As
festas tradicionais da região do
Vale do Paraíba Paulista tiveram
origem com o desenvolvimento da
religiosidade popular católica.
Uma religiosidade vivida pelos pobres
em geral, marcada pela presença
do misticismo sertanejo, do culto
mariano e pelo tempo de festas,
para saudar, pedir proteção e revigorar
a crença no “seu santo”.
Durante o século XIX o catolicismo
popular deslocou-se, gradativamente,
da zona rural para os centros urbanos,
sem apresentar grandes alterações
nas suas características básicas.
As festas eram ajustadas aos ciclo
litúrgico e ao mesmo tempo, ao ciclo
da vida natural. Ao litúrgico, como
as festas dos padroeiros das famílias,
das cidades, semana santa e natalinas.
Ao ciclo da vida natural, marcadas
pela influência da economia cafeeira,
com destaque para as festas religiosas
desenvolvidas entre os meses de
abril a agosto, que corresponde
ao período da colheita, preparo
e venda dos grãos. Realizam-se neste
período as festas de São Benedito,
as festas Juninas, do Divino Espírito
Santo e as mais tradicionais, durante
o mês de agosto, como o de S. Bom
Jesús, em tremembé e o de N. S.
da Piedade, em Lorena.
As festas valeparaibanas caracterizam-se
pelo seu caráter religioso e profano.
São momentos de grande demonstração
de fé. Representam para o povo a
esperança, a participação e a garantia
da proteção especial de Deus, dos
santos e da Virgem Maria.
São também ocasiões de diversão.
Marcados por expressões de alegria,
pela desconcentração popular, manifestadas
nas ladainhas, novenas, procissões,
com muita música e queima de fogos.
Ainda sobrevivem as bandas de músicas,
os grupos folclóricos, os violeiros,
leiloeiros e tantos outros que animam
estas festividades.
Ao lado do caráter religioso e festivo,
elas constituem a expressão viva
da capacidade da comunidade em idealizar
e realizar seus projetos e perseguir
utopias. Apresentam aquilo que o
povo pretendeu e conseguiu realizar.
Servem como instrumento de interação
social, de compreensão de si mesmo,
da manifestação da diversidade,
de afirmação da identidade , englobando
e permitindo a todos que se reconheçam
com parte de um único povo, de um
só passado, de uma história comum.
Elas abrem espaço importante para
que os indivíduos tenham a oportunidade
de participar ativamente do conjunto
da sociedade . Momento em que o
poder oficial é substituído por
um poder de fantasia mágica, do
grupo responsável pela mesma, formada
por lideranças locais. Em nossa
região as festas populares têm um
forte apelo para o momento da refeição
comunitária. Costume que se mantêm
nas festas juninas, de São Benedito,
com farta distribuição de comida
e doces para o povo, revelando o
caráter hospitaleiro e pródigo do
homem valeparaibano.
Este ato representa não só o momento
da solidariedade, da partilha, mas
da igualdade. Da aproximação de
todos, como parte de um mesmo grupo,
de um mesmo destino. As festas representam
também o momento de manifestação
artística. O espaço propício para
que as pessoas possam expressar
a sua capacidade inventiva, criativa
, reveladoras de aspectos significativos
da identidade cultural do grupo
social.
Por fim, as nossas festas, religiosas
ou profanas, continuam representando
esperança, apontando possibilidades
de participação e realização social,
propiciando momentos de alegria,
cadenciando o rítimo da vida , mesmo
que, como diz o ditado popular:
“ tudo acaba em festa”.
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