|
Marco
Antonio Giffoni Junior
| Conclusão |
| |
Conforme
pudemos verificar no decorrer
do trabalho, a imigração
italiana em Guaratinguetá
possui muitas das características
comuns à outras regiões
do Brasil.
Os italianos chegaram aqui
num momento em que a Itália
passava por um processo de
unificação que
resultou numa grave crise
econômica que gerou
diversos transtornos na vida
dos habitantes deste país,
provocando um grande descontentamento
por parte dos patrícios,
que passaram a cogitar a transferência
para outros locais onde pudessem
ter condições
de prosperarem e de levar
uma vida melhor.
O Brasil, nesse mesmo período,
enfrentava uma grave crise
de mão-de-obra, que
começara com a proibição
do tráfico negreiro
em 1850, agravando-se ainda
mais com a assinatura da Lei
Áurea em 1888 libertando
os escravos, o que trouxe
grandes prejuízos para
os cafeicultores, que foram
obrigados a procurar uma nova
alternativa de substituição
de mão-de-obra pois,
não estavam dispostos,
devido ao preconceito de raízes
da época colonial,
de transformar os agora ex-escravos
em trabalhadores assalariados.
A solução encontrada
para substituir os escravos
nas lavouras foi a introdução
dos imigrantes nas mesmas.
A princípio optou-se
pelo sistema de parceria,
sendo o senador Vergueiro
o primeiro a tomar tal iniciativa,
mas que não deu certo
devido a má-fé
tanto dos cafeicultores quanto
dos imigrantes. Com isso buscou-se
então uma nova opção,
que foi o trabalho assalariado
e, assim, um grande número
de imigrantes estrangeiros
dirigiu-se para o Brasil,
sendo o italiano detentor
do maior contingente que emigrou
para o país, chegando
a representar a maior percentagem
de toda a imigração
nesse período.
Os imigrantes se dirigiram,
em sua maioria, para as fazendas
de café do Estado de
São Paulo, enquanto
um outro contingente se instalou
nos centros urbanos onde desenvolveu
diversas atividades.
No Vale do Paraíba,
a transição
de mão-de-obra escrava
para a assalariada ocorreu
de forma mais traumática
do que em outras regiões
do Estado, pois, a economia
cafeeira nessa região
estava totalmente baseada
no braço escravo. Os
fazendeiros valeparaibanos
possuíam uma mentalidade
diferente dos cafeicultores
do Oeste de São Paulo,
que consistia em manter todo
o seu capital investido em
terras e escravos e, por esse
motivo, tentaram de toda forma
colocar empecilhos para imigração.
Os europeus que emigravam
para o Brasil, de um modo
geral, vinham com o objetivo
de tornarem-se proprietários
de uma propriedade territorial
e, o governo brasileiro, conscientizando-se
de que a imigração,
além de organizar a
mão-de-obra, também
era a responsável pela
formação de
elementos que contribuiriam
para a formação
da nacionalidade do país,
se propõe a facilitar
ao imigrante a aquisição
de terras e, com essa finalidade
são criados os núcleos
coloniais que, no Estado de
São Paulo, localizavam-se
em diversas regiões,
dentre elas o Vale do Paraíba.
Na região do Vale do
Paraíba, as colônias
de maior destaque foram as
de Quiririm, em Taubaté;
a de Boa Vista, em Jacareí;
a de Canas, em Lorena e a
de Piaguí, em Guaratinguetá.
A cidade de Guaratinguetá
recebeu um grande número
de imigrantes italianos que
se instalaram tanto no meio
rural, onde ocupou lotes na
Colônia do Piaguí,
quanto no meio urbano, onde
desenvolveram as mais variadas
atividades. Assim como os
demais imigrantes que se deslocaram
para outras regiões
do país, o imigrante
italiano veio para Guaratinguetá
com o objetivo de prosperar,
ou seja, encontrar um local
para trabalhar, adquirir bens
e constituir família.
O século XX foi marcado
por diversos fatos importantes
como o pioneirismo da imprensa
regional e o desenvolvimento
do setor educacional, com
a instalação
da Escola Complementar, o
Ginásio Nogueira da
Gama, a Escola de Comércio
e a Escola de Farmácia.
