ROSEANE
ARCANJO PINHEIRO - Jornalista, aluna
do Mestrado em Comunicação
Social/UMESP
Resumo
Faz-se
uma leitura sobre o posicionamento da
grande imprensa no Maranhão nos
primeiros dias após o golpe militar
de 31 de março de 1964, destacando
reportagens, editoriais e notas publicadas
e contextualizando o material jornalístico
com os panoramas nacional e local. O
trabalho está calcado em reflexões
de Maria Helena Capelato sobre a articulação
história e produção
jornalística, tendo como apoio
as pesquisas de Ferreira Jr.e Wagner
Cabral da Costa sobre o jornalismo e
a política maranhense na década
de 60. Aborda-se ainda as ações
pela valorização da memória
da imprensa brasileira, através
da REDE ALCAR e seu Núcleo Maranhense,
que consideram especialmente os veículos
impressos enquanto bem coletivo e fonte
de múltiplos olhares sobre história
política do país.
Palavras-chaves:
política, imprensa, jornalismo,
história do Brasil
1.
A história, a política
e o jornalismo em pauta
Com vistas à comemoração
do Bicentenário da Imprensa Brasileira
em 2008, a Rede Alfredo de Carvalho
(REDE ALCAR), movimento nacional pela
memória da imprensa e a construção
da história das mídias,
vem desde 2001 estimulando em todo o
país a valorização
da história das mídias
brasileira e a preservação
da memória dos meios de comunicação
enquanto patrimônio coletivo,
fonte da diversidade de ideários
políticos que marcaram momentos
históricos relevantes no Brasil
e palco da ação de homens
e mulheres em torno das transformações
sociais, culturais, políticas
e econômicas.
Como nos diz CAPELATO: "a imprensa,
ao invés do espelho da realidade,
passou a ser concebida como espaço
de representação do real,
ou melhor, de momentos particulares
da realidade. Sua existência é
fruto de determinadas práticas
sociais de uma época. A produção
desse documento pressupõe um
ato de poder no qual estão implícitas
relações da serem desvendadas"
(1998, p. 24-25).
No Maranhão, o Núcleo
da REDE ALCAR foi fundado em 20 de agosto
de 2003 com a participação
de professores, alunos, pesquisadores
e profissionais. Com perfil singular,
o Núcleo Maranhense foi idealizado
por profissionais atuantes na Associação
Maranhense de Imprensa, na gestão
na jornalista Edvânia Kátia
Sousa Silva, origem diferente de núcleos
de outros Estados, onde a iniciativa
foi de professores e alunos dos Cursos
de Comunicação. A primeira
coordenadora do Núcleo foi a
jornalista Roseane Pinheiro, no período
de 2003-2004. Atualmente, o professor
Ms. Marcos Fábio Belo Matos está
à frente das atividades.
O Núcleo estadual, com a finalidade
de pautar a história das mídias
na imprensa, selou parcerias com os
jornais O Estado do Maranhão
e O Imparcial, onde iniciou a publicação
de séries História e Imprensa,
em 2003, e Memória em Pauta,
em 2004, respectivamente.
A Série História e Imprensa,
publicada mensalmente no Caderno Alternativo/O
Estado do Maranhão, objetiva
divulgar obras acadêmicas relacionadas
à imprensa. Em seu segundo ano,
a série publicou 21 resenhas
que abordaram as charges no século
XIX, a chegada do cinema em São
Luís, as revistas do início
do século XX, a cobertura da
imprensa sobre o golpe militar de 1964,
a produção intelectual
e literária de jornalistas (Aluísio
Azevedo, José Louzeiro e Sebastião
Jorge), a mídia e a divulgação
da cultura popular, a perspectiva da
imprensa sobre a administração
de governadores (gestão Newton
Belo na década de 60), entre
outros temas.
A Série Memória em Pauta
aborda a visão dos comunicadores
a respeitos de fatos históricos.
São realizados debates e os eventos
transformaram-se em reportagens veiculadas
no Caderno Ímpar/O Imparcial.
O programa Guerra dos Mundos/Rádio
Difusora (1972), os desafios enfrentados
pelo jornalismo ecológico e o
desenvolvimento sustentável,
a cobertura jornalística sobre
a greve de 1979 e o movimento estudantil
no Curso de Jornalismo foram alguns
assuntos selecionados para a Série.
