Ao
fazerem o resgate do passado regional
muitos estudiosos o fazem numa
concepção evolucionista, em que
a industrialização é apresentada
como o destino natural e necessário
para o reerguimento econômico
da região. Contudo, se quisermos
realmente entendermos o sentido
dessas acentuadas transformações
verificadas em nossa região ao
longo do século XX não basta apenas
celebrarmos o progresso. É fundamental
também refletirmos sobre os problemas
crônicos gerados pela industrialização
e modernização tecnológica, como
a favelização e o aumento do desemprego
no campo e na cidade.
O processo de industrialização
do Vale do Paraíba desenvolveu-se
em fases distintas, sendo a primeira
compreendida entre os anos de
1870 a 1914, a industrialização
nascia como uma opção que se abria
para o emprego dos capitais que
se desvinculam da exploração da
terra após a crise da cafeicultura
na região. Predominam as fábricas
de produtos têxteis, alimentares
e cerâmica.
No período entre 1914 a 1943 a
substituição dos produtos industriais
antes importados dos países em
conflito alavancou a industrialização
do Vale, com o aparecimento de
estabelecimentos de transformação
de minerais, de produtos agropecuários,
têxteis, etc.
Entre os anos de 1943 a 1970 a
inauguração da Rodovia Presidente
Dutra, da Usina Siderúrgica de
Volta Redonda e do Centro Técnico
Aeroespacial estimulou a implantação
de grandes fábricas metalúrgicas
e mecânicas, além de propiciar
a modernização das indústrias
de bens de consumo e a criação
de um pólo tecnológico em São
José dos Campos.
O período entre 1970 e 1996 é
atípico, marcado pela aceleração
brutal do processo industrial,
com a consolidação definitiva
da face fabril do Vale, e início
de uma profunda crise. O problema
é que o crescimento neste período
foi alicerçado com capital externo
e investimentos estatais. Com
a crise do petróleo, ida ao FMI,
exigência de corte dos gastos
públicos e fim das encomendas
governamentais, desaceleração
da Guerra Fria e defasagem tecnológica
que colocam em xeque a indústria
bélica, o Vale entra em crise.
Após 1996 assistimos lentamente
a retomada dos investimentos na
região, com a instalação de diversas
empresas em todo Vale. O grande
problema é que as nossas autoridades
parecem não aprender nada com
o passado, afinal quando a GM
se instalou em São José dos Campos
na década de 70 negociou com o
prefeito da época a construção
de conjuntos habitacionais para
alojar os trabalhadores que seriam
inevitavelmente atraídos. Isso
foi abandonado depois, o resultado
é conhecido: crescimento urbano
desordenado, poluição dos rios,
favelização, êxodo rural, etc.
Afinal, se o progresso não serviu
para dignificar a pessoa humana
então foi estéril. |