Surgem os clubes, o teatro
e o mercado. Esse mesmo século
presencia a decadência
da produção
cafeeira e o surgimento de
novas alternativas que substituirão
o café como a pecuária,
a industrialização
e o comércio. Na segunda
metade deste mesmo século
surgem a Escola de Especialistas
da Aeronáutica, a Faculdade
de Engenharia (UNESP) e o
SENAC.
Atualmente, com uma população
de 104.219 habitantes, segundo
o censo do IBGE do ano de
2000, o município ocupa
uma área de 751 km,
a uma altitude de 530 metros
acima do nível do mar
(Estação Ferroviária),
possuindo um clima quente
e seco e situa-se a cerca
de 176 km da cidade de São
Paulo e a 237 km do Rio de
Janeiro. É servido
por estradas de rodagem como
a rodovia Presidente Dutra
(Nova Dutra) e por outras
estradas que o interligam
com as cidades vizinhas, o
litoral do Rio de Janeiro
e o estado de Minas Gerais,
além de ser servida
pela ferrovia (MRS Logística)
e por um aeroporto de pequeno
porte.
|
Vista
aérea da cidade de
Guaratinguetá (1985).
Foto pertencente ao acervo
do Museu Frei Galvão
- Arquivo Memória de
Guaratinguetá.
|
|
A
economia da cidade está
baseada no comércio,
na industrialização
e na agricultura. O setor
turístico encontra-se
ligado à religiosidade,
com grande movimentação
de turistas e romarias que
se deslocam à cidade
por causa de suas devoções
à Frei Galvão
e à Gruta Nossa Senhora
de Lourdes, além de
peregrinarem pelos outros
templos religiosos do município
que, assim como várias
outras construções
datadas da época colonial
e do ciclo do café,
reúnem uma diversidade
cultural e artística.
Na zona rural, esse potencial
turístico concentra-se
nas encostas da Serra da Mantiqueira
e no caminho para o Mar e,
na zona urbana, destacam-se
a arquitetura e a cultura,
ocorrendo uma fusão
entre o passado e o presente,
traços marcantes no
município.
A fundação da
Colônia do Piaguí,
em 1892 e a chegada de um
grande número de imigrantes
italianos para Guaratinguetá,
coincidiu com o período
de transição
entre a já decadente
lavoura cafeeira e o desenvolvimento
e consolidação
de outras alternativas de
substituição
a essa economia, no caso a
pecuária, a indústria
e o comércio.
Os italianos participaram
ativamente dessa fase, marcando-a
profundamente com sua influência
que se estende aos setores
político, econômicos
e sociais do município,
de onde podemos supor que
tal fato pode ter sido decorrente
de uma maior facilidade de
adaptação desses
imigrantes na comunidade do
que em outras cidades da região,
ainda bastante ligadas à
escravidão. Isso se
deu em virtude de uma conscientização
por parte das elites que dominavam
a política local, encabeçadas
pela família do ex-presidente
Rodrigues Alves, que se conscientizaram
de que os quadros econômicos
precisariam ser mudados em
virtude da abolição
e da decadência do café
e, com isso tornaram-se simpatizantes
da questão da imigração,
fazendo com que o município
aceitasse com mais facilidade
o imigrante. A esse fato soma-se
o processo de urbanização
pelo qual passava a cidade,
gerando um contexto de onde
o imigrante tornou-se parte
integrante e atuante.
Esses imigrantes italianos,
assim como seus conterrâneos
que se instalaram no Oeste
Paulista não se limitaram
somente à monocultura
pois, no setor rural desenvolveram
outras atividades, dentre
as quais a agricultura de
subsistência, produzindo
excedentes que eram comercializados
na cidade, uma prática
até então desconhecida
no município. E no
setor urbano, para onde se
dirigiram muitos imigrantes
que vieram para o Brasil com
o objetivo de se tornarem
comerciantes ou artífices,
muitos instalaram casas comerciais,
pequenas indústrias
além de se dedicarem
à execução
de atividades artesanais,
sem esquecer, entretanto,
do aspecto cultural onde o
também mostrou sua
influência, modificando
profundamente os hábitos
e o modo de vida dessa comunidade,
contribuindo desse modo decisivamente
com o desenvolvimento da cidade
de Guaratinguetá, cujos
efeitos podem ser notados
até os dias atuais. |
|