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Renato
Leite Marcondes
Nas
últimas três décadas
os historiadores desenvolveram uma
série de trabalhos calcados
em fontes primárias até
então pouco utilizadas, tais
como listas nominativas de habitantes
e registros paroquiais de batismos,
casamentos e óbitos. Antes
desse período, uns poucos
estudos pioneiros tinham incorporado
tais documentos, como, por exemplo,
os de Lucila Herrmann (1948) e de
Luis Lisanti Filho (1962). A assimilação
crescente de novas fontes permitiu
à literatura historiográfica
a qualificação e até
a revisão de algumas visões
consensuais presentes em textos
clássicos, entre eles os
de Gilberto Freyre, Caio Prado Júnior
e Celso Furtado. Algumas das contribuições
mais relevantes ocorreram no campo
da economia e da demografia. A demografia
histórica teve um papel destacado
neste avanço. Entre o grande
número de artigos, dissertações,
teses e livros produzidos nessa
área são de especial
interesse para os propósitos
deste trabalho os referentes à
análise da estrutura de posse
de cativos.
Para os autores clássicos
a base da produção
no período colonial e no
do Império era dada pela
grande propriedade escravista monocultora
cuja produção destinava-se
ao mercado externo. Assim, a distribuição
da posse cativa revelar-se-ia altamente
concentrada nas mãos de uns
poucos e grandes senhores. Consequentemente,
a população brasileira
compor-se-ia, quase exclusivamente,
de senhores e escravos; os seus
demais integrantes consistiriam
em agregados e marginalizados. Gilberto
Freyre (1933) alinha-se a esta corrente:
"Se o ponto de apoio econômico
da aristocracia colonial deslocou-se
da cana-de-açúcar
para o ouro e mais tarde para o
café, manteve-se o instrumento
de exploração: o braço
escravo. [...] De modo geral, em
toda parte onde vingou a agricultura,
dominou no Brasil escravocrata o
latifúndio (...)".
O maior expoente desta corrente
interpretativa, Caio Prado Júnior
(1942), asseverou que nossa economia
calcava-se no uso em larga escala
da mão-de-obra cativa empregada
na produção de gêneros
votados à exportação:
"Completam-se assim os
três elementos constitutivos
da organização agrária
do Brasil colonial: a grande propriedade,
a monocultura e o trabalho escravo.
Estes três elementos se conjugam
num sistema típico, a 'grande
exploração rural',
isto é, a reunião
numa mesma unidade produtora de
grande número de indivíduos;
é isto que constitui a célula
fundamental da economia agrária
brasileira. "
Além da agricultura, encontraríamos
na exploração mineratória
do século XVIII: "uma
organização que afora
as distinções de natureza
técnica, é idêntica
à da agricultura; concorreram
para isto, de uma forma geral, as
mesmas causas, acrescidas talvez
da influência que a feição
geral da economia brasileira já
tomara quando a mineração
se inicia. É ainda a exploração
em larga escala que predomina: grandes
unidades, trabalhadas por escravos."
Celso Furtado (1959) não
concorda com a preponderância
da grande propriedade na época
da mineração; na região
das Minas, durante o século
XVIII, haveria uma possibilidade
maior de inserção
do homem livre. Entretanto, a economia
açucareira e a cafeeira estariam
apoiadas na exploração
em larga escala dos cativos: "A
empresa cafeeira permite a utilização
intensiva da mão-de-obra
escrava, e nisto se assemelha à
açucareira. " De
outro lado, o autor reconhece a
menor necessidade de capitais por
parte da cafeicultura.
Mais recentemente João Manuel
Cardoso de Mello (1975) recolocou
a necessidade da grande exploração
baseada em largos contigentes de
mão-de-obra cativa. Os pequenos
e os médios cafeicultores
mostrar-se-iam inviáveis.
Nas palavras do próprio autor:
"Podemos compreender, neste
momento, por que a empresa cafeeira
surge como latifúndio escravista.
Como latifúndio, não
somente porque existisse uma determinada
repartição de terras
prévia à sua constituição.
