
De
Paraty às terras diamantinas,
por caminhos de pedras através
de serras , do Vale do Paraíba
e Sul Mineiro, o Caminho do
Ouro ficou marcado em toda extensão
pela presença de maçons
que ali deixaram legados até
hoje discutidos e contados por
gerações e historiadores
remanescente. Por dentre casarios,
igrejas e esculturas barrocas
ecoam ainda "causos"
e lendas da presença
deles com singularidade marcante
na região. São
sinais deixados para identificação
da presença dos "irmãos",
e por somente eles reconhecidos,
que de alguma maneira sobreviveram
à devassa do império
e da inquisição
religiosa na caçada aos
inconfidentes.
São marcantes as pitorescas
alegorias dos símbolos
maçônicos que decoram
os casarios em Paraty em destaque
nas colunas das construções,
as colunetas em número
de três formando um triângulo
nos cruzamentos das ruas do
centro histórico, os
mosaicos representando a corda
de 81 nós, da predominância
da cor azul e branca trazidas
da maçonaria francesa
e seus anseios republicanos,
dentre outras. Esses marcos,
motivo de discussão entre
historiadores, só são
verificados pela sua exuberância
na cidade de Paraty. Casarios
de mesmo estilo colonial português
são encontrados por todo
traçado do Caminho do
Ouro, bem como em outras regiões
de norte a sul do Brasil. Destacamos
nas figuras abaixo semelhanças
entre os casarios de Paraty,
no litoral fluminense, e de
Mariana, na outra ponta do Caminho
do Ouro, no Planalto Mineiro.
Por entre as minas de pedra
preciosas e ouro, das regiões
compreendidas de São
João Del Rei a Ouro Preto,
também se vêem
sinais deixados para que os
maçons se identificassem.
Ali, de forma diferente e também
pitoresca, são reconhecidos
nas representações
dinâmicas das esculturas
do tereuta Antonio Francisco
Lisboa - o Aleijadinho, em Congonhas
do Campo, alguns sinais de reconhecimento
dos graus de instrução
maçônica, bem como
na ousadia do escultor, afrontando
o momento político e
religioso da época, por
ter perpetuado a simbologia
maçônica de conhecimento
do seu grau, nos seus escultórios
barrocos por todas as igrejas
onde trabalhou. Aleijadinho,
além de mostrar sua arte,
perpetuou nela, de forma inteligente
e corajosa, seus conhecimentos
arquitetônicos influenciados
por filosofias liberais maçônicas.
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Igreja
de São Francisco
- Ouro Preto |
Igreja
de Bom Jesus do Matosinho
- Congonhas do Campo |
Um
interessante repertório
de "causos", crendices
e lendas faz parte de um discreto
folclore valeparaibano e sul
mineiro no tocante aos maçons.
De alguma forma espalhados por
para-religiosos a região
é ainda rica em afirmações
fantasiosas, tais como aquelas
que dizem que os maçons
espancam e
cospem na cruz de Cristo, que
comem crianças em sacrifício
ao "bode preto"; que
os maçons em dificuldade
financeira recebem por baixo
da porta de suas casas envelopes
contendo vultosas somas de dinheiro
colocadas por um ser encapuzado
com pés de bode; que
em casa em que reside um excomungado
da maçonaria não
se deve nem passar pela calçada
por correr o risco de ser agarrado
pelo Lúcifer, dentre
outras. Ainda, existem facções
religiosas que negam aos maçons
e descendentes cerimônias
como o batismo e o casamento.
É sabido que naquela
época, não existiam
lojas maçônicas
constituídas, sendo as
primeiras Areópago de
Itambé (Pernambuco) e
Cavaleiros da Luz (Salvador),
fundadas por volta de 1796,
o que não impede o fato
de brasileiros maçons,
iniciados em universidades européias,
com destaque para as do Porto
e Paris, de em retorno à
terras de além mar, terem
divulgado os princípios
de Liberdade, Igualdade e Fraternidade
por meio de núcleos secretos
revolucionários sob a
filosofia maçônica.
É descaminho da história
a insistência, por parte
de alguns historiadores, em
ignorar, e, até mesmo,
negar, por desconhecimento ou
por ideologias contrárias,
a participação
dos maçons na verdadeira
história desse país.
Calorosas discussões
a respeito são travadas
até mesmo dentro de Lojas
Maçônicas, em decorrência
de fatos somente conhecidos
e observados pelos iniciados
em confronto com a falta da
documentação destruída
por temor à devassa que
prendia e degredava inclusive
familiares de maçons.
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