Desde
o início da colonização, os portugueses
procuraram penetrar a região do
Vale do Paraíba em busca de metais
preciosos, da conversão dos gentios
à fé católica, para combater invasores,
aprisionar índios, estabelecer ligação
com o litoral e garantir a posse
do território.
O Rio Paraíba do Sul serviu como
roteiro natural. A partir do início
do século XVII foram palmilhados
diversas trilhas indígenas que conduziam
ao litoral Norte e ao sopé da Mantiqueira,
de onde as bandeiras e viajantes
partiam serra acima até atingir
a região das Minas Gerais. As trilhas
que merecem destaque são: a das
gargantas dos rios Buquira, Piracuama
e Sapucaí, do Piaqui e da garganta
do Embaú.
Nestas investidas surgiu o Caminho
Velho dos Paulistas, ou Estrada
Real. Ele partia de São Paulo, passava
pela Penha, Itaquaquecetuba, Mogi
das Cruzes, Guararema, atingindo
o Vale do Paraíba, em Jacareí .
Estendia-se até Taubaté de onde
passava a acompanhar o trajeto do
Caminho Velho de Paratí, até atingir
a garganta do Embaú.
Este caminho garantiu a ocupação
da região e o seu povoamento. Em
1628 começam a serem doadas as primeiras
sesmarias e em 1645, funda-se a
Vila de São Francisco das Chagas
de Taubaté, que se transformou em
“centro irradiador do povoamento
da região”. Em 1693, bandeirantes
partindo de Taubaté, chefiados opor
Antônio Rodrigues Arzão, descobriram
as primeiras minas de ouro, na atual
Ouro Preto.
Na medida em que, durante o século
XVIII, aumentou a produção de ouro
na região das minas gerais, o governo
português intensificou o controle
da circulação das riquezas minerais.
Medidas drásticas eram tomadas para
se evitar o contrabando de ouro,
de pedras preciosas e acabar com
os desvios ou os seus “ descaminhos
“. Apesar das leis e do rigor da
fiscalização o contrabando continuou.
Ligado a este contexto da mineração,
numerosas trilhas do ouro foram
sendo abertas. Partindo do litoral,
quer de Paraty, pelo Caminho Velho,
quer por Mambucaba, seguiam em direção
à Serra da Bocaina, de onde se bifurcava
em diversas outras trilhas que alcançavam
diferentes áreas do Vale do Paraíba,
seguindo por atalhos na Serra da
Mantiqueira até alcançar a região
aurífera. A mais famosa delas recebeu
o nome de Cesaréa, construída por
volta de 1740. Partia da Vargem
Grande, hoje município de Areias
e seguia serra acima, toda pedregulhada,
em direção à Mambucaba.
Para impedir os descaminhos do ouro
e melhorar a ligação das capitanias
de São Paulo e do Rio de Janeiro,
as autoridades coloniais decidiram
construir um caminho pelo qual transitaria
o gado que fosse comercializado
e enviado para o Rio de Janeiro,
acompanhando as trilhas existentes
na Serra do Mar. O Caminho do Gado
foi construído nas primeiras décadas
do século XVIII. Partia entre os
limites de Guaratinguetá e Lorena,
para alcançar o Planalto da Bocaina
e dali seguia em direção a Bananal
e aos limites das capitanias. Uma
bifurcação no alto da Serra permita
chegar-se ao litoral, via Mambucaba.
Os caminho Velho de Parati, de Mambucaba,
a Cesaréa e o Caminho do Gado formam
hoje “Os Caminhos do Ouro”, que
começam a ser redescobertos e revalorizados
face ao fascínio que desperta, localizado
em área de exuberante vegetação
natural. A colonização da região
do Vale do Paraíba foi completada,
no século XVIII, com a construção
das “ vias transversais” e do Caminho
Novo da Piedade. As “ Vias Transversais”
foram construídas buscando a melhoria
da comunicação com o litoral, dando
vida à novos núcleos urbanos como
São Luís do Paraitinga e Paraibuna.
O Caminho Novo da Piedade, foi construído
com a finalidade de melhor controlar
o fluxo das riquezas minerais que
circulavam na região e melhorar
o sistema de comunicação, por terra,
entre as Capitanias de São Paulo
e do Rio de Janeiro. As obras foram
determinadas no início de 1725 e
as primeiras picadas foram abertas
em 1726. Deveriam ligar a Freguesia
de Nossa Senhora da Piedade ( atual
Lorena), até a Fazenda Santa Cruz,
dos padres Jesuítas. No entanto,
as obras só foram concluídas em
1778.
As dificuldades foram muitas, ligadas
principalmente ao desconhecimento
e a topografia dos terrenos da área,
antes conhecida como “ sertão incompreensível”,
e, por contrariar os interesses
de contrabandistas ali estabelecidos.
Ao longo do seu trajeto foram surgindo
as cidades de Silveiras, Areias,
São José do Barreiro e Bananal,
hoje conhecidas como “cidades históricas”,
berço de rico patrimônio cultural
e ambiental. |