Surge como latifúndio também
e principalmente porque, dados os
preços dos recursos produtivos
e se definindo a produção
cada vez mais como produção
em massa, as margens de lucro eram
reduzidas, o que impunha uma escala
mínima de produção
lucrativa e, reversivamente, determinava
investimentos vultosos, que funcionavam
como barreira à entrada."
Os novos trabalhos baseados em fontes
primárias locais e regionais
não corroboram, em sua totalidade,
essas visões mais gerais.
Embora o número de escravos
que possa definir a grande propriedade
escrava seja vago, Francisco Vidal
Luna ¾ ao estudar cinco localidades
mineiras no período 1718-1804
¾ observou um padrão
de posse cativa que não parece
corroborar a visão da historiografia
tradicional. Ocorria o predomínio
dos pequenos escravistas (de um
até cinco escravos) e eram
raros os proprietários de
grandes escravarias. O autor concluiu:
"As peculiaridades da atividade
mineira propiciaram a formação
de uma estrutura singular nas Gerais.
De modo geral, aquilo que se pode
comparar à 'grande lavoura'
ali não predominou. Por força
de variadas circunstâncias,
inclusive pela orientação
Metropolitana, a atividade não
se assentou no grande produtor;
tal linha de conduta não
constituiu mudança inexplicável
nas regras do Sistema Colonial,
representou, na verdade, uma adaptação
de tais normas às características
próprias da mineração
(...)".
Atualmente, diversos estudos ampliaram
o espaço territorial e o
lapso temporal para além
das Minas Gerais do século
XVIII e do início do século
XIX lançando luz sobre a
importância dos pequenos e
médios escravistas. A região
de Minas manteve durante o século
XIX, apesar da decadência
da exploração do ouro,
o maior contingente escravo brasileiro.
Além disto, ela recebeu um
fluxo migratório positivo
durante este período, contrariando
a visão tradicional de Furtado.
Como evidenciado por Roberto Borges
Martins e Amilcar Martins Filho,
a atividade econômica da região
não se concentrava em produtos
de exportação, mas,
principalmente, na elaboração
de bens destinados ao mercado interno.
Outros autores, como, por exemplo,
Clotilde Andrade Paiva e Douglas
Cole Libby, procuraram reafirmar
a importância do contingente
cativo mineiro. Eles basearam-se
nas listas nominativas distritais
de 1831-1832 e nas matrículas
de escravos para 1873-1875 correspondentes
ao Oeste mineiro e à localidade
de Paracatu. Para ambos os períodos,
estes autores verificaram o predomínio
dos pequenos escravistas. Os proprietários
de 1 a 4 cativos representavam 64,7%
do conjunto de detentores de escravos
em 1831-1832 e 75,4% em 1873-75.
O número médio de
cativos era de 5,0 no primeiro momento
e de 3,7 no segundo. Destarte, as
posses escravas não alcançaram
patamares elevados nessas regiões
mineiras durante o século
XIX.
O Nordeste constituía uma
região com respeito à
qual poder-se-ia esperar uma alta
concentração da posse
cativa. Stuart B. Schwartz observou
para a Bahia colonial um número
médio de escravos de 65,5
por senhor de engenho; porém,
segundo ele as "propriedades
com uma escravaria dessa magnitude
não se parecem enquadrar
na imagem comum da grande lavoura
brasileira como um imenso latifúndio
com centenas de escravos trabalhando
sob o controle unitário e
patriarcal de um proprietário
e senhor residente." Cabe
lembrar que os senhores de engenho
correspondiam a menos de um décimo
do total de possuidores de escravos.
No caso dos engenhos fluminenses
a média de escravos atingiu
35,98 em 1778; dos 323 engenhos
analisados por Iraci Costa, somente
dez mantinham mais de cem cativos
(3,1%). Em Sergipe, Josué
Modesto dos Passos Subrinho verificou,
com base nas listas de classificação
dos escravos para o município
de Laranjeiras, um pequeno número
médio de escravos por proprietário
em 1873 (3,6). Segundo o autor:
"A imagem da grande propriedade
escravista, de centenas de escravos
apinhados em senzalas infectas ou
reunidos em eitos numerosos sob
a severa vigilância dos feitores
é ainda, possivelmente, a
primeira que nos vem a mente quando
pensamos em propriedade de escravos,
apesar dos esforços revisionistas
de alguns historiadores e demógrafos.
