ARTIGOS

Patrimônio Cultural Valeparaibano: "Carnaval"
  
   


José Prado Pereira Júnior

O Carnaval chegou a Guaratinguetá ainda como Entrudo, que era uma festa violenta trazida pelos portugueses, em que predominavam brincadeiras de mau gosto. No final do séc. XIX ganhou os salões das sociedades carnavalescas, com os famosos bailes de máscaras, já presentes o confete, a serpentina e, em principio deste século, o lança--perfume que veio substituir o limão-de-cheiro.
A partir de 1846, uma novidade veio alegrar ainda mais os festejos carnavalescos: o "Zé Pereira" ou tocador de Bumbo (Tambor), cuja origem ainda certa ainda e discutida pelos historiadores, que concordam apenas com seu toque e músicas características vindas do Rio de Janeiro:

“Viva o Zé Pereira
Que a ninguém faz mal”.
Viva a bebedeira
Nos dias de Carnaval "

Com o gradual abandono dos "brinquedos do Entrudo" e com o aparecimento das marchinhas, a partir de 1908, começaram a surgir em Guaratinguetá os primeiros grupos, blocos e cordões.
Em 1917, começou a pontilhar o samba, influênciado com o autor conhecido como "Donga" que chegou ate a transformar o seu famoso tango "Pelo Telefone", em samba (1° samba da história), como provam as partituras existentes no Museu Frei Galvão, em Guaratinguetá.
Em Guaratinguetá, outras marchas, de autores da cidade ainda podem ser lembradas. como a "Paraquedista" e a "Lulu", de Paulo Teixeira - o "Paulo Alfaiate", um dos fundadores do Bloco dos Tesoiras, composto só de alfaiates, criado em 1925 e sobrevivendo hoje com o nome de Velha Guarda.
Surgiram, também, as "marchas-ranchos", de ritmo um pouco mais lento, como a "recordando", de José Catharina Filho.
Também ficaram famosos os "banhos à fantasia", que aconteciam anualmente, a margem do rio Paraíba, realizados as vésperas do Carnaval. Os foliões se preparavam para o banho com fantasias de papel e não se esqueciam de registrar o fato em fotografias.

A partir de 1965 começaram a surgir as primeiras Escolas de Samba, procurando copiar as já afamadas Escolas de Samba do Rio de Janeiro. O fato fez com que se transferissem os desfiles carnavalescos do centro da cidade, para novas avenidas, alem do rio Paraíba. É aí que hoje as Escolas, verdadeiros teatros de rua, desfilam para o povo. Entre os destaques da Escola estão principalmente o seu enredo e sua música.

O enredo ou tema escolhido pode homenagear fatos ou pessoas ilustres, como aconteceu no carnaval de 2002. A história da vida de Bonfíglio de Oliveira, famoso músico e compositor da terra foi o enredo escolhido pela Embaixada do Morro, a Agremiação Carnavalesca mais antiga da cidade.

 

Muitas outras Escolas e Blocos vêem brilhando por anos seguidos. Entre eles está a Banda Mole, cuja proposta é a volta do Carnaval espontâneo, sem competição, sem regras, nem pagamento. Só alegria e diversão.
O bloco da “Banda Mole” que faz a abertura oficial do Carnaval de Guaratinguetá. Na ocasião o Prefeito Municipal entrega a chave da cidade ao Rei Momo, que deverá governá-lo durante os três dias que antecedem a Quaresma.
O Carnaval faz parte do Patrimônio Cultural de Guaratinguetá, fazendo com que essa tradição, passe de pai para filho.

Fonte: "Museu Frei Galvão" - Monografias de Thereza Maia.




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