ARTIGOS
O HOMEM VALEPARAIBANO E A URBANIZAÇÃO MODERNA
  
   


Hamilton Rosa Ferreira

Na Idade Média existia um ditado popular alemão que afirmava que “o ar das cidades liberta”, apresentando os dinâmicos núcleos urbanos burguesas como opção viável a todos aqueles que desejavam livrar-se do odioso sistema de trabalho servil. Após mais algumas voltas da roda da História, já quase no final o século XIX, sob a égide do capitalismo, o ar das cidades não era mais sinônimo só de liberdade, também o era de progresso e modernidade. O seu representante típico era o homem urbano, impregnado do desejo de fazer avançar os limites do conhecimento racional da realidade que o cercava e de difundir o mito do “paraíso do consumo”, proporcionado pelo emprego cada vez maior da técnica, da máquina.

Partícipes dessa aldeia global, mesmo que na periferia do sistema capitalista, os habitantes do Vale do Paraíba não poderiam ficar imunes a esse redemoinhos de transformações engendradas pela difusão da industrialização no planeta e o conseqüente emprego de novas e revolucionárias tecnologias que modificam profundamente a vida da maioria dos seres humanos. Contudo, esse processo de modernização (do latim modernus, que por sua vez é uma forma mais atualizada de hodiernus, palavra composta pela união de outros dois vocábulos latinos: modus e hodie, que, conjuntamente, podem ser traduzidos como “à maneira de hoje”) não foi uniforme na região.

Os principais promotores dessa modernidade no Vale, respectivamente, serão os trilhos da rede ferroviária, a abertura da antiga BR-2 – posterior Rodovia Washington Luís – e rodovia Presidente Dutra. Por onde o traçado desses modernos meios de transporte e comunicação passa verificamos a expansão das atividades econômicas, o aumento da população e o advento de um surto de industrialização. O contrário também é verdadeiro, os centros urbanos excluídos do mesmo definharão, sofrendo um processo de estagnação econômica e a perda de um grande contigente populacional.

O grande desafio, na atualidade, para esse homem urbano que emergiu do processo de modernização da região consiste em vencer os obstáculos oriundos do crescimento desordenado das cidades, que acentuou-se notadamente a partir dos anos 70, e que ameaça a própria qualidade de vida dos seus habitantes. Afinal, o rio Paraíba agoniza em muitos trechos em face do criminoso lançamento de milhões de metros cúbicos de dejetos industriais e sanitários sem tratamento adequado.

Além de tudo, é preciso preservar a identidade cultural da região, difundindo o gosto pelas tradições que caracterizam o homem valeparaibano, garantindo às gerações futuras esse lastro tão necessário para uma inserção produtiva neste mundo cada vez mais globalizado pela expansão vertiginosa das conquistas tecnológicas.





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