Nesse sentido, o número pode
surpreender, porém, confirma
estudos feitos para outras áreas
do país e para outras épocas,
acerca do predomínio da pequena
propriedade escrava e, portanto,
da pequena média de escravos
por proprietário."
Vários estudos efetuados
para São Paulo a partir de
listas nominativas de habitantes
chegaram a resultados próximos
aos de Minas Gerais. Entre eles
destaca-se o de Luna & Costa,
que estudaram, para 1804, nove localidades
paulistas, entre as quais algumas
valeparaibanas, e Curitiba. O perfil
da distribuição da
propriedade escrava para o conjunto
dos escravistas revelou posses médias
reduzidas, entre 3,7 e 9,4. A população
considerada representava cerca de
um terço do número
total de habitantes da região;
assim, não se observava uma
distribuição dos cativos
similar à aventada pelos
autores clássicos. Não
obstante, algumas ressalvas podem
ser feitas a esta última
assertiva, pois no momento estudado
por Luna & Costa ainda não
havia ocorrido a difusão
da cafeicultura em São Paulo:
àquela altura, o cultivo
da rubiácea apenas estava
se afirmando na região; como
a plantation cafeeira não
se encontrava estabelecida seria
de se esperar, para 1804, posses
mais modestas do que as verificadas
com respeito aos engenhos baianos
e fluminenses.
No vale do Paraíba, a estrutura
econômica apresentava variações
locais. Algumas localidades apresentavam
uma participação maior
de grandes escravistas do que outras,
exemplo disto encontramos em Bananal
e Areias para São Paulo e
em Vassouras para o Rio de Janeiro.
De outra parte, vários autores
mostraram, mesmo para o período
de apogeu da cafeicultura, a importância
dos pequenos e médios produtores
na região, inclusive de café.
Maria Celina Whately, por exemplo,
estudando a cafeicultura em Resende
(RJ) durante o século XIX,
verificou a diferença de
porte de cultivo na localidade em
questão com relação
a Vassouras. Ela chegou a afirmar:
"Uma das peculiaridades
de Resende foi exatamente a produção
de café, com base num grande
número de pequenos e médios
produtores e poucos grandes cafeicultores."
A pretendida especificidade (singularidade)
parece-nos recorrente. Maria Aparecida
Chaves Ribeiro Papali, trabalhando
com trinta inventários de
São José dos Campos
(SP) e concernentes ao período
1870-1888, verificou uma situação
próxima à de Resende:
"A documentação
consultada indica que a cidade de
São José dos Campos
vinha se constituindo, e formando
seus cafezais, pela presença
bastante numerosa de pequenos e
médios lavradores. Sitiantes
e 'meeiros' povoavam aquelas paragens
em grande quantidade. (...) Provavelmente
seja essa uma peculiaridade das
lavouras de café de São
José dos Campos de finais
do século XIX. Mesmo as maiores
fazendas não deveriam ter
as dimensões que as grandes
fazendas dos barões do café,
tiveram nos áureos tempos
da cafeicultura, no Vale do Paraíba
Paulista. (...) A grande maioria
dos lavradores possuía, em
média, de 10 a 15 trabalhadores
escravos em suas fazendas."
Célia Maria Loureiro Muniz
estudou a estrutura fundiária
no vale do Paraíba fluminense
durante o século XIX. A partir
das formas de apropriação
da terra, ela mostrou que "sua
estrutura produtiva não era
constituída, apenas, de grandes
fazendeiros de café, mas
também de pequenos proprietários.".
Outra qualificação
efetuada pela autora refere-se ao
tamanho das propriedades: "Muitos
livros sobre economia cafeeira,
falam em 'grandes propriedades'
ou 'enormes latifúndios'.
