A religiosidade popular católica popular tem existência a partir de uma cultura luso-brasileira, desenvolvida no Brasil desde 1500. O Vale do Paraíba, por ser uma região das mais antigas de povoamento, constitue um exemplo da presença forte da religiosidade popular católica. No município de Lorena sua influência é sentida desde sua fundação até nossos dias.
Com a ocupação da região pelos colonizadores portugueses, no início do século XVII, até o final do século XVIII, a população pequena e pobre viveu isolada e dispersa por este vasto território. Uma população que se entendeu católica e que não conheceu outra coisa sobre religião e ser católico.
Nasce o catolicismo rústico, fruto do ardor missionário português, uma religião de obrigação. Por ela, as pessoas, pobres ou ricas, foram colocados à serviço da Igreja e do Estado. No entanto, a fragilidade de seu controle no ambiente colonial e no Vale do Paraíba, em especial, permitiram que ela criasse feições próprias.
Ao passar de geração a geração, por meio de capelães, benzedores, rezadores e grupos familiares, tornou-se uma das mais ricas e marcantes de nossas tradições. Durante o século XIX, com a expansão da produção cafeeira a região se destacou no cenário do Império e desenvolveu um novo tipo de catolicismo, o catolicismo popular.
O catolicismo popular é aquele vivido pelos pobres em geral. Tem origens no mundo rural. O homens do campo cultivavam uma mística da natureza, sentido a presença de forças cósmicas. Procuravam então o sagrado, o santo, o divino para se proteger das doenças, dos infortúnios e da intempéries do tempo.
Para tanto, reservavam tempo para as festas. Para saudar, agradecer, pedir proteção, revigorar a crença no “seu santo”. Daí o caráter festivo do catecismo popular. As festas dos santos padroeiros eram ajustadas ao ciclo litúrgico e ao mesmo tempo, ao ciclo da vida natural. Durante o século XIX o catolicismo popular desloca-se, gradativamente, para os centros urbanos, sem apresentar modificações em suas características básicas.
O Catolicismo Popular Católico representa para o povo a esperança, a participação e a proteção especial de Deus, dos santos e da Virgem Maria. Faz parte do catolicismo tradicional, pois sua segurança está no passado. Além da garantia da proteção pessoal e coletiva funcionou como instrumento de coesão social e de participação na vida de cada comunidade. Este tipo de catolicismo desenvolvido no Vale do Paraíba , consequentemente em Lorena, apresenta umas séries de características.
As mais notadas são: o caráter de homogeneidade, pois que todos se colocam à serviço da Igreja Católica; o caráter de heterogeneidade na medida em que atinge diferentes níveis sociais; mantém o caráter rural; desenvolve o misticismo, a procura do sagrado, de proteção; é marcado pela alegria dos cultos dos santos familiares e dos padroeiros, com festas, ladainhas, procissões; se opõem ao catolicismo oficial, pois corresponde ao catolicismo dos leigos, dos oprimidos, em oposição ao catolicismo clerical, instruído, erudito; é humano, expontâneo, unindo o sagrado e o profano, com todas as suas consequências; é moralista; e, sobretudo, desenvolve uma forma de viver a religião, uma prática, assinalada pelo calendário, determinando o rítimo da vida das comunidades locais.
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