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Marco
Antonio Giffoni Junior
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Imigrante Italiano em Guaratinguetá |
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| O
Elemento Imigrante e a Cidade |
Essa
diferença de mentalidade
pode ser explicada pelo
fato de que o fazendeiro
do Vale do Paraíba
é apenas fazendeiro,
o que não é
de se admirar, pois quando
do auge do café,
o seu capital foi todo empregado
na compra de terras e escravos
e, quando da abolição
da escravatura, não
possuía recursos
para empregar em outras
atividades remuneradoras.
Ao passo que o fazendeiro
do Oeste, mais hábil
e modesto, cultivando terras
novas, conseguiu desviar
capitais para a formação
de bancos e sociedades anônimas,
passando a ter um novo interesse:
alargar o mercado interno
e, para isso a extinção
da escravatura e a entrada
dos imigrantes são
fatores decisivos. (FARIA
e outros, 1973, p. 73)
Em Guaratinguetá,
no entanto, observa-se uma
mentalidade mais próxima
da existente na região
do Oeste Paulista. A necessidade
das alterações
dos quadros econômicos,
além da influência
da família Rodrigues
Alves, de grande expressão
no cenário político
e favorável a introdução
de imigrantes e, bem como
a evolução
do processo de urbanização
do município, foram
fatores que fizeram com
que a comunidade aceitasse
o imigrante estrangeiro,
tornando-o parte integrante
e atuante do contexto social
da cidade.
Com a introdução
do imigrante e a abolição
da escravatura, começou
a se desenvolver em Guaratinguetá
o trabalho remunerado. Os
imigrantes contribuíram
muito com o desenvolvimento
do município, sua
colaboração
consistiu na introdução
de novas técnicas
de trabalho oriundas das
próprias condições
em que viviam em seus países
de origem.
O número de imigrantes
estrangeiros na cidade aumentou
consideravelmente a partir
de 1892, com o início
das atividades da colônia
do Piagui . Nessa ocasião,
a cidade recebeu imigrantes
das mais variadas etnias,
que tiveram um papel de
destaque na vida comunitária
da cidade, exercendo sua
influência tanto no
meio urbano como no meio
rural e, o imigrante italiano,
nosso objeto de estudo,
também participou
deste processo.
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Interior
da Casa Rocco, fundada em
1892, pelos irmãos
Rocco na rua Dr. Morais Filho.
Este estabelecimento comercial
existe até os dias
atuais sob a direção
de seus descendentes. Foto
pertencente ao acervo do Museu
Frei Galvão - Arquivo
Memória de Guaratinguetá.
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É
praticamente impossível
precisar quando teria vindo
o primeiro imigrante italiano
para Guaratinguetá,
as fontes consultadas mostram
que, antes de 1892, ano da
fundação da
Colônia do Piaguí,
já havia a presença
de italianos na cidade. Esses
imigrantes, em sua maioria
financiaram a viagem para
o Brasil por conta própria,
o que lhes concedeu maior
independência. Desses
imigrantes, destacamos alguns
nomes como Augusto Lucchesi,
que começou como mascate
e depois tornou-se proprietário
de loja; Thomas Rocco, que
montou uma relojoaria e posteriormente
uma loja de artigos finos
que por sinal existe até
os dias atuais sob a direção
de seus descendentes. Além
desses dois nomes, destacamos
também os irmãos
Barone (alfaiates), Pascoale
Panunzio (sapateiro), Rafael
Bisseglia (padaria) e Felix
Cioffi (médico). |
Monsenhor
João Filippo em foto
de 1906. Foto pertencente
ao Museu Frei Galvão
- Arquivo Memória de
Guaratinguetá. |
Outro
imigrante italiano dessa fase,
que teve grande projeção
em Guaratinguetá foi
o Monsenhor João Filippo,
nascido na província
de Cosenza, no sul da Itália
em 1845 e falecido nesta cidade
em 1928. Padre Filippo veio
para Guaratinguetá
em 1873, logo após
a sua ordenação
sacerdotal, exercendo por
muitos anos o cargo de auxiliar
do vigário da matriz
da cidade e, posteriormente,
como titular da mesma. Publicou
diversos livros católicos
e realizou diversas obras
ligadas à filantropia
como a construção
dos Colégios Nossa
Senhora do Carmo e de São
José, do Orfanato Puríssimo
Coração de Maria
e do Asilo Santa Isabel, bem
como as reformas das igrejas
matriz, do Rosário
e da Santa Casa. Devido a
esses atos ligados à
religião e à
caridade, o nome desse padre
imigrante ficou consagrado
em Guaratinguetá.
A partir de 1892, com a fundação
da Colônia do Piaguí,
o número de imigrantes
italianos na cidade aumentou
consideravelmente. Vindos
em sua maioria, de regiões
localizadas no norte da Itália,
esses imigrantes dedicaram-se
à rizicultura e à
agricultura de subsistência.
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Dentre
estes imigrantes que vieram
para a colônia, destacaremos
a trajetória de um
deles, Paolo Biagio Cavalca,
nascido em Mantova, região
da Lombardia em 1840, tendo
imigrado para o Brasil em
1878 juntamente com sua esposa
e filhos, dirigindo-se à
princípio para a Colônia
de Porto Príncipe,
no Vale do Itajaí,
em Santa Catarina onde, devido
a uma série de dificuldades
sofridas nesta região
e recebendo a notícia
da abertura de novas colônias
na região Sudeste,
transfere-se para lá,
deslocando inicialmente para
a Colônia de Porto Real,
em Resende e depois, para
Guaratinguetá, onde
ocupa, em 1892, um lote na
Colônia do Piaguí,
tornando-se uma figura influente
e defensora dos interesses
deste núcleo colonial,
tendo participação
ativa nas decisões
do mesmo. Foi um dos responsáveis
pela petição
reivindicando a construção
de uma igreja católica
na colônia, que foi
logo construída, tornando-se
uma das principais conquistas
destes colonos para o seu
núcleo colonial. Paolo
Cavalca faleceu em 1911, deixando
uma grande descendência,
considerada a maior entre
os imigrantes italianos em
Guaratinguetá. |
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