A
segunda metade do século XIX foi
marcada pelo chamado processo de
modernização do país, caracterizado
por um surto de industrialização
e urbanização, com destaque para
a extensa malha ferroviária que
começou a ser estendida pelo Brasil
a partir de 1854 e que servia para
racionalizar o transporte do café,
produto que passava a alicerçar
a economia nacional.
É no contexto desse surto inicial
de modernização da economia brasileira
que se pode compreender a construção
da Estrada de Ferro Dom Pedro II,
posteriormente denominada Central
do Brasil, que atravessava todo
o Vale do Paraíba, o principal pólo
produtor de café brasileiro na época,
e ligava São Paulo ao Rio de Janeiro,
o principal porto de exportação
do país.
Em 1855 foi constituída a Companhia
da Estrada de Ferro Dom Pedro II,
cujo traçado deveria partir do Rio
de Janeiro e depois bifurcar no
meio do Vale do Paraíba Paulista,
com parte do tronco rumando para
Minas Gerais e parte para Cachoeira
Paulista, estendendo-se mais tarde
até São Paulo. O trecho até Cachoeira
Paulista foi inaugurado em 20 de
junho de 1875, com a construção
de uma estação provisória na margem
esquerda do rio Paraíba.
A ligação entre São Paulo e Cachoeira
Paulista foi realizada pela Companhia
São Paulo, em 7 de julho de 1877,
com a inauguração definitiva da
Estação de Cachoeira Paulista, edificada
na margem direita do rio Paraíba.
Mais tarde, em 1884, estabelecia-se
a ligação da Dom Pedro II com o
Sul de Minas. A Companhia The Minas
and Rio Railway Company instalou
uma estação nas terras da Fazenda
Boa Vista, de propriedade do Major
Manoel de Freitas Novaes. Esse foi
o marco inicial da cidade de Cruzeiro.
Com o advento da ferrovia no Vale
do Paraíba, várias cidades cortadas
por seus trilhos se modernizaram
pela ampliação do volume das atividades
comerciais e financeiras que passavam
a ter lugar na região. Impulsionadas
pelo surto ferroviário tivemos também
a valorização das terras urbanas,
em detrimento dos tradicionais latifúndios,
o que contribuiu para alterar a
própria fisionomia dos municípios.
Por outro lado, as cidades que ficaram
fora do seu traçado agonizaram lentamente.
Tornaram-se as célebres “cidades
mortas”. |