No entanto essas fazendas de café
não eram tão grandes,
elas possuíam em média
de 100 a 200 alqueires sendo que
muitas possuíam menos de
100 alqueires.".
As listas nominativas de habitantes
embasaram empiricamente diversos
estudos de estrutura de posse de
cativos para o vale do Paraíba
paulista. José Flávio
Motta analisou a propriedade escrava
em Bananal. No início (1801),
o plantio de café devia-se
a não-escravistas, posteriormente
os possuidores de cativos passaram
a cultivá-lo; quando o café
já se difundira na localidade
(1829), o número médio
de escravos dos cafeicultores alçou-se
a 13,8 (11,7 para os escravistas
em geral). Armênio de Souza
Rangel verificou a média
de 7,8 escravos por cafeicultor
detentor de cativos para a Taubaté
(SP) em 1835 (5,1 para o total dos
escravistas), momento este em que
o cultivo do café não
atingira as proporções
alcançadas em Bananal e Areias.
Francisco Vidal Luna, ao analisar
a vila de Areias, para 1836, determinou
a média de 9,3 escravos para
o conjunto dos escravistas; destes,
os produtores de café mantinham,
em média, 12,6 cativos. Renato
Leite Marcondes observou, em 1829,
um número médio de
cativos de 6,3 para Lorena (SP)
que, àquela altura, mostrava-se
menos expressiva em termos de atividade
cafeeira do que Bananal e Areias.
No caso dos produtores lorenenses
de café o indicador em foco
atingia, em 1829, o valor de 10,2.
Com base numa amostra de 187 inventários
para o período 1830/79, o
referido autor pôde verificar
a média de 22,5 escravos
por escravista produtor de café.
Destarte, o desenvolvimento cafeeiro
até a quarta década
do século XIX parece ter
ocorrido em moldes distintos dos
propalados pela historiografia clássica,
pois a média de cativos por
escravista oscilou ao redor de dez,
dando-se o mesmo para os cafeicultores.
Alguns autores discordam desta afirmativa.
Rangel, por exemplo, coloca o seu
trabalho como uma corroboração
das teses de Caio Prado Jr. Nas
suas próprias palavras: "(...)
o município aproximava-se,
em múltiplos aspectos de
sua organização econômica
e social, do modelo da plantation
exportadora, formulado por Caio
Prado Júnior."
Será que o quadro delineado
por Armênio Rangel aproxima-se
da visão de Caio Prado Jr?
Uma questão que pode ser
levantada para ilustrar tal discussão
seria a do número de escravos
que definiria a plantation. Mais
de vinte cativos parece-nos muito
pouco. Ou mais de quarenta, ou até
um número superior a cem?
Com números médios
de escravos ao redor de dez, poucos
escravistas alcançariam,
apesar da concentração,
as posses superiores a quarenta
e dificilmente cem. Quantos cativos
os maiores proprietários
de Taubaté teriam em 1835?
De acordo com Rangel, haveria apenas
quatro escravistas com mais de quarenta
escravos, mas eles detinham menos
de cem elementos em seus plantéis.
Nesse momento de expansão
cafeeira, ele descreve a importância
dos pequenos produtores de café:
"A produção
máxima observada por domicílio,
nesse período, foi de 1.500
arrobas no ano de 1835. Nesse ano,
a produção média
por domicílio teria atingido
55 arrobas. Até 50 arrobas
de produção, envolvia
81,9% do total de produtores e 30,2%
do total de café. Assim,
em sua grande maioria [dos 422 cafeicultores
/ RLM], tratavam-se de pequenas
plantações. Já
havia, é verdade, plantações
maiores e com elevada participação
na produção total:
6 domicílios produziram ¾
acima de 500 arrobas ¾ 22,4%
do total de café [...] Contudo,
mesmo essas plantações
maiores nada tinham a ver com as
plantações da maturidade
[da segunda metade do século
XIX / RLM] que se caracterizavam
por grandes escalas de produção."