A duas séries vislumbram o jornalista
como ser político, que a partir
dos afazeres de sua profissão
pode consolidar ou rechaçar ideologias.
No entanto, ressaltamos que pensamos
a política como espaço
onde homens e mulheres podem costurar
articulações com o objetivo
de transformar a realidade, o que pode
acontecer dentro ou fora da estrutura
do Estado (THOMPSON,1998).
Dando segmento às ações
do Núcleo Estadual, nos dias
10 e 11 de novembro de 2004, a AMI realizou
o I Encontro da História das
Mídias Maranhenses, quando foram
reunidas 21 pesquisas produzidas por
professores, alunos e profissionais
dos Cursos de Comunicação
Social, História e Biblioteconomia.
Durante o encontro foi realizada a conferência
pelo presidente nacional da REDE ALCAR,
prof. Dr. José Marques de Melo.
O objetivo foi estimular a produção
científica sobre a memória
das mídias maranhenses e valorizar
o esforço de jornalistas que
pautaram o tema em suas reportagens.
A (re)construção da história
dos veículos de comunicação
no Maranhão tenciona também
dinamizar o acesso aos acervos públicos
onde estão reunidos periódicos,
documentos e obras sobre a imprensa
e a história. Atualmente o material
pode ser consultado na Biblioteca Benedito
Leite, no Centro da capital, que possui
acervo com 120 mil obras, entre livros,
revistas, jornais, fotografias, microfilmes,
manuscritos e obras raras. A Biblioteca
apresenta coleção de 505
títulos de jornais, sendo 132
destes microfilmados, sendo possível
a impressão dos mesmos para os
pesquisadores. O Arquivo Público
do Maranhão é outra relevante
instituição que dispõe
de documentos dos períodos Colonial,
Imperial e Republicano, incluindo documentação
do DOPS - Delegacia de Ordem Política
e Social.
Por sua vez, a Biblioteca da Universidade
Federal do Maranhão (UFMA) disponibiliza
obras, como monografias, dissertações
e teses sobre a temática, com
acesso on line, assim como o Núcleo
de Pesquisa e Documentação
Histórica Professor Mário
Meireles/Departamento de História,
que constituiu acervo com trabalhos
científico dos professores e
estudantes de História, que podem
ser consultados por pesquisadores e
a comunidade. Outras fontes para a história
da imprensa maranhense podem os arquivos
dos jornais, emissoras de TV e rádios,
que guardam coleções antigas,
fotografias, discos, móveis e
equipamentos.
Esses primeiros passos da imprensa no
Maranhão, que podem ser pesquisados
através do acesso aos arquivos,
foram dados pelo jornal O Conciliador,
começou a circular em 15 de abril
de 1821, no entanto, somente a data
de 10 de novembro rodou impresso. Por
isso, esta data é considerada
o Dia da Imprensa Maranhense, de acordo
com as pesquisas do professor Sebastião
Jorge.
Financiado pelo governador da Província,
Bernardo da Silveira Pinto da Fonseca,
o jornal foi fundado em meio à
luta entre brasileiros e portugueses,
divididos quanto à Independência
do Brasil. Com formato de papel almaço
comum, O Conciliador foi jornal oficial
e noticioso e de linguagem agressiva
e inconseqüente na defesa de seus
interesses enquanto órgão
áulico. Seus excessos eram tantos,
conta o pesquisador, que geraram uma
representação de 65 cidadãos
de São Luís, enviada a
D. João VI com reclamações
contra as injúrias publicadas
pelo referido periódico. O jornal
deixou de circular em 16 de julho de
1823, após 210 números.
3. Imprensa brasileira nos anos 60:
golpe, acomodação e turbulências
A
partir dessas reflexões sobre
as atividades da REDE ALCAR, com o intuito
de valorizar a história da imprensa,
que se entrelaça à história
sociocultural do país, podemos
entender um pouco do que se passou na
ilha de São Luís, no período
de crise política na década
de 60, retomando o tema da série
História e Imprensa, de abril
de 2004, época do aniversário
de 40 anos da instauração
do golpe militar.
