Estudos
Economia Cafeeira e Aspectos Urbanos
(1850 - 1875)
  
   



Franscico Sodero Toledo

A Sociedade Conservador
- Alterações Políticas e Urbanização

Compreender-se-á melhor, a partir destes dados, a forma simples e objetiva da concretização do poder dos fazendeiros na vida política partidária.

Por esta época, alguns fatos ofereciam perspectivas novas para a forma de manutenção da elite agrária na estrutura do poder. Estes foram: a política centralizadora adotada pelo governo central no 2º Reinado, as lutas político-partidarias de âmbito nacional e as divergências internas locais, provocadas pelas disputas em torno dos cargos de prestígio. Estes fatos incitariam as cisões do antigo grupo harmonioso da elite rural, "os homens bons", originando grupos em oposição.

A centralização administrativa iniciada em 1840, com a lei da Interpretação do Ato Adicional, deu. por extinta, a interferência direta do exterior, exercida pelos prefeitos, e deu início à grande centralização que dominaria o 2.1 Reinado. Resultaria centralização, em âmbito regional. Em termos práticos, na política de centralizar, nos núcleos urbanos, as fazendas de café, dispersas e isoladas.

0 poder local era alcançado através da posse da câmara dos cargos de importância e de prestígio. As Câmaras perdem parte de sua autonomia e poderes, em consequência da interferência do poder central. Esta interferência foi resultado lógico da política centralizadora que vem valorizar os núcleos urbanos. 0 poder será nelas exercido. A elite agrária, de bases econômicas, necessitava de melhores meios, inclusive intelectuais, para dirigir a administração municipal e maior número de pessoas, fazendo crescer numericamente os funcionários ligados a serviços burocráticos.

As eleições eram disputadas pelos grupos em oposição, aumentando as cisões entre os diversos grupos políticos. Aumentava o número de eleitores. Ao lado desta alteração quantitativa, urna outra, qualitativa, se impõe: o crescimento urbano capaz de sustentar a elite dirigente. Observa-se a ascensão de comerciantes, burocráticos, profissionais liberais na pirâmide sócio político regional. Os donos do poder, membros da elite agrária, conservam em suas mãos o poder local, e os primeiros lugares nas eleições: quer pelo número de representantes, quer pelo número de votos obtidos.

As lutas pelo poder valorizou, neste período, os núcleos urbanos. Estimulou a camada urbana a uma participação mais ativa no processo eleitoral, sustentando o poder através das urnas.

Vivia o Vale do Paraíba, nesta época, situação parodoxal. A economia agrária fixara o predomínio da vida rural, baseada nos valores da estrutura de produção; terras e escravos. A luta política partidária, estimula a participação na vida urbana, buscando a elite agrária consolidação do prestígio e poder.

A partir destas observações podem ser constatadas algumas linhas básicas que caracterizavam a evolução social. Observa-se, particularmente, a continuidade da estrutura formada pelo ciclo cafeeiro nas primeiras décadas do século XIX. Mantém suas características primordiais: conservadorismo e ruralismo. A vida rural é mais intensa. A vida ativa das fazendas de café, a riqueza e o poderio dos senhores de café o atestam.

Algumas alterações tornam-se visíveis. Aumenta-se a sociabilidade decorrente do desenvolvimento urbano, provocado indiretamente pela própria expansão caeeifa. A vida urbana representa a continuação da vida rural, o reflexo do mundo rural.

0 quadro de referência estrutural registra o predomínio da religião católica em todos os setores e níveis da sociedade. Catolicismo tipicamente popular, repleto de seus temas prediletos: a paciência, o fatalismo e a conformidade.

Analfabetismo, despreocupação pela cultura, prodigalidade, ao lado do crescimento populacional e escravagismo, completam este quadro de referência.



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