ARTIGOS
CAMINHOS DE PENETRAÇÃO, POVOAMENTO E COLONIZAÇÃO
  
   


Francisco Sodero Toledo

Desde o início da colonização, os portugueses procuraram penetrar a região do Vale do Paraíba em busca de metais preciosos, da conversão dos gentios à fé católica, para combater invasores, aprisionar índios, estabelecer ligação com o litoral e garantir a posse do território.

O Rio Paraíba do Sul serviu como roteiro natural. A partir do início do século XVII foram palmilhados diversas trilhas indígenas que conduziam ao litoral Norte e ao sopé da Mantiqueira, de onde as bandeiras e viajantes partiam serra acima até atingir a região das Minas Gerais. As trilhas que merecem destaque são: a das gargantas dos rios Buquira, Piracuama e Sapucaí, do Piaqui e da garganta do Embaú.

Nestas investidas surgiu o Caminho Velho dos Paulistas, ou Estrada Real. Ele partia de São Paulo, passava pela Penha, Itaquaquecetuba, Mogi das Cruzes, Guararema, atingindo o Vale do Paraíba, em Jacareí . Estendia-se até Taubaté de onde passava a acompanhar o trajeto do Caminho Velho de Paratí, até atingir a garganta do Embaú.

Este caminho garantiu a ocupação da região e o seu povoamento. Em 1628 começam a serem doadas as primeiras sesmarias e em 1645, funda-se a Vila de São Francisco das Chagas de Taubaté, que se transformou em “centro irradiador do povoamento da região”. Em 1693, bandeirantes partindo de Taubaté, chefiados opor Antônio Rodrigues Arzão, descobriram as primeiras minas de ouro, na atual Ouro Preto.

Na medida em que, durante o século XVIII, aumentou a produção de ouro na região das minas gerais, o governo português intensificou o controle da circulação das riquezas minerais. Medidas drásticas eram tomadas para se evitar o contrabando de ouro, de pedras preciosas e acabar com os desvios ou os seus “ descaminhos “. Apesar das leis e do rigor da fiscalização o contrabando continuou.

Ligado a este contexto da mineração, numerosas trilhas do ouro foram sendo abertas. Partindo do litoral, quer de Paraty, pelo Caminho Velho, quer por Mambucaba, seguiam em direção à Serra da Bocaina, de onde se bifurcava em diversas outras trilhas que alcançavam diferentes áreas do Vale do Paraíba, seguindo por atalhos na Serra da Mantiqueira até alcançar a região aurífera. A mais famosa delas recebeu o nome de Cesaréa, construída por volta de 1740. Partia da Vargem Grande, hoje município de Areias e seguia serra acima, toda pedregulhada, em direção à Mambucaba.

Para impedir os descaminhos do ouro e melhorar a ligação das capitanias de São Paulo e do Rio de Janeiro, as autoridades coloniais decidiram construir um caminho pelo qual transitaria o gado que fosse comercializado e enviado para o Rio de Janeiro, acompanhando as trilhas existentes na Serra do Mar. O Caminho do Gado foi construído nas primeiras décadas do século XVIII. Partia entre os limites de Guaratinguetá e Lorena, para alcançar o Planalto da Bocaina e dali seguia em direção a Bananal e aos limites das capitanias. Uma bifurcação no alto da Serra permita chegar-se ao litoral, via Mambucaba.

Os caminho Velho de Parati, de Mambucaba, a Cesaréa e o Caminho do Gado formam hoje “Os Caminhos do Ouro”, que começam a ser redescobertos e revalorizados face ao fascínio que desperta, localizado em área de exuberante vegetação natural. A colonização da região do Vale do Paraíba foi completada, no século XVIII, com a construção das “ vias transversais” e do Caminho Novo da Piedade. As “ Vias Transversais” foram construídas buscando a melhoria da comunicação com o litoral, dando vida à novos núcleos urbanos como São Luís do Paraitinga e Paraibuna.

O Caminho Novo da Piedade, foi construído com a finalidade de melhor controlar o fluxo das riquezas minerais que circulavam na região e melhorar o sistema de comunicação, por terra, entre as Capitanias de São Paulo e do Rio de Janeiro. As obras foram determinadas no início de 1725 e as primeiras picadas foram abertas em 1726. Deveriam ligar a Freguesia de Nossa Senhora da Piedade ( atual Lorena), até a Fazenda Santa Cruz, dos padres Jesuítas. No entanto, as obras só foram concluídas em 1778.

As dificuldades foram muitas, ligadas principalmente ao desconhecimento e a topografia dos terrenos da área, antes conhecida como “ sertão incompreensível”, e, por contrariar os interesses de contrabandistas ali estabelecidos. Ao longo do seu trajeto foram surgindo as cidades de Silveiras, Areias, São José do Barreiro e Bananal, hoje conhecidas como “cidades históricas”, berço de rico patrimônio cultural e ambiental.




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