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PATRIMÔNIO CULTURAL: REVITALIZAÇÃO E UTILIZAÇÃO
Por
Fábio José Garcia dos Reis
PATRIMÔNIO
AMBIENTAL E CULTURAL
Entre
muitas regiões do Brasil que se
caracterizam pela riqueza do patrimônio
ambiental e cultural, decidimos
discutir e apresentar a singularidade
do Vale do Paraíba, pois é uma região
viável para a consolidação de políticas
e investimentos na preservação do
patrimônio e na manutenção da identidade
cultural. A globalização se consolidou
em algumas cidades que ainda mantêm
as tradições da cultura e a exuberância
do meio ambiente. O Vale do Paraíba
paulista caracteriza-se pela localização
geográfica: é cercado pelas Serra
da Mantiqueira e pela Serra do Mar,
é uma região de elo entre os Estados
de São Paulo, Minas Gerais e Rio
de Janeiro.
Na
região, encontramos trilhas, cachoeiras,
picos (por exemplo, o Pico da Mina
em Queluz ) parques estaduais, áreas
de proteção ambiental e um "mar
de morros", o que indica a diversidade
do patrimônio natural. Muitos lugares
não são ocupados pelas cidades,
aliás, os municípios em que o processo
de industrialização e modernização
não se consolidaram, apresentam
espaços propícios para o desenvolvimento
do turismo de aventura ou rural.
Instituições como o SEBRAE e ONGs
têm contribuído com o desenvolvimento
da ocupação ordenada da área rural,
através de empreendimentos turísticos.
O envolvimento da comunidade rural
e de empresários que possuem terras,
fazendas e produções agropecuárias,
com o turismo, permitiu o aumento
do fluxo de visitantes. Ao mesmo
tempo, a consciência de que o meio
ambiente precisa ser respeitado,
tem despertado na sociedade o sentimento
de preservação ambiental e de investimento
em empreendimentos turísticos. Através
da regional de Guaratinguetá, o
SEBRAE é um exemplo de incentivo
ao turismo em Cunha, Bananal, Areias
e Queluz, desenvolvendo programas
específicos.
Entendemos
que as atividades em áreas rurais
podem contribuir com a comunidade
e com as políticas de preservação
do patrimônio ambiental. Segundo
Moletta, a atividade turística no
meio rural "significa um meio para
aumentar a sua renda mensal, de
forma harmônica, valorizando sua
propriedade e o seu estilo de vida".
Representa a oportunidade do homem
urbano "resgatar suas origens culturais,
o contato com a natureza e a valorização
da cultura local" (MOLETTA, 1999.
p. 9). Obviamente, esse tipo de
atividade pode trazer impactos negativos
para o patrimônio ambiental e para
a cultura do homem do campo. A mudança
de hábitos, a degradação do local,
a descaracterização da cultura e
o excesso de lixo, são fatores que
inviabilizam o desenvolvimento sustentável.
O envolvimento da comunidade rural,
de instituições compromissadas com
o meio ambiente e com a cultura
são fundamentais para que o impactos
não acarretem transformações significativas.
Da
mesma forma, podemos discutir a
importância de nossos parques, cachoeiras,
trilhas e picos. Como conciliar
a visitação e o turismo no Parque
Estadual, Horto Florestal e no Pico
do Itapeva em Campos do Jordão,
no Parque da Nacional da Serra da
Bocaina entre Bananal e São José
do Barreiro, na Cachoeira dos Veados
ou de Santo Isidro, que ficam nesse
parque, ou mesmo, na Trilha do Ouro
que corta a Bocaina? Instituições
como o IBAMA, SOS Mata Atlântica
e ONGs são fundamentais para a preservação
ambiental e devem exercer papel
de orientação para a ocupação. As
Instituições de Ensino Superior
e o Instituto de Estudos Valeparaibanos
também devem colaborar como políticas
e ações para a preservação do patrimônio
ambiental. As instituições precisam,
com urgência, consolidar projetos
de parcerias para atuarem de forma
conjunta, não fragmentando investimentos
e os recursos humanos.
A
cultura e a história regional é
marcada pelas "Fazendas do Café"
e palas Festas profanas e sagradas,
em que os barões, escravos, comerciantes,
padres, tropeiros, viajantes, advogados,
homens pobres e livres, entre outros,
foram agentes da história e representam
diversidade e identidade cultural.
Como herança cultural temos as festas,
danças e a culinária. Celebrações
como a Festa do Divino e de São
Benedito marcam o calendário nacional
e são intensamente comemorados no
Vale do Paraíba. As manifestações
ocorrem entre um elo de tradições
e novos comportamentos, típicos
da dinâmica cultural da modernidade.
As fazendas do café, símbolos do
poder e da economia do século XIX,
representam na atualidade, uma oportunidade
para seus proprietários, pois podem
transformá-las em locais turísticos.
É o que ocorre em fazendas como
Boa Vista e Três Barras em Bananal,
Paineiras em São Luís do Paraitinga,
Pasto Grande em Taubaté, Fazenda
Amarela em Lorena ou Boa Vista em
Roseira (MAIA, 2000). São patrimônios
que se revitalizam para abrigar
hotéis ou locais para visitação.
A transformação desses locais representa
uma alternativa para os proprietários
evitarem "falência do local"; no
sentido de que as demais atividades
econômicas (pecuária e a produção
de leite) não viabilizam os custos
de manutenção e impedem os investimentos
de revitalização do patrimônio.
Em Barra do Piraí, (Rio de Janeiro),
através da Fazenda Ponte Alta (os
proprietários recebem os turistas
com vestimentas e música do século
XIX), e em Carandaí (Minas Gerais),
na Fazenda Estalagem ( preservação
da mata e das construções), as atitudes
dos proprietários vão no mesmo sentido.
Observa-se que os investimentos
nas fazendas, realizadas com pesquisas
e pessoal competente e comprometido,
consolidam a revitalização e possibilitam
a utilização adequada do patrimônio.
O
Vale do Paraíba,necessita de cidades
que respeitem os espaços urbanos
e públicos, pois existem cidades
como São José dos Campos e Jacareí
que se industrializaram e se modernizaram
e ainda mantêm o patrimônio cultural
e ambiental. Do outro lado, temos
exemplos de cidades como Cunha,
Silveiras, Areias, Queluz, São José
do Barreiro, Arapeí, Bananal e São
Luís do Paraitinga, que possuem
um legado ambiental e cultural que
simbolizam a riqueza e a originalidade
do Vale do Paraíba, como região
em que o patrimônio necessita de
cuidado e profissionais competentes.
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