SALA DE COMUNICAÇÃO
História da Comunicação
  
   


 

A Comunicação não é um fenômeno isolado nem contemporâneo. Como atividade humana, é necessário considerá-la integrada aos processos culturais e, para estudar sua evolução, não é possível desvinculá-la da cultura. No entanto, como os meios de comunicação de massa empregam uma sofisticada tecnologia, aqui, no sentido de engenho, de máquinas, pode-se ter a falsa idéia de que a comunicação é um fenômeno recente, produto de uma tecnologia contemporânea. Na realidade, quando encaramos a comunicação numa perspectiva histórica, verificamos que as técnicas se transformaram, mas conteúdo e significados permaneceram os mesmos. Tal como a história em geral, a história da comunicação exige perspicácia do pesquisador para diagnosticar os processos de gestação dos fenômenos de comunicação, assim como sua utilização pela comunidade. É necessário estar atento ao conjunto das realidades que circundam o homem para poder compreender a presença da comunicação na sociedade, numa determinada conjuntura. O homem, como todo animal, está sujeito às necessidades do meio, que têm de ser atendidas para que os indivíduos possam sobreviver e procriar. Para tanto, ele desenvolve um ambiente secundário, artificial. Este ambiente nada mais é do que a cultura. Neste sentido, Herskovits a define como "a parte do ambiente feita pelo homem" e E. B. Taylor, numa conceituação mais pormenorizada, focaliza-a como "o conjunto complexo que inclui conhecimentos, crenças, arte, moral, leis, costumes e quaisquer capacidades e hábitos, adquiridos pelo homem como membro da sociedade".
Deste conjunto complexo vamos destacar;
1.º) O conjunto das relações dos homens entre si, que caracteriza, ao mesmo tempo, a estática e a dinâmica da existência social. As relações entre os homens implicam sempre um processo de comunicação; entre elas destacamos o aprendizado, quer seja no sentido de aculturação, quer no sentido de contato e difusão, formas fundamentais da transmissão da cultura. Quando se trata de aprendizado, ficam implícitas as formas de dominação, pois nelas encontramos processos que contêm pressão e persuasão.
2.º) O conjunto das formas de expressão de que se serve o homem. A sociedade, como um todo, expressa-se pela arte e esta se constitui num dos campos básicos para o estudo da comunicação. Através da literatura e do teatro, das artes plásticas e da música, pode-se captar a visão de mundo de uma sociedade num determinado momento histórico.
3.º) O conjunto das relações dinâmicas entre os homens e seu meio natural, relações essas que se manifestam mediante o emprego das técnicas. Sendo o espaço geográfico a realidade histórica mais imutável, sobre ele o homem vem exercendo contínua atividade, no sentido de dominá-lo por meio da técnica. Desde que o homem iniciou a domesticação de animais e os utilizou para reduzir as distâncias até à mais moderna tecnologia de transmissão por satélite, o seu objetivo tem sido a eliminação do binômio espaço-tempo. As distâncias, medidas em anos e meses, foram sendo reduzidas a dias, horas e minutos, até o espaço ser praticamente "eliminado" na "aldeia global".
Tomando como base estes três segmentos da cultura, podemos definir a comunicação como o conjunto das relações dos homens entre si, das formas de expressão das quais se servem e do emprego de técnicas. Para uma análise da história das comunicações do Brasil é preciso considerar as transformações pelas quais, aos poucos, o espaço foi vencido, ou ainda não, como barreira nas relações dos homens entre si. Para pesquisá-la é necessário, portanto, partir da própria formação da cultura brasileira, concebida assim "ela existe porque existe uma história que se desenrola dentro dos limites geográficos do país, sob condições econômicas, políticas, administrativas e culturais específicas.

A Comunicação e a Cultura no Brasil
A chegada dos portugueses ao Brasil em 1500 marca o início da sua integração ao complexo cultural cristão-ocidental. Ao contrário dos espanhóis, que, na América, entraram em contato com culturas desenvolvidas como a asteca e a inca, os portugueses encontraram culturas nômades, com características muito primitivas. Este é um elemento importante para se compreender a fusão cultural e os processos de comunicação entre portugueses e indígenas. A mímica foi, sem dúvida, o primeiro meio de comunicação entre portugueses e indígenas, como testemunha a carta de Pero Vaz de Caminha a D. Manuel, mas, de imediato, a música e a dança também desempenharam processo idêntico. Este primeiro contato entre portugueses e nativos se caracterizou por uma cordialidade que perduraria algum tempo. A atração dos trópicos, os naufrágios de barcos e a sensualidade que distinguiram as relações entre europeus e nativos foram as forças constantes que atuaram no princípio da colonização brasileira. Narra ainda Pero Vaz de Caminha que, além, dos degredados deixados em terra, ficaram mais dois grumetes que fugiram da nau durante a noite e não mais voltaram. Estes e tantos outros fugitivos, degredados e náufragos atuaram como meio de comunicação entre europeus e índios. João Ramalho e Diogo Álvarez Correia, apenas para citar dois exemplos clássicos, viveram em harmonia entre as tribos indígenas, aprenderam seu idioma e tiveram muitos filhos; foram os primeiros intérpretes e suas proles constituíram a primeira geração mestiça, os mamelucos. Esta primeira geração foi também bilíngüe, aprendendo tanto o português de seus pais como idioma nativo de suas mães. A língua estava iniciando sua função de comunicação no Novo Mundo.

Fonte: http://www.rodrigopereiradecastro.hpg.ig.com.br/ComunicacaoPodereCensuraLGT.html

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