O marco daquele momento político
turbulento foi o discurso do presidente
João Goulart, no dia 30 de março
de 1964, no Automóvel Clube do
Rio de Janeiro, em favor do "motim
dos marinheiros", movimento que
contestou punições a oficiais
da Marinha brasileira. O discurso de
Jango, ex-ministro de JK e herdeiro
político de Getúlio Vargas,
enfureceu as Forças Armadas,
já descontentes com as propaladas
"reformas estruturais" e a
"ameaça comunista",
simbolizadas pelas ações
do governo, que havia visitado a China
comunista e premiado Che Guevara em
plena Guerra Fria.
Na madrugada no dia seguinte, tropas
militares, sediadas em Minas, marcharam
até São Paulo, instaurando
um regime de exceção,
que perdurou até 1985, caracterizado
por censura, abertura ao capital internacional,
investimentos em telecomunicações,
crise econômica, política
ufanista e atos de violência.
Antes da queda de Jango, que se refugiou
no Uruguai, o governo enfrentou crises
internas. A saída tempestuosa
de Jânio, as marchas "pela
família e com Deus pela liberdade",
comandadas pela Igreja e a classe média
conservadora, e a adoção
relâmpago e frustrada do parlamentarismo
- visando enfraquecer o presidente -
minaram a resistência política
do grupo dominante, deixando margem
para a atuação dos militares.
A imprensa brasileira, especialmente
os jornais maiores, como O Estado de
São Paulo, O Globo, Jornal do
Brasil e o Diário Carioca, entre
outros, encamparam o discurso dos novos
núcleos de poder, que passaram
a dirigir os destinos do país
com o golpe de 1964. Na ótica
dos jornais, havia o "perigo comunista"
e uma "crise institucional"
a ser vencida. "A grande imprensa,
em sua quase maioria, exulta. As manchetes
dos jornais expressam indignação
contra o presente, entusiasmo e otimismo
quanto ao futuro" (CAPELATO,1988,
p.53)
Para o jornalista e pesquisador Bernardo
Kucinski, os proprietários desses
jornais aderiram à ordem política,
defendendo seus interesses. "Uma
releitura do material histórico
nos permite qualificar essa participação
muito mais como passiva - uma acomodação
à inevitabilidade do golpe -
do que ativa" (1997). Outros veículos
impressos, como o Correio da Manhã,
do Rio de Janeiro, fizeram oposição
ao regime autoritário, no entanto
não sobreviveram às pressões
e prisões de seus proprietários.
A ruptura política, materializada
através do golpe militar de 1964,
estava articulada aos preceitos políticos
gestados na Escola Superior de Guerra,
sob a égide da Lei de Segurança
Nacional, instituída em 09 de
março de 1967 (SPINDEL,1981).
Os representantes da oposição
que se articularam foram considerados
"inimigos da nação"
e por isso deveriam ser eliminados.
Durante a ditadura militar, os governos
autoritários utilizaram as mídias
para propagar seus projetos políticos
por meio da ação da propaganda
ideológica como conta QUEIROZ
(2004). Os presidentes/generais fundaram
a Assessoria Especial de Imprensa e
Relações Públicas
(ADIRP), organizaram diversas campanhas
com fortes slogans ("Brasil, ame-o
ou deixe-o, "Pra frente Brasil"
etc) e espalharam torres de transmissão
através da Embratel com o intuito
de conquistar a opinião pública.
4.
Jornais maranhenses: jogo de forças,
subversão e os gorilas
Com
uma população de aproximadamente
2 milhões e 500 pessoas, o Maranhão
apresentava, no início dos anos
60, um reduzido número de veículos,
poucos jornais e emissoras de rádio
e apenas uma emissora de TV, fundada
em 1963. Os periódicos tinham
tiragem de cerca de mil jornais, um
número pouco expressivo (FERREIRA,
1998).
No contexto político, os jornais
expressavam os anseios dos agrupamentos
políticos aos quais pertenciam.
O professor do Departamento de Comunicação
Social da UFMA, José Ribamar
Ferreira Jr, na obra A arena da palavra,
destacou quatro jornais da capital que
circularam no início dos anos
60, os quais escolhemos para termos
uma panorâmica sobre o discurso
difundido sobre a instalação
dos governos militares.
