As
primeiras construções nos lugarejos
e vilas do Vale do Paraíba surgiram
na primeira metade do século XVII,
a partir do povoamento da região,
pelos colonizadores portugueses.
Nestes primeiros tempos houve
influências do estilo bandeirista.
As técnicas construtivas foram
importadas do Planalto Paulista,
utilizando a taipa de pilão e
taipa de mão. Infelizmente, os
testemunhos arquitetônicos desta
fase, ligados a uma economia de
subsitência e à pobreza geral
da população, desapareceram.
Durante o período colonial as
povoações posicionaram-se ao longo
do rio Paraíba e dos caminhos.
Seus casarios desenvolveram-se
ao redor do largo da capela, erigida
pelos proprietários de terras.
Tanto a igreja como o casario
formavam um cenário de pobreza,
em uma época que o Vale estava
isolado no contexto geral da colonização
brasileira. As casas urbanas,
em sua maioria, eram dispostas
em ruas estreitas, com poucas
janelas e portas, voltadas para
a rua. Beirais largos e paredes
que encostavam ao longo do lote
ajudavam na ação contra a chuva
que castigava as paredes de barro.
Se a casa fosse de um só piso,
comportava a sala de entrada,
quartos e alcova ao longo do corredor
e, ao fundo, varanda e cozinha.
Se assobradada, a parte inferior
era para aluguel comercial, e
uma escada central ou lateral
dava acesso a um corredor central
que distribuía a parte social.
Na parte dos fundos, os quartos,
varanda e cozinha. O telhado de
duas águas em telhas de capa e
canal, suportada por paus roliços,
acompanhava os lotes longitudinais
e profundos que terminavam em
quintais com pomares. As construções
religiosas eram, no início, simples
e seguiram a seqüência construtiva
de se fazer uma pequena capela,
depois a nave, as torres laterais
para se colocar o sino, e seguindo
as torres, os corredores laterais
que abrigavam a sacristia. Eram
feitas em taipa de pilão e representavam
o processo artesanal de construção
do período colonial.
O permanente contato com as cidades
mineiras no século XVIII permitiu
a importação do estilo barroco
mineiro. As construções, sob esta
influência, podem ainda ser observadas
em diversas igrejas da região
e em algumas habitações do núcleo
primitivo da cidade de Lorena.
Com o desenvolvimento da economia
cafeeira ( 1800-1920), surgiu
na região um estilo próprio de
construção, denominado pelo arquiteto
Luis Saia de “ estilo sobremesa”,
que ficou conhecido como arquitetura
do café. A sua origem se prende
a construção das sedes das fazendas
de café. Elas eram designadas
preferencialmente por nome de
santos, localizavam-se em encostas
de morros, aproveitando o declive
do terreno para construção assobradada
em taipa. O acesso à parte superior
era feita por uma escada de acesso
que atingia o alpendre na parte
fronteiriça da residência. Os
primeiros edifícios surgiram na
zona rural e foram posteriormente,
transportados e adaptados na zona
urbana.
Ao final do século XIX, com o
apogeu da produção cafeeira, o
advento da estrada de ferro, o
início da industrialização e o
desenvolvimento da urbanização,
o casario urbano e as igrejas
passam por um processo de embelezamento.
Surge então uma nova tendência
de estilo arquitetônico, o neo-clássico.
A fachada das casas urbanas passam
a esconder os telhados com as
platibandas enfeitadas com arremates.
Surgem novas expressões arquitetônicas,
com a importação de novos materiais
construtivos, contando com o planejamento
e participação da mão de obra
estrangeira. Começa, desde então,
a predominar o estilo eclético,
oscilando entre os gostos de italianos,
portugueses, franceses e ingleses.
No século XX as cidades cresceram
desordenadamente. As construções,
no início, tenderam a distanciar-se
das ruas. Com o passar dos anos
tiveram a tendência em adaptar-se
ao estilo moderno, sob influência
norte-americana. Cresceram os
bairros de periferia, levantaram-se
os prédios com vários andares,
verticalizando o espaço urbano,
vieram os projetos de casas populares,
resultando nesta diversidade de
estilos, de forma de construir
e de morar, que caracterizam o
cenário regional. |