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Mula sem Cabeça |
A
Mula sem Cabeça nasce do
namoro proibido da comadre com o
compadre que acabam se amigando.
Depois de sete anos, eles viram
Mula sem Cabeça. Quem costuma
virar Mula sem Cabeça, solta
um foguinho pelo calcanhar. Um dos
informantes conta que um amigo quase
morreu de medo, em Minas. Estando
no mato com um parente, viu sair
fogo de seu calcanhar quando este
andava na frente. Mais tarde veio
a saber que o parente era amigado.
Uma senhora já viu a Mula
sem Cabeça. Estava no mandiocal
e percebeu um fogaréu que
acendia e apagava. No dia seguinte
foi até o local e encontrou
o rastro, redondo como o fundo de
uma garrafa, com um furinho no meio
e feito um formigueiro sem fim.
Pode-se até colocar uma varinha
que não se acha o fundo.
Para outro informante, são
duas tochas de fogo que se levantam
e se encontram no ar. No rastro
há um bichinho branco. A
quaresma é o tempo preferido
para eles brincarem juntos. Costuma
aparecer a cada sete anos. Para
se livrar da Mula sem cabeça,
é necessário esconder
os olhos, dentes e unhas, rezando
com muita fé ou pôr
uma tesoura aberta na encruzilhada.
Conta Maria Jacó que certa
vez, sendo já muito tarde,
vinha pela estrada quando viu luzes
que iluminavam meio verde. Uma assobiou
para a outra e logo se ouviu um
tropel. Por isso, nunca deixa o
seu rosário de 15 mistério,
que é o seu meio de defesa.
Tanto quanto o Lobisomem, a Mula
prefere aparecer nas quartas e sextas-feiras.
Para Domingos Jocó, compadre
e comadre devem ser de muito respeito;
quando o perdem, ao morrer, viram
Cavalo se Cabeça e Mula sem
cabeça. O falecido vem para
brincar com a falecida nos pastos
velhos: um acende a luz e já
vem o outro parceiro. Dão-se
patadas e, se alguém passar
perto, o fogo pega e queima. Para
evitar, nessa hora deve-se rezar
tudo o que se sabe, nas orações
mais fortes são o Credo e
a Alma de Cristo. Cavalo e Mula
sem cabeça não podem
ver os olhos e unhas, que atacam.
Se um vivo quiser se transformar
em Mula sem Cabeça ou Cavalo,
ao ouvir o chamado do companheiro,
deverá rolar em estrume de
animal e ir ao encontro do outro.
Fonte:
Paula, Zuleika de, Santa Isabel,
SP - Uma Pesquisa de Folclore -
São Paulo: Escola de Folclore:
Ed. Livramento, 1982 - pg 179
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