Vamos conhecer um breve perfil dos jornais
que circulavam à época,
como aponta FERREIRA (1998):
- Correio do Nordeste, defensor dos
interesses dos comerciantes, tendo a
frente o jornalista Zuzu Nahuz;
- Diário da Manhã, do
governador Newton Belo;
- Jornal do Povo, ligado ao PSP, que
criticava o Vitorinismo e o governador,
o veículo abrigava ainda em suas
páginas a UDN maranhense, constituindo-se
no diário mais influente daquele
momento, sendo dirigido pelo deputado
Neiva Moreira;
- Jornal Pequeno, contrário ao
grupo de Vitorino Freire e ao governo
estadual, mas sem vinculação
partidária formal, abrigando
em suas páginas forte cobertura
policial e esportiva. Somaremos a esses,
indicados pelo professor;
- Incluímos ainda o Jornal do
Dia, fundado em 1959, cujo diretor foi
o empresário Alberto Aboud. Em
1º de maio de 1973 foi comprado
por José Sarney, que mudou o
nome do veículo e fundou o jornal
O Estado do Maranhão, que circula
até hoje.
O
jogo de forças, estampado no
conjunto das notícias divulgadas,
estava dominado pela figura de Vitorino
Freire, líder do Partido Social
Democrático (PSD), que apoiou
o general Henrique Lott, derrotado por
Jânio Quadros. Na oposição
ao Vitorinismo figurou o Partido Social
Progressista (PSP), que "rachou"
nas eleições de 1960.
Neiva Moreira apoiou Lott e o deputado
Henrique de La Roque ficou ao lado de
Jânio. Despontando naquele momento
histórico estava o udenista José
Sarney, que elevou seu prestígio
no plano nacional ao apoiar do candidato
da "vassourinha".
O professor Wagner Cabral da Costa,
na obra "Do 'Maranhão Novo'
ao 'Novo Tempo': a trajetória
da oligarquia Sarney no Maranhão",
analisou a chegada de novos atores ao
Poder Executivo local nos anos 60. "De
imediato, foi desencadeada uma forte
onda repressiva que atingiu, no Maranhão,
os setores nacionalistas e de esquerda
(...) Assim, José Sarney, com
uma postura mais moderada, se consolidou
como uma das lideranças da oposição,
tornando-se seu candidato a governador
nas eleições de 1965"
(1997, p. 05)
Os primeiros momentos do golpe militar
assombraram as páginas dos jornais
de São Luís. As edições
do dia 1º de abril narravam a movimentação
em todo o país, o esboço
na resistência no Rio Grande do
Sul e a o desmoronamento do governo
de João Goulart. As chamadas
das primeiras páginas ora convergiam
para o simples relato dos fatos ora
mostravam o choque entre as forças
políticas.
O Jornal Pequeno pontuou a disputa pelo
poder em sua chamada principal de capa:
"Direita abre caminho ao golpe:
agoniza o regime da liberdade no Brasil".
Na mesma página, outro texto,
intitulado "Dramática a
situação nos Estados sulistas",
informava: "O pronunciamento do
Presidente Goulart, concitando os sargentos
e marinheiros às reformas de
base, fez recrudescer a crise político-militar
do país. Em conseqüência,
o governo Magalhães Pinto rompeu
com o governo federal, esboçando-se
então um movimento armado contra
o governo da União".
Também em edição
dessa mesma data, o Diário da
Manhã, destacou a tentativa frustrada
de evitar as repercussões do
golpe de estado: "Jair Dantas:
'ordem será mantida a qualquer
custo'. Todo exército de prontidão
- ordem do Ministro da Guerra, general
Jair Dantas Ribeiro". Mas que ordem
deveria ficar inalterada?
Na mesma página, abaixo, no mesmo
número do periódico, uma
nota da Secretaria de Segurança
do Estado, assinada pelo coronel Antônio
de Carvalho Freitas, comandante da PM,
determinava que a população
não participasse de manifestações
públicas em São Luís.
No decorrer da situação
"anormal", vivida pelo país,
confirmou o secretário, "o
risco de degenerarem tais manifestações
em tumultos prejudiciais à paz
e à segurança sociais".
Portanto, qualquer ato em relação
ao novo regime estava proibido expressamente
em São Luís, até
outro comunicado oficial.
No dia 02 de abril, os sinais de que
estava consumada a ditadura eram claros.
O Jornal Pequeno publicou o artigo de
João Rocha de Jesus, chamado
"Poderes contrários",
referindo-se ao discurso de Jango no
dia 13 de maio, na Central do Brasil,
quando defendeu as reformas estruturais
para o Brasil. "Isso é o
novo na história política
do país na direção
(...) Podemos chamar isso de subversão.
