No
século XIX ocorre
a consolidação
da cultura cafeeira na região
do Vale do Paraíba,
fato que se processa com
grande intensidade, favorecida
pela decadência do
ciclo açucareiro.
As regiões correspondentes
às então províncias
de São Paulo e Rio
de Janeiro, marcadas por
menor tempo pela economia
dos engenhos do que as províncias
situadas no nordeste brasileiro,
conseguiram adaptar-se à
essa sucessão de
ciclos econômicos
mais rapidamente e, com
isso, a invasão dos
cafezais em áreas
antes dominadas pelos canaviais
conseguem evitar a decadência
em perspectiva da região.
E, em 1836, a produção
cafeeira supera completamente
o açúcar no
Vale do Paraíba.
Segundo Lucilla Hermann
(1969), o período
áureo do café
na região compreende
os anos de 1854 a 1886 e,
com essa expansão,
os municípios da
região do Vale do
Paraíba se enriquecem,
forma-se uma elite rural
com grande influência
política que estende
seu prestígio para
o restante do país.
O comércio sofre
um impulso e as cidades
se desenvolvem. Em Guaratinguetá,
a situação
não é diferente,
pois também deve
seu desenvolvimento urbano
ao café, que trouxe
novas possibilidades econômicas,
sociais e políticas.
O
café origina-se uma
aristocracia rural e, com
isso, forma-se em Guaratinguetá
uma elite com base econômica
e cultural, capaz de liderar
na localidade seus partidários,
orientando-os pelos mesmos
princípios políticos
que alimentavam os conflitos
no país. (HERMANN,
1969, p. 169)
A
educação privilegiada
vai dar à elite rural
um papel de grande importância
na direção
política da cidade,
mas esse desenvolvimento
intelectual é evidenciado
não só pelo
aparecimento de membros
dessa elite agrícola
com profissões liberais
ou diplomas como também
pelo desenvolvimento do
número de escolas
e jornais.
O ciclo cafeeiro faz surgir
uma outra tendência
bastante marcante no município
que é a união
entre os modos de vida rural
e urbano. Tanto em Guaratinguetá,
como em outras cidades do
Vale do Paraíba que
tiveram seu desenvolvimento
urbano ligado pela cultura
cafeeira, apresentaram um
aumento demográfico
provocado pela vinda de
imigrantes de outras regiões
do país e do estrangeiro
bem como pelo aumento do
número de negros
escravos, que consistiam
a mão-de-obra abundante
e que serviu de base para
a economia cafeeira.
Segundo Lucilla Hermann
(1969), em 1872 havia em
Guaratinguetá um
total de 230 indivíduos
procedentes de vários
países, um número
bem menor que em outras
áreas cafeicultoras
de São Paulo. Deste
total, predominavam os homens
solteiros de nacionalidade
portuguesa, em sua maioria.
Mas a abolição
da escravatura impôs
uma nova realidade, ou seja,
a necessidade de substituição
do escravo e, a solução
encontrada seria a utilização
do imigrante como mão-de-obra
assalariada.
Em
São Paulo, a imigração
processou-se de maneira
inteiramente diferente,
pois não houve colonização,
a principio, mas a simples
importação
de braços para substituir
o mais depressa e de qualquer
forma o braço escravo.
Formou-se assim, inicialmente,
em São Paulo, um
proletariado rural ambulante
que, sendo simplesmente
assalariado, mudava de patrão
com facilidade. (CENNI,
1975, p. 181)
Entretanto,
os fazendeiros do Vale do
Paraíba que dominavam
a política e consideravam
suas fortunas indestrutíveis,
mantinham a ilusão
de que mesmo com a abolição,
o escravo não abandonaria
o seu senhor e, com isso,
asfixiavam a imigração
com decretos absurdos baseados
em seus preconceitos dificultando
assim, o êxito da
imigração
na região, ao contrário
do que ocorria na região
do Oeste Paulista onde os
fazendeiros incentivavam
a introdução
do imigrante em suas propriedades.