Apesar de nunca
terem visto, todos têm certeza
de que o Saci existe. As descrições
dele são variadas. Muitos
o definem como um pretinho de
uma perna só, sempre pronto
a fazer artes. Escutam sua bulha,
seu assobio e encontram o seu
malfeito: nó no capim para
o caminhante tropeçar,
coisas derrubadas na cozinha,
tranças no rabo dos animais.
Ele chega a vir brincar com criança
pequena, erguendo-a para o alto.
Quando o vento faz rodilha, tem
Saci no meio. Ele se esconde no
rodamoinho )remoinho) de vento.
Donizeti explica: "O Saci
trança o rabo do cavalo
e no fim dá um lacinho
para dispor o pezinho e montar.
É difícil desmanchar
esta trança. Só
mesmo moendo alho e esfregando
no emaranhado".
Segundo cantam, foi uma velha
que quebrou a perna do Saci. Ela
estava assando lingüiça
e ele não parava de perturba-la,
derrubando a lingüiça
e ele não parava de perturba-la,
derrubando a lingüiça
na barra. A velha, impaciente,
esfregou o espeto na cinza e quebrou
a perna do pretinho. Maria Jacó
diz que é por causa de
sua maldade que tem uma perna
só. Quando assobia longe
é porque está perto.
Costuma também surrar cachorro.
Para Domingos Jacó, só
o vidente pode ver o Saci, que
é um Exu zombeteiro como
o Caipora. Nunca o viu, mas já
encontrou animais sujos, com a
crina trançada. Para evitar
isto, atropela o Saci fazendo
uma cruz de alho no pescoço
do animal.
Maria Piano já ouviu o
assobio e o tropel dos animais
no pasto. No dia seguinte estavam
com a crina toda trançada,
como cabelo de gente. Para ela,
quem tem poder é que vê
o Saci. Ele tem a mão furada
e monta de um lado do animal.
Costuma amarrar cachorro com cipó.
Para outros, ele é um bichinho
preto, de uma perna só,
que tem beicinho e zóio
vermelho. Anda no rodamoinho de\o
vento e assobia fininho. Assobiar
à noite ou deixar cisco
amontoado na cozinha chamam o
Saci.
Para Geraldina, Saci é
criança pagã. Brinca,
assobia, tem uma perna só
e um boné vermelho. Trança
a crina dos cavalos e monta-os
durante a noite. No dia seguinte,
os animais estão cansados
e abatidos. Para ele não
vir mais, reza-se o credo ou se
faz um colar com dentes de alho.
Há ainda quem o descreva
como um macaquinho usando chapeuzinho
vermelho, pulando em uma perna
só.
Fonte:
Paula, Zuleika de, Santa Isabel,
SP - Uma Pesquisa de Folclore
- São Paulo: Escola de
Folclore: Ed. Livramento, 1982
- pg 178