De fato estamos mesmo subvertendo uma
velha ordem social, caduca, negativa,
anti-popular e anti-patriótica",
disse João Rocha, na defesa do
presidente eleito pelo povo.
No entanto, em alguns jornais, a intenção
era cortejar as vitoriosas forças
militares. O Correio do Nordeste, em
08 de abril em 1964, pregou o antagonismo
entre a "subversão",
representada pela política de
Jango, e a manutenção
das "prerrogativas democráticas",
como discorreu no editorial Benditos
os gorilas, os gorilas brasileiros:
"o que ninguém pode negar
às nossas Forças Armadas
é que estas só se envolvem
em revolução quando a
revolução é o último
recurso (...) As Forças Armadas
não fizeram a revolução.
Quem as conduziu a êsse vitorioso
movimento de rebeldia cívica?
Senão o próprio João
Goulart". Sobrou uma crítica
à imprensa "vermelha",
que "vem há muito há
muito querendo incluir o soldado brasileiro
entre os chamados 'gorilas' sulamericanos
que, quando a quando fazem baderna e
montam barraca na presidência...".
E eles já estavam lá.
No clima de guerra que se instalou no
país com a chegada dos militares
ao poder em 1964, ocorreram perseguições
aos partidos ou organizações
que poderiam questionar a nova realidade
política e, por conseqüência,
os grupos econômicos beneficiados
com as medidas a serem tomada a partir
dali. Nada melhor do que desbaratar
qualquer tentativa de resistência.
Nessa lógica, as tropas militares
começaram a vasculhar as cidades.
Em São Luís, não
foi diferente.
Dessa forma, a descoberta de uma "intentona
comunista" foi parar nos jornais
da capital no quinto dia após
o golpe, "arquitetada" em
plena praça João Lisboa.
Uma chamada com duas fotos, ilustrou
a chamada sobre o fato na capa do Correio
do Nordeste, em 08 de abril, com o título
"Exército desbarata golpe
vermelho no Maranhão":
Tratava de uma "intentona vermelha
que os comunistas locais premeditavam
a cabo", com a apreensão
de "farto e comprometedor material
de propaganda subversiva" no edifício
São Luís, à praça
João Lisboa, onde funciona a
redação do jornal Novos
Rumos. A operação resultou
em prisões no quartel da 24º
BC de "numerosos comunistas que
agitavam nesta capital", noticiou
o Correio. O Jornal do Dia, edição
de 05 de abril, informou as entidades
que foram os verdadeiros alvos da ação:
"foram assim vasculhados a agência
do jornal Novos Rumos, o Sindicato dos
Comérciários, onde funciona
o Pacto de Unidade dos Trabalhadores
do Maranhão e o Comando Geral
dos Trabalhadores, o Sindicato dos Bancários
e a UMES..."
O episódio no Edifício
São Luís poderia ter como
alvo também o Sindicato dos Jornalistas
Profissionais, localizado no mesmo andar
e ao lado da agência do Jornal
Novos Rumos, como indica a reportagem:
"fato que gerou alguma confusão
na cidade, supondo alguns que a incursão
do exército fôra naquele
órgão de classe".
As prisões das lideranças
- como William Moreira Lima e de Maria
Aragão - eram dadas como certas,
o que se efetivou dias depois.
O capitão Tavares de Silva, indicou
o Jornal do Dia, na página 7
da mesma edição de 05
de abril, realizou um pronunciamento
nos meios de comunicação,
para informar os objetivos da movimentação:
"prender agitados e aprender material
de propaganda comunista", com o
saldo de "impressionante quantidade
de propaganda subversiva, compreendendo
em milhares de livros e panfletos...".
Se as repercussões do golpe militar
de 1964 atingiam São Luís
em sua primeira semana, o governo estadual
esboçava ao mesmo tempo seu apoio
ao comando político das forças
que tomaram o poder. O governador Newton
Belo não hesitou e enviou um
telegrama a Ranieri Mazzili, que assumiu
a presidência da República
no lugar de Jango, como noticiou o Jornal
Pequeno (03 de abril):
"... Em nome do povo do Maranhão,
nossa confiança no restabelecimento
da paz e tranqüilidade da família
brasileira agora livre da ameaça
extremista no revigoramento da democracia
prestigiada pela coesão e patriotismo
nas nossas gloriosas Forças Armadas",
garantiu o governador.
Referências
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