter clerical do evento
pode ser ratificado com o discurso
proferido durante o sermão,
de aproximadamente uma hora, pelo
Arcebispo do Rio de Janeiro, Dom
Joaquim Arcoverde, em latim clássico.
Somente após o término
do solene Pontificial, D. João
Braga, bispo de Petrópolis,
dirige sua palavra à multidão,
na língua nacional, preparando-o
para a solene Coroação.
A Igreja dava uma demonstração
de capacidade de liderança
e organização. O Presidente
da República, Rodrigues Alves,
mesmo tendo residência em
sua terra natal, a cidade de Guaratinguetá,
não compareceu à cerimonia.
Em simples telegrama enviado ao
arcebispo Dom Joaquim Arcoverde,
dizia apenas e formalmente que
“Sentindo muito não
poder assistir às grandes
festas hoje celebradas nesse Santuário,
apresento a V. Excia., aos dignos
Bispos e ilustres funcionários
da Igreja aí reunidos, as
minhas respeitosas homenagens.”
(14)
Os ideários republicanos
e positivistas dos primeiros anos
da República mantinham distância
entre os dois poderes. A situação
se altera após os anos 30,
durante o período de Vargas.
Em 31 de maio de 1931 a cidade do
Rio de Janeiro, capital da República,
seria o grande cenário da
festa da Proclamação
do Padroado de Nossa Senhora Aparecida,
quando foi proclamada Padroeira
do Brasil. |