À
medida que se aproximam as eleições
municipais, os cidadãos de bem,
conscientes do valor do seu voto,
se angustiam ante ao desalentador
quadro político que se descortina
ante seus olhos: demagogia, partidos
de aluguel, falta de propostas
de governo, corrupção e despreparo
dos candidatos que, por exemplo,
por não entenderem o papel do
Legislativo se põem a barganhar
empregos e asfaltamento de ruas
por votos, entre outras coisas.
Mas, se é que isto serve de consolo,
já tivemos tempos mais nebulosos
em termos de história regional.
No século passado era notório
o poder do coronel fazendeiro,
que mandava e desmandava em todo
o Vale do Paraíba. A patente de
coronel era um dos postos da Guarda
Nacional, criada em 1832, pelo
Padre Feijó, então Ministro da
Justiça, para ajudar as Forças
Armadas e o Corpo dos Permanentes
(a polícia de então) a combater
as agitações políticas durante
o período regencial.
Oficialmente, a Guarda Nacional
seria composta por todos os cidadãos,
que seriam distribuídos por companhias
e batalhões localizados por todo
o País. Os cidadãos que compunham
o efetivo da Guarda, que não recebiam
fardamento ou eram aquartelados,
teriam de atender a convocação
para prestar serviços eventuais
ao governo ou no caso de convulsões
sociais, como quando a Revolução
Federalista ameaçou o governo
do Marechal Floriano Peixoto e
o Coronel Arnolfo Azevedo teve
de reunir cem voluntários de Lorena
para ajudar a compor a linha de
defesa das forças federais em
Itararé, em 1894.
O coronel, que pagava para registra
seu título, mandava confeccionar
seu próprio fardamento e o ostentava
garbosamente nas festas locais
ou mesmo na Corte. E, nem mesmo
o advento da República, pôs fim
aos seus desmandos. Assim, mesmo
o presidente Hermes da Fonseca
(1910-1914) tendo suspenso a nomeação
de novos oficiais da Guarda Nacional
e determinando que só os militares
das forças armadas e das polícias
militares poderiam ostentar suas
patentes, os coronéis continuaram
a cometer arbitrariedades. Afinal,
em face da Política dos Governadores
e da Política do Café-com-leite,
o governo federal contava com
o apoio do coronel para poder
permanecer no poder. Os currais
eleitorais eram a garantia do
coronel obter a nomeação de juizes
e delegados favoráveis aos seus
desmandos.
À medida que a história avança
e os mecanismos de inserção democrática
são aprimorados, a figura do coronel
torna-se mais uma página virada
do nosso passado recente. Mas,
não nos enganemos, a miséria e
a ignorância são aliadas dos desmandos
políticos. O caminho para um País
mais justo é árduo e passa necessariamente
pela via democrática. |