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período governamental
de Dom Pedro II, o II Reinado
brasileiro, correspondeu
à fase de apogeu
máximo da cultura
cafeeira no Vale do Paraíba
Paulista. Entre 1850 a 1886,
registram-se fatos e dados
que a ilustram muito bem.
A produção
de café, nesta região,
desde 1836, havia tomado
a dianteira na então
Província de São
Paulo. Produziamse 510.406
arrobas. Em 1854, a produção
ascendera a 2.737.639 arrobas,
mantendo o Vale do Paraíba
sua posição
hegemônica. EM 1886,
notam-se alterações
neste quadro. Existem sinais
de declínios. A produção
registrada era inferior
em 663.372 arrobas. Ocupava
o Vale a 4.a posição
na produção
de café. Evidencia-se
o início do declínio
que se tornaria mais claro
nas décadas seguintes.
Tornam-se, portanto, necessárias
algumas considerações
a respeito deste ciclo econômico.
Da sua formarão e
evolução a
fim de empreender-se a análise
dos grupos sociais da época.
A implantarão da
cultura cafeeira apresentou-se
como uma solução
à combalida economia
valeparaibana dos princípios
do século XIX. Iniciada
na área das garupas
estender-se-ia por toda
a região. A monocultura
cafeeira instalada sem concorrência
nesta área pioneira,
aos poucos, foi substituindo
a cultura da cana de açúcar
na área da Bacia
Terciária de Taubaté.
Em 1836, a produção
de café suplantara
a da cana de açúcar.
Produzia-se café
na quantidade de 510.406
arrobas e apenas 8.628 de
açúcar. Esta
situarão seria mantida
sem 1854, para uma produção
de 2.73 7.639 arrobas de
café registram-se
apenas 11.350 arrobas de
açúcar. Em
1866 a produção
de açúcar
não é mencionada
nos dados oficiais.
Formara-se o ciclo. Mantinha-se
a estrutura agrária
de produção
colonial. Surge uma elite
cujo poder era fundamentado
na posse da terra. Terra
e escravos, como, sabiamente,
registra Saint e Hilaire,
em sua caminhada por esta
região, no ano de
1822: "É o café
que lhes traz o dinheiro.
Não se pode colher
café senão
com os negros, é,
pois, com o negro que gastam
todas as rendas e o aumento
da fortuna se presta muito
mais para satisfazer a vaidade
do que para aumentar o conforto.
Ë impossível
que não se saiba
na zona quantos negros possuem
e pé de café".
Terra e escravos constituíram
os alicerces na formarão
da estrutura de apropriarão
criada com as necessidades
impostas pelo cultivo do
café.
No período áureo
de sua produção
1954 - 1866, e, em especial,
no 3.0 quartel do século
XIX, observa-se a continuidade
destes elementos básicos
da sociedade cafeeira. Por
este tempo, a produção
de café estendera-se
por todo o Vale do Paraíba.
Ao iniciar a década
de 50, a hegemonia, no setor
de produção,
pertencia ainda à
área das garupas.
Em 1854 os municípios
de Bananal e Areias, com
produção respectivas
de 554.600 arrobas e 386.094
arrobas, ocupavam a liderança
na produção
regional. A seguir figuravam
em 3 .0, 4° e 5 lugares,
respectivamente, como maiores
produtores os municípios
de Taubaté com 354.730
arrobas, Pindamonhangaba
com 350.000 arrobas e Jacareí
com 54.004 arrobas de produção.
Todos estes últimos
municípios localizados
na área da bacia
Terciária de Taubaté.
Mantinha-se a situarão
anterior e seus elementos
constituídos perduravam:
a presença dos latifúndios
- ameaçados agora
pela Lei da Partilha -,
da monocultura e da escravidão,
aspectos estes, de uma estrutura
tipicamente capitalista,
voltada para o mercado externo,
baseada na exportarão
da matéria prima,
com o fim de obter lucro.