Estudos
A Imigração Italiana na Cidade de Guaratinguetá
(1880 - 1930)
  
   



Marco Antonio Giffoni Junior

O Imigrante Italiano em Guaratinguetá
 
O Elemento Imigrante e a Cidade

No século XIX ocorre a consolidação da cultura cafeeira na região do Vale do Paraíba, fato que se processa com grande intensidade, favorecida pela decadência do ciclo açucareiro. As regiões correspondentes às então províncias de São Paulo e Rio de Janeiro, marcadas por menor tempo pela economia dos engenhos do que as províncias situadas no nordeste brasileiro, conseguiram adaptar-se à essa sucessão de ciclos econômicos mais rapidamente e, com isso, a invasão dos cafezais em áreas antes dominadas pelos canaviais conseguem evitar a decadência em perspectiva da região. E, em 1836, a produção cafeeira supera completamente o açúcar no Vale do Paraíba.
Segundo Lucilla Hermann (1969), o período áureo do café na região compreende os anos de 1854 a 1886 e, com essa expansão, os municípios da região do Vale do Paraíba se enriquecem, forma-se uma elite rural com grande influência política que estende seu prestígio para o restante do país. O comércio sofre um impulso e as cidades se desenvolvem. Em Guaratinguetá, a situação não é diferente, pois também deve seu desenvolvimento urbano ao café, que trouxe novas possibilidades econômicas, sociais e políticas.

O café origina-se uma aristocracia rural e, com isso, forma-se em Guaratinguetá uma elite com base econômica e cultural, capaz de liderar na localidade seus partidários, orientando-os pelos mesmos princípios políticos que alimentavam os conflitos no país. (HERMANN, 1969, p. 169)

A educação privilegiada vai dar à elite rural um papel de grande importância na direção política da cidade, mas esse desenvolvimento intelectual é evidenciado não só pelo aparecimento de membros dessa elite agrícola com profissões liberais ou diplomas como também pelo desenvolvimento do número de escolas e jornais.
O ciclo cafeeiro faz surgir uma outra tendência bastante marcante no município que é a união entre os modos de vida rural e urbano. Tanto em Guaratinguetá, como em outras cidades do Vale do Paraíba que tiveram seu desenvolvimento urbano ligado pela cultura cafeeira, apresentaram um aumento demográfico provocado pela vinda de imigrantes de outras regiões do país e do estrangeiro bem como pelo aumento do número de negros escravos, que consistiam a mão-de-obra abundante e que serviu de base para a economia cafeeira.
Segundo Lucilla Hermann (1969), em 1872 havia em Guaratinguetá um total de 230 indivíduos procedentes de vários países, um número bem menor que em outras áreas cafeicultoras de São Paulo. Deste total, predominavam os homens solteiros de nacionalidade portuguesa, em sua maioria. Mas a abolição da escravatura impôs uma nova realidade, ou seja, a necessidade de substituição do escravo e, a solução encontrada seria a utilização do imigrante como mão-de-obra assalariada.

Em São Paulo, a imigração processou-se de maneira inteiramente diferente, pois não houve colonização, a principio, mas a simples importação de braços para substituir o mais depressa e de qualquer forma o braço escravo. Formou-se assim, inicialmente, em São Paulo, um proletariado rural ambulante que, sendo simplesmente assalariado, mudava de patrão com facilidade. (CENNI, 1975, p. 181)

Entretanto, os fazendeiros do Vale do Paraíba que dominavam a política e consideravam suas fortunas indestrutíveis, mantinham a ilusão de que mesmo com a abolição, o escravo não abandonaria o seu senhor e, com isso, asfixiavam a imigração com decretos absurdos baseados em seus preconceitos dificultando assim, o êxito da imigração na região, ao contrário do que ocorria na região do Oeste Paulista onde os fazendeiros incentivavam a introdução do imigrante em suas propriedades.



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