ARTIGOS
A PRESENÇA INDÍGENA NO VALE DO PARAÍBA: OS ÍNDIOS PURIS
  
   



Fabiana Lima

Hábitos e costumes indígenas dos Puris

Os Puris poucos se distinguem dos Coropós e Coroados também em seus aspectos culturais. O significado da palavra Puri, em tupi, pode ser colocado como "... gentinha ou povo miúdo ou comedor de carne humana (dependendo da interpretação)" . Contudo, no Brasil, afirmam que a expressão "comedor de carne humana" não se aplicará, pois este conceito não se firma nos estudos, e sim, apenas nos relatos dos viajantes da época.
Poucos estudiosos atribuem aos Puris as práticas antropofágicas, porém essas acusações de canibalismo não deixaram nenhuma evidência, não podendo ser comprovada esta afirmação. Também existem relatos que descrevem os índios Puris como traiçoeiros e desumanos com os homens brancos, contudo esses atos podem ser tidos como resistência contra as agressões e conquistas dos europeus para defesa de seu território, sua família, sua tribo. Para o autor Cláudio Moreira Bento:

"...Não se conhecia fato algum de um puri que haja matado um branco. Quando os brancos
embrenhavam-se na mata para colher a planta medicinal poaia, ao encontrarem os puris
estes se punham a correr arriscando-se furtivamente a apanharem para seus usos as
ferramentas dos brancos. O próprio nome puri significava na língua deles gente mansa
ou tímida."

Na região do Vale do Paraíba, as afirmações são claras a respeito do comportamento do índio Tupi: são calmos, covardes, medrosos e ingênuos, eram mansos e tímidos.
Muitos relatos dão conta do medo e da suscetibilidade com que aceitavam a invasão pelo homem branco e trabalhavam para estes. Não roubavam, não eram mentirosos e nem ambiciosos. A personalidade do índio Puri é descrita, na maioria dos relatos, como dócil e suscetível ao trabalho a ele imposto pelo homem branco.
Quanto aos costumes e hábitos indígenas muito se diferenciavam da cultura dos portugueses, que iniciavam suas entradas na mata e tinham contato com uma cultura diversa da sua, muitas vezes aos olhos do homem branco eram exóticas, incompreendidas e mal interpretadas.
A contradição da busca por riquezas e a indiferença do índio pelas coisas materiais, eram fatores que o homem branco não conseguiam compreender. Eram opostos extremos, os índios almejavam a harmonia com a terra para o seu sustento, e o europeu buscava apenas a riqueza, adentrando a mata e tomando posse, do que antes era de todos, e a partir de então seria do homem branco. Esse encontro dos distintos veremos nos capítulos posteriores.
A língua dos Puris era diferente dos demais indígenas, das outras tribos, era caracterizado como um vocabulário esparso e do qual alguns viajantes fabricaram pequenos dicionários. (Vide anexo)
Os Puris tinham sua sociedade composta por um chefe, por um pajé e, homens e mulheres com funções distintas. O chefe era eleito pela astúcia, braveza e habilidades de guerreiro e não tinha poder efetivo sobre seu povo:

" Na sociedade indígena, chefe não é aquele que manda, mas sim, que
aconselha o que deve ser feito. Se os seus, seguem ou não o seu
conselho, o problema não é do chefe. Ele é apenas um líder que
aconselha, não um patrão que determina o que deve ser feito."

Ao pajé se destinavam a tarefas religiosas e rituais de cura; aos homens cabiam a fabricação de armas, a caça e a guerra; as mulheres cuidavam da colheita, recolher as caças abatidas e cuidar das vasilhas e demais utensílios usados na tribo. Cada índio podia escolher mais de uma esposa, eram polígamos.
A sociedade indígena desta espécie não exercia a agricultura nem a navegação, retiravam da natureza seus meios de subsistência. Por isso, viviam em habitações provisórias, eram nômades.
A religião era a devoção a vários seres poderosos, contemplavam a natureza e seus fenômenos como Deuses. Usavam colares protetores, para afastar animais ferozes, ressalta-se o papel do pajé como símbolo maior do poder da religião dentre os índios. Os índios após o falecimento eram colocados em vasos de barro e sua habitação era abandonada por medo do espirito do morto. Alguns destes vasos foram encontrados no município de Canas, cidade vizinha de Cachoeira Paulista, porém, somente estudos arqueológicos avançados poderão explicar a origem real, sem deturpações históricas formuladas pelo homem branco sobre os costumes, utensílios e a verdadeira genealogia desses habitantes primordiais do Vale.

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