A PINGA ROSINHA NA COLÔNIA DO PIAGÜÍ
Por José Prado Pereira Junior, Heráclito Lages Vesaro, Marcos Rodrigues, Valéria Cristina da Silva Navarro


Com a chegada dos imigrantes italianos no Brasil, no século XIX, um grupo acabou por se deslocar para o Vale do Paraíba, para o município de Guaratinguetá, estabelecendo-se na Colônia do Piagüí. Este grupo , quando ali chegou, abrigou-se numa velha cabana até tomar posse de suas terras.
Algum tempo depois, no lugar da velha cabana, foi erguida uma Igreja pelas famílias de italianos: a Igreja de São João Batista, marco inicial da Colônia de Piagüí, datado de 1882, final do século XIX.
Nestas terras cedidas pelo governo brasileiro já se encontravam grandes plantações de cana-de-açúcar. Os imigrantes, como precisavam trabalhar, aproveitaram o produto para a fabricação de açúcar mascavo e da rapadura. Mas, com a chegada do açúcar branco europeu, o comércio de açúcar mascavo perdeu força até se extinguir. Então, as famílias dos colonos passaram a se dedicar à fabricação da pinga, feita com a mesma cana.
Um dos primeiros engenhos foi o da família Rossato, que ali se estabeleceu no início do século XX, há cerca de 85 anos, e que deu nome às terras sob sua posse de Sítio Santo Antônio. Luiz Rossato foi o primeiro a fabricar pinga, sendo seguido por seu filho João Rossato e, posteriormente, por seu neto José Afonso Rossato, atual administrador do sítio. A sua pinga é conhecida na região pelo nome de "Rosinha".

A FABRICAÇÃO:
O engenho é dotado de um picador, que pica e tritura a cana antes de entrar na moenda. Depois de entrar na primeira moenda já se extrai uma parte do açúcar e a cana toma um jato de água quente. A próxima etapa é o segundo termo de moenda, onde se retira mais um pouco de açúcar. Ainda existe uma perda de cinco a dez por cento do bagaço que sai pelo outro lado e cai na fornalha, onde é queimado. Forma-se, então, vapor que serve como combustível para tocar o movimento do engenho tanto na parte de extração quanto na destilação.

O PROCESSO:
Pega-se a cana. Há um tombador, e uma mão mecânica vai abastecendo a esteira. Depois disso ela passa no picador, e em seguida por dois engenhos (moendas). Então, o suco da cana vai para o processo de fermentação cujo tempo varia, tendo em vista vários fatores.
O primeiro é a graduação do açúcar que existe no caldo. Se estiver mais doce ou menos, é fator importante. Quanto menos açúcar, menor a demora da fermentação.
Normalmente se trabalha com padrão (que é o processo de graduação de açúcar no caldo, anteriormente citado). Mistura-se com água para se obter padrão fixo, que tem também horário fixo, para que sirva já para a destilação. Se não se utiliza graduação fixa pode ser que o processo adiante, o que não é bom; também pode atrasar, fazendo com que o engenho precise do tanque e ele ainda não chegou no zero sem açúcar. Desta maneira, ele estará trabalhando e as leveduras estarão assentadas no fundo impedindo a utilização do tanque. Depois de pronto o suco vai para o alambique, onde será fervido para que o vapor seja eliminado. É por isto que a pinga é transparente. O vapor sai e vai ser condenado novamente, e aí sim vira "Rosinha". No começo a graduação é bem forte, mas depois cai. Com a saída no tanquinho externo é tirada a média (aproximadamente 45%) porque a graduação mais forte fica na parte superior a e mais fraca na parte inferior, juntamente com o que sobra das leveduras. Chega-se nos 45%; então, é tirada o que se chama de "água fraca". É jogada fora, não sendo aproveitada para o consumo. O líqüido consumível (pinga) possui 45% de álcool e 55% de cana, podendo variar para mais ou menos. Depois de estar pronta na média certa, ela é colocada no tonel de madeira (madeira de amendoim), comprado de segunda mão, mas que está na família Rossato há cerca de 25 anos, e que dura por muito tempo, já que se encontra constantemente cheio de pinga.
Nele, a pinga descansa por volta de seis meses até chegar num padrão razoável de consumo.
Se quiser, pode-se dar à pinga o sabor desejado; é só acrescentar a essência (abacaxi, por exemplo) e saborear! Com moderação, para não se embebedar !

 


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