ARTIGOS
A EVOLUÇÃO DA ARQUITETURA NO VALE DO PARAÍBA
  
   


Francisco Sodero Toledo

As primeiras construções nos lugarejos e vilas do Vale do Paraíba surgiram na primeira metade do século XVII, a partir do povoamento da região, pelos colonizadores portugueses. Nestes primeiros tempos houve influências do estilo bandeirista. As técnicas construtivas foram importadas do Planalto Paulista, utilizando a taipa de pilão e taipa de mão. Infelizmente, os testemunhos arquitetônicos desta fase, ligados a uma economia de subsitência e à pobreza geral da população, desapareceram.

Durante o período colonial as povoações posicionaram-se ao longo do rio Paraíba e dos caminhos. Seus casarios desenvolveram-se ao redor do largo da capela, erigida pelos proprietários de terras. Tanto a igreja como o casario formavam um cenário de pobreza, em uma época que o Vale estava isolado no contexto geral da colonização brasileira. As casas urbanas, em sua maioria, eram dispostas em ruas estreitas, com poucas janelas e portas, voltadas para a rua. Beirais largos e paredes que encostavam ao longo do lote ajudavam na ação contra a chuva que castigava as paredes de barro.

Se a casa fosse de um só piso, comportava a sala de entrada, quartos e alcova ao longo do corredor e, ao fundo, varanda e cozinha. Se assobradada, a parte inferior era para aluguel comercial, e uma escada central ou lateral dava acesso a um corredor central que distribuía a parte social. Na parte dos fundos, os quartos, varanda e cozinha. O telhado de duas águas em telhas de capa e canal, suportada por paus roliços, acompanhava os lotes longitudinais e profundos que terminavam em quintais com pomares. As construções religiosas eram, no início, simples e seguiram a seqüência construtiva de se fazer uma pequena capela, depois a nave, as torres laterais para se colocar o sino, e seguindo as torres, os corredores laterais que abrigavam a sacristia. Eram feitas em taipa de pilão e representavam o processo artesanal de construção do período colonial.

O permanente contato com as cidades mineiras no século XVIII permitiu a importação do estilo barroco mineiro. As construções, sob esta influência, podem ainda ser observadas em diversas igrejas da região e em algumas habitações do núcleo primitivo da cidade de Lorena.

Com o desenvolvimento da economia cafeeira ( 1800-1920), surgiu na região um estilo próprio de construção, denominado pelo arquiteto Luis Saia de “ estilo sobremesa”, que ficou conhecido como arquitetura do café. A sua origem se prende a construção das sedes das fazendas de café. Elas eram designadas preferencialmente por nome de santos, localizavam-se em encostas de morros, aproveitando o declive do terreno para construção assobradada em taipa. O acesso à parte superior era feita por uma escada de acesso que atingia o alpendre na parte fronteiriça da residência. Os primeiros edifícios surgiram na zona rural e foram posteriormente, transportados e adaptados na zona urbana.

Ao final do século XIX, com o apogeu da produção cafeeira, o advento da estrada de ferro, o início da industrialização e o desenvolvimento da urbanização, o casario urbano e as igrejas passam por um processo de embelezamento. Surge então uma nova tendência de estilo arquitetônico, o neo-clássico. A fachada das casas urbanas passam a esconder os telhados com as platibandas enfeitadas com arremates. Surgem novas expressões arquitetônicas, com a importação de novos materiais construtivos, contando com o planejamento e participação da mão de obra estrangeira. Começa, desde então, a predominar o estilo eclético, oscilando entre os gostos de italianos, portugueses, franceses e ingleses.

No século XX as cidades cresceram desordenadamente. As construções, no início, tenderam a distanciar-se das ruas. Com o passar dos anos tiveram a tendência em adaptar-se ao estilo moderno, sob influência norte-americana. Cresceram os bairros de periferia, levantaram-se os prédios com vários andares, verticalizando o espaço urbano, vieram os projetos de casas populares, resultando nesta diversidade de estilos, de forma de construir e de morar, que caracterizam o cenário regional.





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