NOSSAS FESTAS
Francisco Sodero Toledo

As festas tradicionais da região do Vale do Paraíba Paulista tiveram origem com o desenvolvimento da religiosidade popular católica. Uma religiosidade vivida pelos pobres em geral, marcada pela presença do misticismo sertanejo, do culto mariano e pelo tempo de festas, para saudar, pedir proteção e revigorar a crença no “seu santo”.

Durante o século XIX o catolicismo popular deslocou-se, gradativamente, da zona rural para os centros urbanos, sem apresentar grandes alterações nas suas características básicas. As festas eram ajustadas aos ciclo litúrgico e ao mesmo tempo, ao ciclo da vida natural. Ao litúrgico, como as festas dos padroeiros das famílias, das cidades, semana santa e natalinas.

Ao ciclo da vida natural, marcadas pela influência da economia cafeeira, com destaque para as festas religiosas desenvolvidas entre os meses de abril a agosto, que corresponde ao período da colheita, preparo e venda dos grãos. Realizam-se neste período as festas de São Benedito, as festas Juninas, do Divino Espírito Santo e as mais tradicionais, durante o mês de agosto, como o de S. Bom Jesús, em tremembé e o de N. S. da Piedade, em Lorena.

As festas valeparaibanas caracterizam-se pelo seu caráter religioso e profano. São momentos de grande demonstração de fé. Representam para o povo a esperança, a participação e a garantia da proteção especial de Deus, dos santos e da Virgem Maria.

São também ocasiões de diversão. Marcados por expressões de alegria, pela desconcentração popular, manifestadas nas ladainhas, novenas, procissões, com muita música e queima de fogos. Ainda sobrevivem as bandas de músicas, os grupos folclóricos, os violeiros, leiloeiros e tantos outros que animam estas festividades.

Ao lado do caráter religioso e festivo, elas constituem a expressão viva da capacidade da comunidade em idealizar e realizar seus projetos e perseguir utopias. Apresentam aquilo que o povo pretendeu e conseguiu realizar. Servem como instrumento de interação social, de compreensão de si mesmo, da manifestação da diversidade, de afirmação da identidade , englobando e permitindo a todos que se reconheçam com parte de um único povo, de um só passado, de uma história comum.

Elas abrem espaço importante para que os indivíduos tenham a oportunidade de participar ativamente do conjunto da sociedade . Momento em que o poder oficial é substituído por um poder de fantasia mágica, do grupo responsável pela mesma, formada por lideranças locais. Em nossa região as festas populares têm um forte apelo para o momento da refeição comunitária. Costume que se mantêm nas festas juninas, de São Benedito, com farta distribuição de comida e doces para o povo, revelando o caráter hospitaleiro e pródigo do homem valeparaibano.

Este ato representa não só o momento da solidariedade, da partilha, mas da igualdade. Da aproximação de todos, como parte de um mesmo grupo, de um mesmo destino. As festas representam também o momento de manifestação artística. O espaço propício para que as pessoas possam expressar a sua capacidade inventiva, criativa , reveladoras de aspectos significativos da identidade cultural do grupo social.

Por fim, as nossas festas, religiosas ou profanas, continuam representando esperança, apontando possibilidades de participação e realização social, propiciando momentos de alegria, cadenciando o rítimo da vida , mesmo que, como diz o ditado popular: “ tudo acaba em festa”.



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