Nas últimas décadas do século
passado merecem destaque a preocupação
e atuação do IEV em torno das
questões da cultura regional.
No início dos anos 80 promoveu
a Campanha da Busca da Identidade
Cultural do Vale do Paraíba.
O objetivo era associar o regional
ao universal, buscar a consciência
de si mesmo, reconhecer e valorizar
a cultura regional. Foram dois
anos de estudos, reflexões,
debates, denúncias de estabelecimentos
de princípios para a ação cultural.
Nos dias atuais, este trabalho
ganha novas dimensões e repercussões.
Como o grande evento "Revelando
São Paulo" realizado recentemente
na cidade de São José dos Campos.
Uma nova e pujante expressão
da cultura regional, apontando
o alvorecer de novos tempos,
sob novos enfoques.
A sociedade moderna, gestada
após o Renascimento europeu,
hegemônica até então, começa
a ceder espaço para uma outra
forma de sociedade marcada pela
valorização do conhecimento,
pela globalização. Está a emergir
a sociedade pós-moderna.
O
pós moderno apresenta novos
olhares, o mundo da diversidade,
da descontinuidade, do efêmero.
Desaparece o padrão, fica o
múltiplo. A internacionalização
cede espaço para o universalismo.
Nele desaparece o mundo como
objeto do sujeito. A linguagem
ganha novo sentido. É tempo
de coisas móveis, dinâmicas.
Aprofunda-se na questão cultural,
o homem emerge como tema central.
O
nosso país passa a ser considerado
como "laboratório da pós-modernidade",
como defende Michel Maffesoli.
Isto porque os valores resgatados
do passado estão em comunhão
com as mais avançadas tecnologias.
Surgem novas formas de pensamento
e comportamento, com base nas
tradições e nos valores do passado.
Há como que uma volta ao tribalismo,
à vida em pequenos grupos, sem
que as pessoas tenham que ficar
fechadas dentro de relações
mononucleares. Vive-se a ruptura
do olhar, sob novos paradigmas.
Perspectivas de integração
O saber moderno, racional, fragmentado
e especializado tende a perder
força no novo contexto epistemológico.
No seu lugar vai se afirmando
a visão global, do todo. O conhecimento,
como quer Boaventura de Souza
Santos, deve servir para ajudar
a desenvolver o senso comum.
Introduz o conceito do "conhecimento
prudente para uma vida decente".
Dentro
deste novo paradigma é que se
deve buscar desvendar o novo
papel da cultura regional, ou
seja, o de contribuir para a
melhoria das condições de vida
e minimizar os efeitos negativos
das desigualdades sociais. O
pensar deve ser global, mas
desenvolver ações a nível local,
estendendo-as ao nível regional.
De forma participativa, buscando
novos caminhos, exigindo políticas
públicas alternativas e ações
sociais capazes de alcançar
o desenvolvimento sustentável.
Ter como fundamentos a valorização
do ser humano e de suas manifestações
culturais, a identidade cultural,
o respeito às tradições, sem
perder de vista a interface
e as implicações do mundo globalizado.
A partir destas considerações,
o caminho a ser trilhado é o
da busca da integração entre
cultura, turismo, patrimônio
cultural e ambiental e educação.
Pensar nas possibilidades e
desvendar oportunidades dentro
desta perspectiva de ação.
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