A
população valeparaibana apresenta
grande diversidade étnica-cultural.
É o resultado da miscigenação entre
várias raças que aqui se estabeleceram,
contribuindo para a nossa formação.
Aos diversos povos primitivos que
por aqui passaram e se estabeleceram,
vieram se juntar o homem branco
europeu. Eram homens à serviço da
colonização portuguesa, a maioria
procedente do Planalto Paulista.
Sertanistas, como Brás Cubas, João
Pereira de Souza Botafogo, André
de Leão, Martim Corrêa de Sá, e,
mais tarde Borba Gato, Bento Rodrigues
Caldeira e tantos outros. Eram pessoas,
na sua maioria, de poucas posses.
Conseguiram, porém, garantir o domínio
do território, da população primitiva,
estabelecer, junto com os missionários,
o catolicismo e descobrir as cobiçadas
minas de ouro. Suas influências
são marcantes. Iniciaram o processo
de colonização portuguesa na região,
impondo o poder colonial e a cultura
européia. O resultado foi a “europeização”
da nossa sociedade, com a introdução
de hábitos, costumes, modos de fazer,
de agir e de ser, a língua, a religião
e as instituições administrativas
que seguiam as determinações da
Coroa Portuguesa. Foram responsáveis
pela criação, na região, de uma
sociedade semelhante à européia.
As condições favoráveis da região
favoreceram e estimularam estes
sertanistas e povoadores a organizarem
suas roças e sítios, desenvolvendo
uma economia de subsistência, com
emprego da mão de obra indígena.
Por todo séculos XVII brancos e
índios ocuparam o mesmo espaço,
com influências recíprocas, como
podem ser vistas nos nomes dados
às primeiras Vilas, como São Francisco
das Chagas de Taubaté, Santo Antonio
de Guaratinguetá, etc. A ocupação
do território valeparaibano seguiu
o mesmo padrão de ocupação do Brasil
colonial, ou seja, os homens portugueses
deixavam suas mulheres em Portugal,
ou na Vila de São Paulo, quando
partiam em suas aventuras pelo interior,
para se juntar com mulheres indígenas.
A mestiçagem ocorrida resultou na
forte presença de mamelucos, dos
quais são descendentes os caipiras
e os piraquaras. Resultados de pesquisas
recentes realizadas por geneticistas
da UFMG, demonstram, que na atualidade,
na região sudeste, os brancos, pela
linhagem paterna, apresentam em
torno de 98% de contribuição de
origem européia, principalmente
portuguesa. Já pela linhagem materna,
apresentam em torno de 33% de contribuição
indígena. O branco têm, cá entre
nós, do ponto de vista genético,
os pés na oca.
Ao final do século XVIII, novos
contigentes de homens brancos afluíram
para a região. Muitos homens de
posse que vieram de Portugal para
implantar os engenhos e muitos mineiros
e fluminenses, que fugindo da decadência
da mineração, ocuparam a região
de Lorena a Bananal e foram os responsáveis
pela introdução das fazendas de
café. Tornaram-se membros de uma
elite branca escravocrata, detentores
do poder econômico, social e político
por todo Império. Embora suas preocupações
estivessem voltadas para o mercado
externo, em copiar o modelo de vida
europeu, mantiveram o processo de
miscigenação, resultando no aumento
do número de mulatos entre a população
regional. Por esta razão, do ponto
de vista genético, a população branca
apresenta pela herança materna,
em torno de 28% de contribuição
africana. Têm suas raízes na senzala.
Com a abolição da escravatura, ao
final do século XIX, novos contigentes
de homens brancos europeus vieram
a se fixar na região, como trabalhadores
livres, dedicando-se as atividades
na lavoura, no comércio e na indústria.
Eram famílias de italianos, espanhóis,
portugueses e de outros países europeus.
No século XX, novos imigrantes compostos
por homens brancos e de outras raças
imigraram para o Vale do Paraíba.
Aqui trabalham e enriquecem a sociedade,
numa saudável convivência, marcada
pelo espírito de tolerância e de
respeito. Elemento facilitador na
construção do futuro, que queremos
melhor, com dignidade para todos.
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