ARTIGOS
AS FAZENDAS DO VALE HISTÓRICO
  
   


Hamilton Rosa Ferreira

Comumente, até 1989, quando se queria designar coletivamente os municípios situados a nordeste de Lorena até a divisa com o Rio de Janeiro, se utilizava a expressão “Fundo do Vale”. Contudo, inconformados com termo que consideravam pejorativo e buscando um diferencial que expressava o rico potencial turístico que seus municípios possuíam, os prefeitos de Silveiras, Cruzeiro, Lavrinhas, Queluz, Areias, São José do Barreiro e Bananal cunharam e impuseram o uso do termo “Vale Histórico”, que ganhou notoriedade e hoje é marca símbolo desses municípios que preservaram seu rico patrimônio histórico, artístico, cultural e ambiental exatamente por distarem algumas léguas das modernas vias de transporte.

Representativas do rico acervo dessas cidades são as fazendas de café, marcos de um período áureo na economia da região, quando o “café dava para tudo”, pois representava mais de 50% do que o Brasil exportava após 1850.

O período de prosperidade foi efêmero, datando aproximadamente de 1836 até 1886, mas ficaram as fazendas como testemunhas mudas do fastígio e da decadência gerada pelo café. Algumas ruíram ou estão ruindo, outras foram transformadas em hotel-fazenda e outras permanecem fechadas à visitação pública, servindo apenas para o deleite do seu proprietário. Pena!

É tal a plêiade de fazendas representativas desse período que mereceriam ser destacadas neste pequeno artigo que, em face da exiguidade do espaço, me deterei a arrolar apenas algumas fazendas do Vale Histórico e deixarei no ar o convite para que as conheçam todas quando tiverem oportunidade.

Em São José do Barreiro temos a Fazenda Pau D’Alho, um dos exemplares mais antigos e significativos da implantação da monocultura cafeeira no Estado de São Paulo. A fazenda, que começou a ser edificada em 1817 e recebeu D. Pedro em sua jornada da independência em 1822, é um belo exemplo da arquitetura funcional destinada a extrair daquele solo os ricos frutos do café. Em Queluz a bela Fazenda Restauração, edificada em 1867, impressiona pelo conjunto arquitetônico monumental formado pela junção da sua sede, casa das máquinas e muros de pedra.

Em Lavrinhas podemos destacar a Fazenda Rio Claro, de 1879, edificada em taipa de pilão e pau-a-pique. Em Silveiras temos a Fazenda Sertão Moreira, de acesso difícil, e em Areias podemos destacar a Fazenda Vargem Grande, no Bairro da Serra. Já em Bananal merecem destaque as seguintes fazendas: Resgate, belo exemplo da riqueza gerada pelo café, com seu interior ricamente decorado; dos Coqueiros, construída em 1855, pelo major Ribeiro Barbosa, que prometeu que se o filho doente chegasse aos 15 anos doaria para a Santa Casa local o seu peso em ouro! O “menino de ouro” tornou-se depois o Barão Ribeiro Barbosa. Essas fazendas são guardiães do rico passado dessa região do Vale.




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