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Luiza Helena Sá
Todo verão é a mesma coisa. Busca-se
o milho, reúne-se a família e lá
vão todos colocar as mãos na massa.
A receita é simples, e vem sendo
transmitida por gerações. Dona Maria
Aparecida Pimentel Cardoso, que
comanda o preparo das delícias todos
aos anos, garante que as pamonhas
vêm sendo preparadas há mais de
século, e que aprendeu a fazê-las
com a mãe, Dona Francisca Quintanilha
Pimentel (já falecida), ainda quando
menina.
Proponho-me, então, a anotar os
ingredientes e o modo de preparo
das gostosuras para exibir na Internet
uma coisa que é tão nossa, tão comum
em nossa terra. Dona Maria entusiasma-se
com a idéia de divulgar sua receita
a tantas pessoas; contudo, não desgruda
os olhos do milho enquanto me explica,
passo a passo, como cozinhar pamonhas
tão gostosas.
O milho tem que ser bem "granado",
diz ela, o que significa que deve
estar no ponto, nem muito mole,
nem tenro demais. Cada espiga dá,
em média, uma pamonha, mas é bom
reunir bastante gente e usar de
uma vez cento e cinqüenta espigas,
para ninguém passar vontade na hora
de saborear os doces.
A folha usada para embrulhar as
pamonhas é folha de caeté. Bem,
neste caso, é melhor perguntar ao
Sr. Silvio Cardoso, marido da Dona
Maria, já que é ele o responsável
por elas. Estas vieram lá do pé
da serra, do Bom Jesus, bairro afastado,
pertencente ao município de Silveiras.
O caeté é planta rasteira, tipo
folhagem, que cresce em lugar frio
mas não muito úmido. Cada folha
da planta é suficiente para embrulhar
uma pamonha. E como já estamos tratando
do embrulho, vamos logo falar dos
amarrilhos. Os amarrilhos são pequenos
cordões feitos da própria palha
do milho que servirão para amarrar
as pamonhas. Dá-se um nó na ponta
e racha-se a palha ao meio, tomando
cuidado para que não fique muito
grosso. Depois destas considerações
iniciais, vamos à receita propriamente
dita! O primeiro passo é descascar
o milho, tirar a palha e também
todos aqueles "cabelinhos". Cobre-se
o milho com panos úmidos, para evitar
que ressequem. Feito isto, é hora
de ralar as espigas. Usa-se um ralador
grande, de metal, para tirar todos
os grãos. Outra opção, mais fácil,
é tirar o milho com uma faca e depois
bater bem no liquidificador, na
falta do ralador.
Estando o milho bem ralado (ou batido),
a próxima etapa é a peneira. Passa-se
tudo pela peneira, e obtém-se, desta
forma, um caldo de milho, que é
a massa da pamonha. Falta, é claro,
o tempero para esta massa. Dona
Maria ensina que para cada cem espigas
acrescentam-se três quilos de açúcar.
Pode parecer bastante, mas a pamonha
deve ficar bem doce. Colocado o
açúcar, é preciso mexer bem, para
que não empelote. E pronto! Agora
é só embrulhar, e as pamonhas já
estão praticamente prontas.
Coloca-se um pouco de massa nas
costas da folha de caeté, e fecha-se
a folha dobrando uma ponta para
frente e a outra para trás, para
evitar que escorra. Amarram-se as
pamonhas com os amarrilhos de palha,
bem no meio. Enquanto isto, a panela
já deve estar no fogo, cheia de
água fervente. Mergulham-se as pamonhas
prontas e, por cima, espalham-se
alguns sabugos do milho para evitar
que as pamonhas virem. Tampa-se
a panela.
Quarenta e cinco minutos é o tempo
suficiente para o cozimento de setenta
pamonhas. Depois de prontas, tira-se
uma a uma da panela e coloca-se
na peneira, para escorrer, por mais
ou menos dez minutos.
Agora é só servir, quente ou
fria, ao gosto do freguês, e saborear
mais esta delícia valeparaibana!
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