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Compreender-se-á
melhor, a partir destes dados,
a forma simples e objetiva
da concretização
do poder dos fazendeiros na
vida política partidária.
Por esta época, alguns
fatos ofereciam perspectivas
novas para a forma de manutenção
da elite agrária na
estrutura do poder. Estes
foram: a política centralizadora
adotada pelo governo central
no 2º Reinado, as lutas
político-partidarias
de âmbito nacional e
as divergências internas
locais, provocadas pelas disputas
em torno dos cargos de prestígio.
Estes fatos incitariam as
cisões do antigo grupo
harmonioso da elite rural,
"os homens bons",
originando grupos em oposição.
A centralização
administrativa iniciada em
1840, com a lei da Interpretação
do Ato Adicional, deu. por
extinta, a interferência
direta do exterior, exercida
pelos prefeitos, e deu início
à grande centralização
que dominaria o 2.1 Reinado.
Resultaria centralização,
em âmbito regional.
Em termos práticos,
na política de centralizar,
nos núcleos urbanos,
as fazendas de café,
dispersas e isoladas.
0 poder local era alcançado
através da posse da
câmara dos cargos de
importância e de prestígio.
As Câmaras perdem parte
de sua autonomia e poderes,
em consequência da interferência
do poder central. Esta interferência
foi resultado lógico
da política centralizadora
que vem valorizar os núcleos
urbanos. 0 poder será
nelas exercido. A elite agrária,
de bases econômicas,
necessitava de melhores meios,
inclusive intelectuais, para
dirigir a administração
municipal e maior número
de pessoas, fazendo crescer
numericamente os funcionários
ligados a serviços
burocráticos.
As eleições
eram disputadas pelos grupos
em oposição,
aumentando as cisões
entre os diversos grupos políticos.
Aumentava o número
de eleitores. Ao lado desta
alteração quantitativa,
urna outra, qualitativa, se
impõe: o crescimento
urbano capaz de sustentar
a elite dirigente. Observa-se
a ascensão de comerciantes,
burocráticos, profissionais
liberais na pirâmide
sócio político
regional. Os donos do poder,
membros da elite agrária,
conservam em suas mãos
o poder local, e os primeiros
lugares nas eleições:
quer pelo número de
representantes, quer pelo
número de votos obtidos.
As lutas pelo poder valorizou,
neste período, os núcleos
urbanos. Estimulou a camada
urbana a uma participação
mais ativa no processo eleitoral,
sustentando o poder através
das urnas.
Vivia o Vale do Paraíba,
nesta época, situação
parodoxal. A economia agrária
fixara o predomínio
da vida rural, baseada nos
valores da estrutura de produção;
terras e escravos. A luta
política partidária,
estimula a participação
na vida urbana, buscando a
elite agrária consolidação
do prestígio e poder.
A partir destas observações
podem ser constatadas algumas
linhas básicas que
caracterizavam a evolução
social. Observa-se, particularmente,
a continuidade da estrutura
formada pelo ciclo cafeeiro
nas primeiras décadas
do século XIX. Mantém
suas características
primordiais: conservadorismo
e ruralismo. A vida rural
é mais intensa. A vida
ativa das fazendas de café,
a riqueza e o poderio dos
senhores de café o
atestam.
Algumas alterações
tornam-se visíveis.
Aumenta-se a sociabilidade
decorrente do desenvolvimento
urbano, provocado indiretamente
pela própria expansão
caeeifa. A vida urbana representa
a continuação
da vida rural, o reflexo do
mundo rural.
0 quadro de referência
estrutural registra o predomínio
da religião católica
em todos os setores e níveis
da sociedade. Catolicismo
tipicamente popular, repleto
de seus temas prediletos:
a paciência, o fatalismo
e a conformidade.
Analfabetismo, despreocupação
pela cultura, prodigalidade,
ao lado do crescimento populacional
e escravagismo, completam
este quadro de referência.
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