Estrada Real é a denominação
dada a um conjunto de estradas
públicas, de propriedade
da Coroa Portuguesa e depois
do governo Imperial brasileiro
que ligavam os portos fluminenses
à região de exploração
do ouro e diamantes em Minas
Gerais, Mato Grosso e Goiás.
Foram, a partir do final do
século XVII, vias oficiais
de acesso às regiões
mineradoras, e, no século
XVIII, as vias autorizadas a
transportar os metais preciosos
das áreas de mineração
da colônia.
Os principais caminhos oficiais
do ouro, considerados como Estrada
Real, que durante o período
de mineração cortavam
a região valeparaibana,
foram:
-
o Caminho Velho ou Caminho
do Ouro, que ligava
a cidade de Paraty à
região mineradora de
Vila Rica e Diamantina, passando
pela área paulista do
Vale do Paraíba;

- o Caminho Novo de
Garcia Rodrigues Paes,
que se estendia da cidade do
Rio de Janeiro à região
mineradora, passando por Vila
Rica e de lá até
o Arraial do Tijuco, atual Diamantina;

- O Caminho Novo da
Piedade, que ligava
a Capitania de São Paulo
a do Rio de Janeiro, por via
terrestre, passando pela Fazenda
Santa Cruz dos padres jesuítas.

Em
virtude da imprecisão
histórica, deixou-se
de considerar uma outra importante
via colonial: o Caminho da Bahia.
O mais longo e melhor deles,
como registra Antonil. Ele ligava
Salvador, sede do Vice-Reino,
às fazendas do rio São
Francisco, do rio das Velhas
e às áreas de
mineração em Minas
Gerais. Nas primeiras décadas
do século XVIII, dentre
as três vias de acesso
à região mineira,
o Caminho da Bahia liderou com
folga a concorrência com
o Caminho Velho e o Caminho
Novo de Garcia Paes. Teve importância
decisiva no abastecimento da
Capitania de Minas Gerais e
na circulação
de bens e riquezas na época.
No entanto, temendo os descaminhos
do ouro, as autoridades portuguesas
proibiram a passagem do metal
por esta via. O que, evidentemente,
apesar da ineficácia
das medidas coercitivas metropolitanas,
tirou-lhe o caráter de
Estrada Real.
As estradas reais começaram
a surgir no final do século
XVII, com os primeiros achados
do ouro. Foram ampliadas e dinamizados
durante o século XVIII
devido à intensificação
da circulação
de riquezas no Brasil colônia.
No século seguinte, contribuíram
para o escoamento de produtos
agrícolas, especialmente
do café, da região
do Vale do Paraíba.
Ao longo do período colonial
constituíram as únicas
vias autorizadas de acesso à
região da exploração
das reservas de ouro e de diamantes.
Eram caminhos oficiais. O nome
Estrada Real passou a designar,
assim, aquelas vias que, pela
sua antigüidade, importância
e natureza oficial eram propriedade
da coroa metropolitana.
O interesse real, base da política
metropolitana para as regiões
mineradoras da colônia,
era ter as rotas de comunicação
rigorosamente controladas e
fiscalizadas para garantir a
cobrança de impostos
e evitar os descaminhos das
riquezas auríferas. A
circulação de
ouro e diamantes, das pessoas
e de tantas outras mercadorias
eram obrigatoriamente feitas
por elas, constituindo crime
de lesa majestade a abertura
de outros caminhos.
Ao longo deles foram instalados
os antigos registros, construíram-se
rancho de tropas, vendas, oficinas;
ergueram-se capelas; fundaram-se
povoados e vilas, estimulados
pela presença dos viajantes
e das riquezas que eram transportadas
pelos animais e escravos.
As vias reunidas sob a denominação
de Estrada Real tornaram-se
o tronco viário principal
do centro-sul do Brasil. A sua
utilização resultou
na apropriação
do interior brasileiro e da
sua integração
com a faixa litorânea.
Além de estimular o comércio
e a economia regional, formaram,
com o passar dos anos, o eixo
histórico cultural da
nossa História e a força
centrípeta que foi capaz
de alicerçar os sentimentos
de nacionalidade. Elas foram,
portanto, fundamentais na história
do povoamento e da colonização
de vastas regiões do
território brasileiro.
Por meio delas se configurou
a base física e os fundamentos
da sociedade brasileira. Hoje,
como afirma o escritor Márcio
Santos: "os Caminhos que
no passado constituíam
a chamada Estrada Real foram
modificados e degradados ao
longo de três séculos
de urbanização
e um século de industrialização.
Longos trechos foram cobertos
por rodovias modernas ou por
largas estradas ainda não
pavimentadas, mas que dão
passagem a ônibus e caminhões.
Outros trechos se perderam,
desaparecendo em meios a pastagens
e matas secundárias.
Outros, ainda, se converteram
em vias urbanas das periferias
das grandes cidades que cresceram
ao longo ou nas imediações
dos antigos caminhos."
( M.S, Estradas
Reais, 2001)
Estes caminhos começam
a ser redescobertos e revitalizados
sob um novo olhar, estendido
sob o seu potencial turístico,
resgatando a História,
mapeando os primitivos trajetos,
revelando o rico patrimônio
cultural e ambiental destas
antigas vias de circulação.
Um esforço conjunto do
Instituto Estrada Real, de Minas
Gerais e do UNISAL, em território
paulista, contando com o apoio
de diversas outras instituições.
Um trabalho integrado, otimizando
recursos, buscando contribuir
e oferecer modelos alternativos
na busca do desenvolvimento
regional sustentável.