Qual
o ponto culminante do estado de
São Paulo?
A resposta para essa questão de
geografia já não é mais a mesma.
Até bem pouco tempo a resposta era
o Pico dos Marins, no município
de Piquete com seus 2421 m de altitude,
mas em julho do ano passado a prefeitura
de Queluz passou a reivindicar para
a Pedra da Mina a posição até então
ocupada pela montanha de Piquete.
Baseada nas informações colhidas
em mapas oficiais a Secretaria de
Turismo de Queluz contestava a posição
do Pico dos Marins afirmando que
em seu município situava-se a maior
altitude paulista com 356 m acima
dos Marins. A contestação baseava-se
em duas cartas, a primeira do IBGE
na escala de 1:50000 que marcava
2777m para a Pedra da Mina, a segunda
carta na escala 1:10000 produzida
pela Divisão de Geografia da Secretaria
de Planejamento do Estado de São
Paulo apontava 2796 m para a mesma
montanha.
As duas cotas conferiam à Pedra
da Mina a primeira posição entre
as maiores altitudes do estado,
mas a comprovação da cota registrada
na cartografia paulista colocaria
a Pedra da Mina 10 m acima do Pico
das Agulhas Negras ocupando também
a quarta posição entre os maiores
picos do Brasil. A aferição da altitude
interessava a prefeitura de Queluz
na medida em que a divulgação da
inclusão da Pedra da Mina no ranking
das altitudes brasileiras criaria
um forte estímulo as atividades
de ecoturismo no município. Com
o lançamento da polêmica em pouco
tempo surgiu quem se dispusesse
a realizar uma medição precisa da
altitude e em maio desse ano pesquisadores
do departamento de Geografia da
USP divulgaram o resultado da aferição
da altitude: 2797 m. Com essa medição
São Paulo reconhecia a Pedra da
Mina como seu ponto culminante e
o colocava como o quarto no ranking
brasileiro, abaixo apenas dos picos
da Bandeira (Serra do Caparaó, MG/ES),
31 de Março e Neblina (ambos Serra
do Imeri, Am/Venezuela), respectivamente
terceira, segunda e primeira altitude
brasileira .
Localização e Acesso
A Pedra da Mina está situada na
Serra da Mantiqueira, num trecho
conhecido como Serra Fina. Em suas
fraldas situam-se os municípios
paulistas de Queluz e Lavrinhas
e o município mineiro de Passa-Quatro.
Entre as montanhas mais próximas
da Pedra da Mina estão o Cupim de
Boi (2543 m), o Pico dos 3 Estados
(2689 m), cujo àpice marca da divisa
dos estados de Minas Gerais, São
Paulo e Rio de Janeiro. A sudoeste
da Pedra da Mina e não muito distante
dela estão os Picos do Itaguaré
(2387 m) e do Marins (2421 m). A
nordeste da Mina estão os picos
situados no Parque Nacional de Itatiaia,
o Agulhas Negras (2787 m) e o Prateleiras
(2500 m). O acesso à Pedra da Mina
até o momento é feito pela vertente
mineira a partir do bairro do Paiolinho
em Passa-Quatro. Para se atingir
o topo da Pedra da Mina por essa
trilha são necessários no mínimo
dois dias de caminhada. O segundo
dia é sempre mais difícil, a subida
é bastante íngreme e o trecho não
oferece água. Também é possível
atingir a Pedra da Mina pela trilha
da Serra Fina que percorre a linha
de cumeada que divide os estados
de S‹o Paulo e Minas Gerais. Essa
trilha exige seis dias de caminhada.
O acesso pela vertente paulista
utiliza a trilha do Rio Claro. Esse
rio cujas nascentes estão no alto
da Pedra da Mina é bastante encachoeirado
e suas águas são muito claras. A
vegetação ao longo da trilha é de
uma beleza exuberante. A subida
da montanha por esse lado é muito
mais difícil do que pelo lado mineiro
exigindo bom preparo físico e o
uso de técnicas especiais de montanhismo.
O acesso pelo Rio Claro está fechado
e deverá ser reaberto após a implantação
de um projeto de ecoturismo na fazenda
Jaboticabal.
A Expedição Pedra da Mina
Motivado pela polêmica inicial da
altitude da montanha o Projeto Pedra
da Mina teve por objetivo atingir,
conhecer, fotografar e divulgar
o pico em questão. A expedição ao
cume foi realizada pela trilha de
Passa-Quatro e após dois dias de
caminhada o grupo atingiu seu objetivo
no final da tarde de 23 de julho
de 2000. Não só a beleza da paisagem
surpreendeu os excursionistas mas
também a velocidade do vento que
varria o topo da Pedra - era tão
forte que dificultava a caminhada
e a conversação. No terceiro dia
da expedição a equipe tentou a descida
pela vertente paulista através da
trilha do Rio Claro, mas a dificuldade
em transpor a primeira cachoeira
da trilha fez com que o grupo retornasse
ao cume da Pedra. O Ambiente O tipo
de vegetação da Pedra da Mina é
classificado segundo sistema de
classificação fitogeográfica adotada
pelo IBGE (Inst. Bras. de Geografia
e Estatística) como Floresta Ombrófila
Mista Alto-Montana, ou seja, florestas
localizadas acima dos 1000 m de
altitude cujos climas se caracterizam
por verões bastante úmidos e períodos
de no máximo 4 meses de seca no
ano. A vegetação, portanto, é predominatemente
composta por higrófilas (plantas
que só vegetam em lugares úmidos
e que se caracterizam por grandes
folhas delgadas, moles e terminadas
em ponta afilada) cujas espécies
variam em tamanho, do herbáceo ao
arbóreo, tendo na Araucaria angustifólia
a espécie que atinge o maior porte.
No cume da montanha a vegetação
é formada unicamente por espécies
herbáceas e arbustivas, adaptadas
às baixas temperaturas e ventos
constantes. Temperaturas negativas
são frequentes no alto dos 2797
m da Pedra da Mina. No dia 24 de
julho desse ano a expedição fotografou
blocos de gelo no leito do rio Claro
em plena 1 hora da tarde, blocos
que chegavam a ter 3 m de comprimento
e 10 cm de espessura. Nos dias mais
frios do inverno desse ano o gelo
chegou a cobrir todo o cume da montanha,
o que era possível observar da cidade
de Queluz nas primeiras horas da
manhã. Exposição e Contato A exposição
Pedra da Mina, 2797 apresenta 50
fotos realizadas de novembro de
1999 a julho de 2000. Esse trabalho
está acessível para exposições,
preço e informações podem ser solicitadas
pelo email: sapucahy@sapucahy.fot.br.
|