O
Vale do Paraíba guarda
um acervo histórico e
cultural de raízes marcadamente
rurais, herdado de importantes
ciclos econômicos como
o café - o que mais contribuiu
para a riqueza regional - e
a pecuária de leite,
em vias de decadência,
por uma série de razões
conjunturais.
Essa
ligação com o
campo se traduz numa rica e
variada gastronomia, nas festas
populares que movimentam os
bairros rurais e suas capelinhas,
no modo de falar e de se comportar
da gente rural. Há também
uma variedade de novas atividades
que sustentam pequenos sitiantes
e restam, mesmo que em ritmo
muito menos acelerado, propriedades
produtivas dedicadas à
pecuária de leite e à
agricultura.
Outro
elemento importante é
a natureza pródiga, que
mistura paisagens formadas por
extensas áreas planas,
ao longo da calha do rio Paraíba,
tendo de um lado a serra da
Mantiqueira e outro a serra
do mar, com trechos de matas
exuberantes, cachoeiras e outros
atrativos alcançados
através de estradinhas
bucólicas, que acompanham
riachos sinuosos de água
limpa e cristalina.
Se
juntarmos esses componentes:
história e cultura, produção
rural e natureza teremos uma
parte importante de um produto
turístico rural, que
se complementa por bons acessos,
proximidade do mercado - estamos
próximos de São
Paulo e Rio de Janeiro e se
juntarmos o eixo Taubaté-São
José-Jacareí teremos
dois terços da população
regional de mais de um milhão
de habitantes - e boa infra-estrutura.
Há,
é claro, algumas coisas
a serem feitas, que passam pela
adoção de alguns
pontos que fundamentam o turismo
sustentável: o respeito
ao meio ambiente,que significa
também um programa permanente
de educação ambiental;
organização da
comunidade de forma a faze-la
compreender e perceber os benefícios
do turismo; capacitação
empresarial e de mão-de-obra
para receber bem e promoção
adequada e na medida para atrair
o público certo.
O
turismo rural no Vale do Paraíba
terá futuro se for planejado
e organizado, levando-se em
conta as necessidades dos públicos
que se deseja atingir. Nesse
aspecto poderia se vislumbrar
a organização
de um roteiro que envolvesse
atividades de lazer para atender
ao público local e regional,
interessado em passar o dia
num pesqueiro integrado a uma
propriedade com venda de produtos
caseiros, no caminho de uma
cachoeira e com direito a um
passeio a cavalo até
uma fazendinha com leite ao
pé da vaca e produtos
fresquinhos para serem levados
para casa.
Outro
roteiro seria oferecido aos
turistas de regiões mais
distantes, com maior tempo de
permanência, conjugando
atrativos urbanos como igrejas,
museus, casarões do café,
e outros atrativos rurais, como
forma de enriquecer a sua viagem.
Nesse caso, além de pousadas
rurais, poder-se-ia se promover
uma integração
com a rede hoteleira, não
só para hospedagem, mas
também para a promoção
dos roteiros, que também
incluiriam as capelinhas rurais
com suas festas e seria oferecida
a culinária regional.
O
turismo rural tem muito a ver
com um modo diferente daquele
ao qual o turista está
acostumado e por essa razão
passa também pela valorização
cultural e pela autenticidade.
Se é assim, talentos
locais como os violeiros, as
bordadeiras, as doceiras, os
alambiqueiros, os artesãos
não podem ser esquecidos,
mas é bom que eles sejam
devidamente preparados para
receber as pessoas no seu ambiente
de trabalho, não só
para matar a curiosidade do
turista, como também
para conferir autenticidade
ao que está
sendo vendido. Apesar
de funcionar bem, um ponto de
venda junto à capelinha
ou ao armazém do bairro,
não vale amontoar um
punhado de coisas, sem nenhum
critério e a
possibilidade das compras serem
feitas diretamente não
pode ser descartada.
Quanto
à autenticidade, significa
dizer que ninguém vai
a um restaurante rural para
comer o trivial, mas prefere
uma comidinha caseira, honesta,
preferencialmente com ingredientes
produzidos ou colhidos ali mesmo,
no quintal. O frango tem que
ser caipira, assim como o doce
não deve ser de supermercado
e nem a cachaça trazida
de Pirassununga.
Também
importante é a possibilidade
de aproveitamento da infra-estrutura
já existente, montada
num momento de grande movimentação
na propriedade e que hoje pode
estar ociosa por causa da decadência
da atividade leiteira. Isso
quer dizer que um antigo rancho
pode se transformar num restaurante
e a própria sede pode
ser adaptada para receber hóspedes,
sem exigir muito investimento.
Finalmente,
é preciso dizer que tudo
isso só terá sentido
se gerar desenvolvimento e melhorar
a vida da população
rural, livrando-a do assistencialismo
e estimulando o produtor a continuar
produzindo, pois,apesar da mudança
de foco, a produção,
seja em alta ou pequena escala,
será sempre o maior atrativo.
É isso que tem feito
do turismo um elemento revitalizador
da economia rural.
Mesmo
levando-se em conta essas rápidas
considerações
e a necessidade de um levantamento
mais apurado, é possível
dizer que o Vale do Paraíba
tem todas as condições
de incorporar roteiros de turismo
rural. Há atrativos para
todos os gostos e para todos
os lados e a demanda regional
é grande, com chances
de ser aumentada.
É
preciso apenas um projeto sério
e fundamentado, com estudos
de viabilidade, avaliação
e organização
dos atrativos e da comunidade,
estratégias adequadas
de marketing e promoção,
ou seja, precisamos juntar os
ingredientes e finalmente desencadear
um processo de profissionalização
do turismo, encarando-o como
uma atividade econômica
das mais promissoras.
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