Estudos
A pequena e a média propriedade na grande lavoura cafeeira do vale do paraíba
  
   


Renato Leite Marcondes

I - A Produção Cafeeira

O levantamento dos fazendeiros de café elaborado pelo coletor de Angra dos Reis compreendeu 490 produtores: 183 fluminenses, 304 paulistas e apenas 3 mineiros. A produção atingiu 1.712.900 arrobas em 1868, representando 12,0% da exportação brasileira de café para 1867/1868, ou seja uma expressiva parcela do total destinado ao exterior. As propriedades fluminenses colheram 803.500 arrobas, as paulistas 901.100 e as mineiras 8.300; a produção média das primeiras chegou a 4.391 arrobas, enquanto a das segundas alcançou 2.964 e a das últimas 2.767. Assim, o porte médio das fazendas do Rio de Janeiro mostrou-se superior ao das demais.
A distribuição da colheita de café revelou uma concentração expressiva. O maior cafeicultor era Joaquim José de Souza Breves, com 150.000 arrobas colhidas em Lage (RJ). Na tabela 1 percebemos um número elevado de produtores de até 999 arrobas (28,0%), mas que participavam com apenas 4,0% do total colhido. De outro lado, os cafeicultores que colhiam 10.000 ou mais arrobas representavam, tão-somente, 7,7% do conjunto dos produtores, porém detinham 42,6% da produção total. Em decorrência, o índice de Gini calculado para a concentração da produção atinge 0,611.

Tabela 1 - Distribuição dos cafeicultores segundo faixas da quantidade produzida (1868)
Faixas
(em arrobas)
N.º de cafeicultores
Participação no total de cafeicultores
Produção de café (em arrobas)
Participação no total da produção
Até 999
137
28,0%
37.400
4,0%
1.000 a 4.999
259
52,9%
541.500
31,6%
5.000 a 9.999
56
11,4%
374.000
21,8%
10.000 ou mais
38
7,7%
730.000
42,6%
Total
490
100,0%
1.712.900
100,0%

A concentração da produção de café alcançou patamar maior para os produtores fluminenses do que os paulistas: o índice de Gini dos primeiros é 0,648 e o dos segundos 0,573. Desse modo, tanto a desigualdade entre os cafeicultores fluminenses como sua produção média eram superiores às observadas entre os cultivadores paulistas de café. Uma ilustração deste resultado nos é dada pela comparação dos maiores produtores da rubiácea de São Paulo com os do Rio de Janeiro; assim, os grandes cafeicultores paulistas, como o Barão de Bella Vista e Manuel d'Aguiar Vallim, colhiam 30.000 e 23.000 arrobas, respectivamente; já do outro lado da divisa o afamado Breves produzia cinco vezes mais.
Os pequenos e médios cafeicultores que colhiam menos de 10.000 arrobas somaram 452 produtores. A maioria dos cultivadores de café encontrava-se nesta condição (92,3%). Eles produziram, em conjunto, 982.900 arrobas. Esta quantidade superava a dos maiores cultivadores, representando 57,4% do total da produção. Assim, a importância dos pequenos e médios produtores de café coloca-se não apenas em termos do conjunto dos cafeicultores como, também, no total da produção deste gênero.




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