Das
cinco cidades anotadas em
1850, conta-se, vinte e
cinco anos depois, o total
de treze. Este aumento quantitativo
foi acompanhado da melhoria
de condições
da vida urbana no decorrer
do período. A cidade
de Lorena constitui um exemplo.
Em 1851 "era ainda
uma povoação
pequena, com ruas sem nomes,
sem iluminação,
sem água, sem esgoto,
sem preocupações
urbanísticas sérias,
crescendo vegetativamente,
com um casario modesto,
sem pompas, sem grandeza...
Ao terminar a década
dos 60, sente-se que a situação
é outra. Bacharéis
do Largo de São Francisco,
iniciando-se na vida pública,
trazem idéias novas,
expandidas através
de pareceres extensos sobre
questões insiginificantes,
arejando os debates da Câmara
Municipal e elevando o seu
nível. Per cebe-se
que a cidade ganha nova
alma."
Este crescimento notório
da rede urbana, é
bom que se reafirme, constitui
reflexo do crescimento do
setor rural.
A
organização
do espaço urbano
refletia a influência
do setor rural. Existiu,
por todo o período,
a predominãncia do
binário urbano -
rural, com a superioridade
deste último. Faz-se
a distribuição
das cidades em rosários
estendidos ao longo dos
espigões. Especialmente
naquelas oriundas do século
XIX como Bananal, Areias,
São José do
Barreiro, Redenção
da Serra e Natividade da
Serra. Aí e noutros
centros urbanos são
comuns os exemplos da ocupação
dos centros e das principais
ruas da cidade pelos casarões
dos senhores do café.
Faziam repercutir parte
de suas riquezas nas construções
urbanas. São José
do Barreiro constitui, entre
outras, um dos melhores
protótipos desta
organização.
Veja-se uma fotografia aérea
da cidade ou esta descrição
fornecida por Zalaur, em
1860: "A vila do
Barreiro, observada de qualquer
das eminências que
a circundam, oferece um
aspecto agradável
e metódico. As suas
ruas são perfeitamente
alinhadas, quase todas planas,
e os prédios, ainda
que pouco importantes pela
maior parte, construídos
com regularidade. Está
divida a povoação
em dois bairros nobres,
ou aquele em que avultam
as construções
mais importantes e é
habitado pelas pessoas mais
abastadas do lugar, levanta-se
na parte mais elevada do
terreno, e é coroada
no alto pelo igreja matriz,
o outro bairro, abaixo daquele,
é habitado pelas
classes pobres, e quase
todas as casas são
ainda ali cobertas de sapé,
o que forma um contraste
que não deixa de
ter seu tanto ou quanto
de pitoresco, visto de certa
distância".
Esta caracterização
era comum aos centros urbanos.
Podem aparecer algumas diferenças,
nas predominava a organização
básica: ao centro
a igreja, circundada por
um largo e ao redor os casarões
dos senhores do café.
Nas ruas laterais ou nas
que davam na praça,
na medida em que dela se
afastavam, apareciam habitações
cada vez mais simples; até
atingir as choupanas das
populações
marginais. Algumas descrições
confirmam plenamente esta
afirmação.
Zaluar chegando a Guaratínguetá
escreve: "Depois
de duas horas de marcha
regular e suave entramos
em uma espécie de
vila estreita e tortuosa,
orlada de velhos e mesquinhos
casebres, que desemboca
em uma calçada ladeirenta
e pedre gosa, a qual vai
dar a uma praça...".