Até 1835 os informes de Taubaté
não parecem corroborar a
visão de Caio Prado Jr. A
referência ao modelo de Prado
Jr. deve-se à tendência
de consolidação da
plantation para o período
posterior, para o qual Rangel não
possui dados primários. Nesta
discussão, uma visão
mais apurada da realidade parece-nos
ser a exposta por Iraci Costa em
seu trabalho Repensando o modelo
interpretativo de Caio Prado Júnior:
"Como vimos, tanto a propriedade
e usufruto da terra como a economia
de subsistência marcavam-se,
no passado escravista brasileiro,
por gradações que
preenchiam um rico e nuançado
espectro. O mesmo podemos afirmar
no concernente à estrutura
da posse de escravos, a qual percorria,
também, um continuum no qual
se viam representados todos os tamanhos
de plantel, bem como as distintas
atividades econômicas aqui
praticadas e que tenderam a se diversificar
cada vez mais com a passagem do
tempo. Assim, afora casos tópicos
em que predominavam maciçamente
os grandes escravistas, tomada em
seu conjunto, a economia brasileira,
grosso modo, conheceu, nos mais
variados setores e quadrantes, situações
em que coexistiam pequenos, médios
e grandes proprietários.".
As novas visões propostas
por estes trabalhos mais recentes
permitem-nos afirmar a necessidade
de incorporarmos a pequena e a média
propriedade na análise da
economia cafeeira, ou seja não
podemos nos restringir, apenas,
aos grandes potentados. Seria oportuno,
ademais, examinar a estrutura da
posse cativa para o período
posterior a 1840, o qual, prima
facie, deveria apresentar um perfil
muito próximo daquele delineado
pela historiografia clássica.
À luz, pois, deste desenvolvimento
recente da historiografia, procuramos
estudar a importância dos
diferentes portes de propriedade
de cativos e de produção
de café no momento áureo
da cafeicultura no vale do Paraíba.
Como para o período aludido
não existem listas nominativas
de habitantes lançamos mão
de uma fonte alternativa, igualmente
apta a nos auxiliar no entendimento
do papel da pequena e da média
propriedade na cafeicultura do vale
do Paraíba, ou seja, uma
relação de produtores
de café que exportavam seu
produto pelos portos do litoral
sul da província do Rio de
Janeiro, rol este efetuado pelo
coletor de Angra dos Reis (RJ),
em 1868, e denominado: "Mapa
do arrolamento das fazendas de café
situadas nas imediações
das províncias do Rio de
Janeiro, São Paulo e Minas".
As principais povoações
abarcadas pelo documento são
as seguintes: Resende, Barra Mansa,
Santana dos Tocos, Campo Bello no
caso do Rio de Janeiro; Bananal,
Areias, São José dos
Barreiros, Queluz e Silveiras para
São Paulo e Lapa para Minas
Gerais.
Servimo-nos, ademais, de outra fonte
documental: os registros de matrícula
de escravos para Taubaté,
localidade esta que, na aludida
quadra, constituía um importante
centro cafeicultor do vale do Paraíba.
A elaboração deste
documento deve-se à regulamentação
da Lei do Ventre Livre (de 27/09/1871)
efetuada pelos decretos 4.835 e
5.135 em dezembro de 1871 e novembro
de 1872, respectivamente.
A matrícula em Taubaté
ocorreu em 1872. As informações
básicas presentes no documento
consistem no nome e no título
do proprietário e, com relação
ao escravo, no nome, idade, cor,
estado conjugal, ocupação,
aptidão para o serviço
e algumas observações
referentes ao fato de a matrícula
haver sido realizada em outra localidade
ou província. Tais informações
permitir-nos-ão efetuar o
cálculo dos indicadores básicos
da estrutura de posse de cativos;
indicadores estes que se verão
comparados com os resultados obtidos
por Paiva & Libby, Passos Subrinho,
Robert Slenes e Hebe Castro, sendo
os dois últimos para as localidades
de Campinas (SP) e Bananal, respectivamente.
Vejamos, pois, o que nos é
reservado pelos dados acima discriminados.
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