Hábitos
e costumes indígenas
dos Puris
Os
Puris poucos se distinguem dos
Coropós e Coroados também
em seus aspectos culturais.
O significado da palavra Puri,
em tupi, pode ser colocado como
"... gentinha ou povo
miúdo ou comedor de carne
humana (dependendo da interpretação)"
. Contudo, no Brasil, afirmam
que a expressão "comedor
de carne humana" não
se aplicará, pois este
conceito não se firma
nos estudos, e sim, apenas nos
relatos dos viajantes da época.
Poucos estudiosos atribuem aos
Puris as práticas antropofágicas,
porém essas acusações
de canibalismo não deixaram
nenhuma evidência, não
podendo ser comprovada esta
afirmação. Também
existem relatos que descrevem
os índios Puris como
traiçoeiros e desumanos
com os homens brancos, contudo
esses atos podem ser tidos como
resistência contra as
agressões e conquistas
dos europeus para defesa de
seu território, sua família,
sua tribo. Para o autor Cláudio
Moreira Bento:
"...Não
se conhecia fato algum de um
puri que haja matado um branco.
Quando os brancos
embrenhavam-se na mata para
colher a planta medicinal poaia,
ao encontrarem os puris
estes se punham a correr arriscando-se
furtivamente a apanharem para
seus usos as
ferramentas dos brancos. O próprio
nome puri significava na língua
deles gente mansa
ou tímida."
Na
região do Vale do Paraíba,
as afirmações
são claras a respeito
do comportamento do índio
Tupi: são calmos, covardes,
medrosos e ingênuos, eram
mansos e tímidos.
Muitos relatos dão conta
do medo e da suscetibilidade
com que aceitavam a invasão
pelo homem branco e trabalhavam
para estes. Não roubavam,
não eram mentirosos e
nem ambiciosos. A personalidade
do índio Puri é
descrita, na maioria dos relatos,
como dócil e suscetível
ao trabalho a ele imposto pelo
homem branco.
Quanto aos costumes e hábitos
indígenas muito se diferenciavam
da cultura dos portugueses,
que iniciavam suas entradas
na mata e tinham contato com
uma cultura diversa da sua,
muitas vezes aos olhos do homem
branco eram exóticas,
incompreendidas e mal interpretadas.
A contradição
da busca por riquezas e a indiferença
do índio pelas coisas
materiais, eram fatores que
o homem branco não conseguiam
compreender. Eram opostos extremos,
os índios almejavam a
harmonia com a terra para o
seu sustento, e o europeu buscava
apenas a riqueza, adentrando
a mata e tomando posse, do que
antes era de todos, e a partir
de então seria do homem
branco. Esse encontro dos distintos
veremos nos capítulos
posteriores.
A língua dos Puris era
diferente dos demais indígenas,
das outras tribos, era caracterizado
como um vocabulário esparso
e do qual alguns viajantes fabricaram
pequenos dicionários.
(Vide anexo)
Os Puris tinham sua sociedade
composta por um chefe, por um
pajé e, homens e mulheres
com funções distintas.
O chefe era eleito pela astúcia,
braveza e habilidades de guerreiro
e não tinha poder efetivo
sobre seu povo:
"
Na sociedade indígena,
chefe não é aquele
que manda, mas sim, que
aconselha o que deve ser feito.
Se os seus, seguem ou não
o seu
conselho, o problema não
é do chefe. Ele é
apenas um líder que
aconselha, não um patrão
que determina o que deve ser
feito."
Ao
pajé se destinavam a
tarefas religiosas e rituais
de cura; aos homens cabiam a
fabricação de
armas, a caça e a guerra;
as mulheres cuidavam da colheita,
recolher as caças abatidas
e cuidar das vasilhas e demais
utensílios usados na
tribo. Cada índio podia
escolher mais de uma esposa,
eram polígamos.
A sociedade indígena
desta espécie não
exercia a agricultura nem a
navegação, retiravam
da natureza seus meios de subsistência.
Por isso, viviam em habitações
provisórias, eram nômades.
A religião era a devoção
a vários seres poderosos,
contemplavam a natureza e seus
fenômenos como Deuses.
Usavam colares protetores, para
afastar animais ferozes, ressalta-se
o papel do pajé como
símbolo maior do poder
da religião dentre os
índios. Os índios
após o falecimento eram
colocados em vasos de barro
e sua habitação
era abandonada por medo do espirito
do morto. Alguns destes vasos
foram encontrados no município
de Canas, cidade vizinha de
Cachoeira Paulista, porém,
somente estudos arqueológicos
avançados poderão
explicar a origem real, sem
deturpações históricas
formuladas pelo homem branco
sobre os costumes, utensílios
e a verdadeira genealogia desses
habitantes primordiais do Vale.